Postado no dia 17 de Fevereiro de 2012 - 17h44m


Abadá, um flagelo sociológico

No carnaval de Salvador, só quem pode sacode

Texto: Angélica de Moraes • PÁGINA 1 de 2

Camarotes e abadás passam um cordão de isolamento nas utopias do carnaval

Abada

Legenda: No carnaval de Salvador, só quem pode sacode. (Foto: Adenilson Nunes/LatinContent/Getty Images)

Em clima de carnaval, Delete põe som na caixa e samba no pé. Nosso enredo desta edição é inspirado em Plataforma, de autoria do compositor mineiro João Bosco. Ele reivindica:

Não põe corda no meu bloco
Nem vem com teu carro-chefe
Não dá ordem ao pessoal
Não traz lema nem divisa,
Que a gente não precisa
Que organizem nosso carnaval

O carnaval mudou de dono. A tal “maior festa popular do planeta” tirou o povo da frente, passou um cordão de isolamento para deixar bem clara essa história de elite e colocou seguranças parrudos a vigiar o cercadinho vip que segue os carros de som dos blocos. Tudo para atender os diferenciados portadores de abadás.

Essa curiosa roupa/ passaporte é vendida a preços extorsivos que esclarecem a quem se destinam. O carnaval baiano pratica as cotações mais altas no circuito Dodô (Barra-Ondina). Segundo os sites Abadá Web e Meu Abadá, o preço para pular o sábado de folia no bloco Nana Banana, do grupo Timbalada, liderado por Carlinhos Brown, chega a R$ 750. O preço mais módico é do Araketu: R$ 150. Pela média, o extenso festejo baiano (uma semana) custa R$ 3 mil só no item abadá. Haja fôlego financeiro e pulmonar.