Acervos: extremismos

Verbetes e projetos que tocam em fatos extremos ou que, em seu radicalismo, atuam como antídotos contra a exclusão e a intolerância

João das Neves (Foto: André Seiti)

PROJETOS
Ocupação João das Neves
Definido no site do Itaú Cultural como “Marginal Brasileiro”, o dramaturgo, ator, diretor e escritor João das Neves teve uma trajetória de combate à ditadura civil-militar por meio de atividades político-artísticas e no convívio com povos indígenas do Acre. Esse contato, assim como com os congadeiros do interior de Minas Gerais, determinou a forte influência da cultura popular em sua obra. O engajamento radical de João das Neves foi tema de ocupação que aconteceu de setembro a novembro de 2015 no Itaú Cultural.

Imagem de Dos Campos à Concentração (Foto: David Aguiar)

 

Dos Campos à Concentração
As secas que castigam a população nordestina deixam rastros traumáticos na história do País. Segundo dados da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), entre 1877 e 1984, 3,5 milhões de pessoas – a maioria delas crianças – morreram nessa região por fome ou doenças derivadas da desnutrição. Nesse processo, desde pelo menos o ano de 1915, criaram-se campos de concentração onde os famintos da seca eram isolados sob a vigilância de soldados e onde milhares morreram sem chance de recomeçar, aprisionados pelo Estado. Tais incidentes são trazidos à tona no documentário Dos Campos à Concentração, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2015-2016. Idealizado por David Aguiar e Sabina Colares, o filme propõe reconstituir os fatos e trilhar uma reconstrução identitária da sociedade através do cotidiano, pois é nele que se reproduzem no presente as políticas do passado.

Trademarks, de Vito Acconci (1970) (Foto: Cortesia Acconci Studio, Edizioni Charta)

VERBETES
Body Art
A body art, ou arte do corpo, designa uma vertente da arte contemporânea que toma o corpo como meio de expressão e/ou matéria para a realização dos trabalhos, associando-se frequentemente a happening e performance. Não se trata de produzir novas representações sobre o corpo – encontráveis no decorrer de toda a história da arte –, mas de tomar o corpo do artista como suporte para realizar intervenções, de modo geral, associadas à violência, à dor e ao esforço físico. Pode ser citado, por exemplo, entre muitos outros, o Rubbing Piece (1970), encenado em Nova York por Vito Acconci (1940-2017), em que o artista esfrega o próprio braço até produzir uma ferida. O sangue, o suor, o esperma, a saliva e outros fluidos corpóreos mobilizados nos trabalhos interpelam a materialidade do corpo, que se apresenta como suporte para cenas e gestos que tomam por vezes a forma de rituais e sacrifícios. Tatuagens, ferimentos, atos repetidos, deformações, escarificações e travestimentos são feitos ora em local privado (e divulgados por meio de filmes ou fotografias), ora em público, o que indica o caráter frequentemente teatral da arte do corpo. (…)  As experiências realizadas pela body art devem ser compreendidas em oposição a um mercado internacionalizado e técnico e relacionado a novos atores sociais (negros, mulheres, homossexuais e outros).

Reedição fac-símile da Revista de Antropofagia com Ilustração de Hans Staden realizada em 1557 (Foto: Reprodução)

 

Manifesto Antropófago
O Manifesto Antropófago, escrito por Oswald de Andrade (1890-1954), é publicado em maio de 1928, no primeiro número da recém-fundada Revista de Antropofagia, veículo de difusão do Movimento Antropofágico brasileiro. Em linguagem metafórica cheia de aforismos poéticos repletos de humor, o Manifesto torna-se o cerne teórico desse movimento que pretende repensar a questão da dependência cultural do Brasil. São inúmeras as influências teóricas identificadas no Manifesto: Karl Marx, Sigmund Freud, André Breton, Francis Picabia, Jean-Jacques Rousseau e Michel de Montaigne, Hermann Keyserling (…). Ápice do primeiro tempo modernista, inaugurado oficialmente com a Semana de Arte Moderna de 1922, a etapa antropofágica realça a contradição violenta entre duas culturas: a primitiva (ameríndia e africana) e a latina (de herança cultural europeia), que formam a base da cultura brasileira, mediante a transformação do elemento selvagem em instrumento agressivo.

Madame Satã (Foto: Reprodução)

Madame Satã
Personagem emblemática da vida noturna e não marginal carioca da década de 1970, transformista e capoeirista, Madame Satã é hoje uma referência contra a homofobia e o racismo. No período de 1983 a 1986, emprestou seu nome a uma casa noturna que funcionou em São Paulo como centro de produção e divulgação da cultura underground da cidade. (…) O Madame Satã foi um fenômeno dos primeiros anos após o fim da ditadura militar no Brasil, em meio a uma atmosfera de liberdade de manifestação aliada a resquícios da contracultura e do movimento hippie das décadas de 1960 e 1970, e às influências dos movimento punk inglês e new wave americano. Por isso, tornou-se um local de troca de informações e marco do início de carreira de boa parte dos artistas e profissionais do meio cultural da cidade de São Paulo.

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