Acervos: popular

As correspondências entre o pop e o erudito em verbetes da Enciclopédia Itaú Cultural e em projetos do instituto

Adoração (1966), de Nelson Leirner (Foto: Cortesia Galeria Silvia Cintra+Box4)

Verbetes
Arte pop
Na década de 1960, os artistas defendem uma arte popular (pop) que se comunique diretamente com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que cerca a cultura de massa e a vida cotidiana. A defesa do popular traduz uma atitude artística contrária ao hermetismo da arte moderna. Nesse sentido, a arte pop se coloca na cena artística que tem lugar em fins da década de 1950 como um dos movimentos que recusam a separação arte/vida (…)

(Foto: Cortesia Memorial J. Borges)

Trabalho de J. Borges (Foto: Cortesia Memorial J. Borges)

J.Borges
José Francisco Borges (Bezerros, Pernambuco, 1935). Artista popular, xilogravador e poeta. Filho de agricultores, frequenta a escola aos 12 anos, apenas por dez meses. Realiza diversas atividades: é marceneiro, mascate, pintor de parede, oleiro etc. Em 1956, compra um lote de folhetos de cordel e começa a atuar como vendedor em feiras populares. Em 1964, escreve seu primeiro folheto, O Encontro (…) A partir de 1970, começa a receber diversas encomendas de gravuras, o que fortalece sua obra e estimula a autonomia de suas gravuras em relação ao cordel (…)

Projetos

Mestre Galo Preto (Foto: Cortesia Hugo Nascimento)

Mestre Galo Preto (Foto: Cortesia Hugo Nascimento)

Mestre Galo Preto
Tomás Aquino Leão (Bom Conselho de Papacaças, Pernambuco, 1935), conhecido como Mestre Galo Preto, herdou da família a tradição da embolada e da cantoria de sambada do sertão. Em mais de 70 anos de carreira, compôs cerca de 300 sambas, cocos de roda, emboladas e forrós, que surpreendem pela temática arrojada que inclui a defesa da diversidade sexual, como a música Homem com Homem, Mulher com Mulher, que virou objeto de pesquisa de mestrado na Espanha. Galo Preto já ganhou um documentário – Galo Preto, Um Menestrel do Coco (2012), de Wilson Freire –, já cantou em Cuba, hoje está no YouTube e nos anos 1970 e 1980 se apresentou em programas populares da TV brasileira, como o Cassino do Chacrinha. Inovador e nada purista, realizou com Zé Brown um trabalho de fusão do coco tradicional e do repente com o rap e o hip hop. Contudo, nunca gravou um disco próprio. Essa grave lacuna da memória da música popular brasileira será preenchida pelo Rumos 2015-2016, com a gravação, mixagem e masterização de 15 faixas do CD Mestre Galo Preto – Histórias que Andei.

(Foto: Cortesia Nigéria Audiovisual Rubens Chiri/Itaú Cultural)

Pessoas dançam Swingueira (Foto: Cortesia Nigéria Audiovisual)

Swingueira
Projeto de documentário contemplado pelo Rumos 2015-2016 pretende colocar essa manifestação cultural das periferias de cidades nordestinas no centro da roda. A swingueira surgiu no final dos anos 1990 e estourou nas paradas de sucesso de todo o Brasil com o grupo baiano É o Tchan. Alguns verões depois, o ritmo sumiu dos holofotes, mas continuou ativo regionalmente, ganhando ares de “movimento”, fervendo nas praias e matinês domingueiras. O universo da swingueira compreende o “pagode baiano” em Salvador, o “muvucão” no Recife, e em Fortaleza o ritmo se espraiou para os grupos de dança, as festas de coreografias coletivas e os torneios competitivos. De natureza pop, o projeto da produtora cearense Nigeria Filmes será transmídia, veiculado gratuitamente na web e registrado na plataforma Creative Commons.

(Foto: Rubens Chiri/Itaú Cultural)

Detalhe da exposição Contrapensamento Selvagem que compôs o projeto Caos e Efeito (Foto: Rubens Chiri/Itaú Cultural)

Contrapensamento selvagem
Com curadoria de Paulo Herkenhoff, Clarissa Diniz, Cayo Honorato e Orlando Maneschy, a exposição Contrapensamento Selvagem compôs o projeto Caos e Efeito, no Itaú Cultural, em outubro de 2011, colocando em campo artistas e linguagens à margem do sistema da arte contemporânea. Desconstruindo totens e exaltando uma arte dissonante, a mostra funcionou como um manifesto de “não pureza conceitual”. Sob o signo da mistura, lançou um olhar abrangente sobre a cultura visual brasileira, demarcando um modo de atuação que Herkenhoff e Diniz levariam para seu projeto curatorial em processo hoje no Museu de Arte do Rio. “Chega de ArMário de Andrade, chega de homofobia tipo grupo dos gabinetes de arte dos anos 1970, 1980 e 1990. Chega de ditaduras. Chega de Bolsonaro e Crivella da arte. O buraco é mais embaixo (…)”, anuncia o texto curatorial.

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