Adeus, Bauman

O sociólogo, famoso pelo conceito da modernidade líquida, morreu aos 91 anos em Leeds

Ana Abril
Zygmunt Bauman fumando seu característico cachimbo (Foto: Reprodução)
Zygmunt Bauman fumando seu característico cachimbo (Foto: Reprodução)

Com textos de acessível compreensão, Zygmunt Bauman pretendia chegar a todos, inclusive àqueles considerados leigos. Bauman foi um pensador que sempre se mostrou como um simples mortal e, como tal, morreu em 09/1, aos 91 anos, em sua residência em Leeds. Antes de se instalar na cidade britânica, o polonês se exilou na Rússia devido à invasão nazista, fugiu da Polônia por causa da perseguição antissemita do governo comunista e imigrou para Israel, lugar que depois abandonou por considerá-lo um estado nacionalista. Bauman lecionou na Universidade de Leeds durante mais de 40 anos, mas foi após deixar a carreira acadêmica que escreveu Modernidade Líquida (2010), o livro que o converteu em uma celebridade.

Para Bauman, a “liquidez” (falta de estabilidade e solidez) afetava a todos e em diversos âmbitos: a sociedade, a vida, o tempo e até a arte contemporânea. Ele comparava a carreira artística com a carreira espetacular, como se fosse um evento com tempo limitado e com o único objetivo de criar marcas. “O conteúdo é um lampejo, uma visão fugidia”, dizia Bauman.

As redes sociais, constante objeto de suas críticas, agora lamentam sua morte e elogiam seus livros (ele chegou a escrever até 3 em apenas um ano), conferências e entrevistas. “A diferença entre a comunidade e a rede é que você pertence à comunidade, mas a rede pertence a você. É possível adicionar e deletar amigos, e controlar as pessoas com quem você se relaciona”, afirmava Bauman. Ele criticou qualquer “ativismo de sofá” e compreendia e se interessava pelos movimentos de indignados, como o 15-M espanhol e o Occupy Wall Street, ao mesmo tempo que apontava suas debilidades.

Dizemos adeus ao sociólogo e filósofo mais pop do século XX, mas ficam seus mais de 50 livros e suas longas e articuladas respostas em entrevistas e conferências, que poderiam dar outras 50 publicações mais.
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