Arte como necessidade vital

Exposição homenageia Mario Pedrosa por meio de 200 trabalhos de 41 artistas que refletem as preocupações artísticas do crítico de arte

Ana Abril
Vista de uma sala da exposição Da Natureza Afetiva da Forma (Foto: Joaquín Cortés/ Román Lores. Arquivo Fotográfico do Museu Nacional Reina Sofía)
Vista de uma sala da exposição Da Natureza Afetiva da Forma (Foto: Joaquín Cortés/ Román Lores. Arquivo Fotográfico do Museu Nacional Reina Sofía)

Político e crítico de arte, defensor da autonomia de ambas as áreas, Mario Pedrosa foi um indivíduo sui generis. Em seu currículo intercalam-se eventos tão importantes e diversos como a participação na fundação do Partido dos Trabalhadores (PT) ou a colaboração em jornais como Correio da Manhã ou Jornal do Brasil. Apesar de ser considerado uns dos principais pensadores latinoamericanos do século XX, Pedrosa é uma figura pouco conhecida na Espanha. Agora, os visitantes do museu madrilenho Reina Sofía têm a possibilidade de saber mais graças à exposição em sua homenagem, Da Natureza Afetiva da Forma.

Os trabalhos de Amilcar de Castro, Emiliano Di Cavalcanti, Lygia Clark, Cícero Dias, Millôr Fernandes, Alberto da Veiga Guignard, Djanira, Abraham Palatnik, Lygia Pape, Candido Portinari, Mira Schendel, Giorgio Morandi e Alfredo Volpi, entre outros, integram a exposição que reúne 200 obras de 41 artistas. A complexidade e a pluralidade de movimentos, temas e artistas é uma consequência do pensamento artístico de Mario Pedrosa, baseado no análise da psicologia da forma.

  • Café, de Candido Portinari (Fotos galeria: Divulgação)
    Café, de Candido Portinari (Fotos galeria: Divulgação)
  • Natureza Morta, de Giorgio Morandi
    Natureza Morta, de Giorgio Morandi
  • Recordatório de Karl Liebnecht, de Käthe Kollwitz
    Recordatório de Karl Liebnecht, de Käthe Kollwitz

O crítico de arte considerava a arte uma “necessidade vital” de comunicação: o artista procura e encontra uma linguagem formal para se expressar e o espectador recebe e processa essa informação. Por essa razão, Mario Pedrosa dispensa preconceitos em relação a quem podia ou não fazer arte. Seu interesse pela psicologia visual levou o artista a conhecer o trabalho de pacientes de um hospital psiquiátrico carioca, com os quais estabeleceu uma forte e longa relação, ajudando-lhes, inclusive, a realizar exposições no MAM-RJ.

A mostra, com curadoria de Gabriel Pérez-Barreiro e Michelle Sommer, é uma ocasião única para percorrer os núcleos de preocupações artísticas que foram abordadas por Mario Pedrosa em sua produção intelectual, por meio do trabalho de diversos artistas brasileiros e internacionais.

Serviço
Da Natureza Afetiva da Forma
Museo Nacional Reina Sofía
Calle de Santa Isabel, 52 – Madrid (Espanha)
Até 16/10
www.museoreinasofia.es

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