Postado no dia 3 de Agosto de 2012 - 16h26m
Atualizado no dia 18 de Agosto de 2012 - 6h41m

Mindscapes Solo

Fernando Velázquez exibe as paisagens da imaginação em individual na Zipper Galeria, a partir deste sábado

Texto: Mariel Zasso • PÁGINA 1 de 2

Fernando Velázquez apresenta primeira individual na Zipper Galeria até 1 de setembro

Callout_velazquez

Legenda: A performance audiovisual faz parte da série Mindscapes (2011 - 2012), de Fernando Velázquez

Duas obras inéditas são a grande atração da primeira individual de Fernando Velázquez na Zipper Galeria: uma instalação interativa e uma peça em neon. Junto com vídeos, obras impressas em metacrilato ("acrílico") e uma performance audiovisual, elas formam a série Mindscapes, que o artista uruguaio radicado em São Paulo desenvolve desde 2010, e na qual explora a ideia de paisagens relacionadas à atividade cerebral.

No site do artista, é uma citação de Oliver Sacks que introduz a série: “Vemos com os olhos, mas também vemos com o cérebro, e ver com o cérebro é o que comumente chamamos de imaginação. Estamos familiarizados com as paisagens da nossa imaginação, nossos inscapes, vivemos com eles por toda a vida”... Através do uso de algoritmos de programação personalizados, Velazquez especula processos, fluxos e relacionamentos entre os diversos dispositivos e sistemas que nos conformam, e influenciam o modo como percebemos o mundo, construímos o conhecimento e articulamos memórias.

A Zipper Galeria teve sua sala principal levada ao blackout para receber a instalação interativa, que apresenta um objeto 3D se formando em tempo real a partir da interação com o som ambiente, e dos movimentos do público, captados através de um sensor infravermelho. Assim, o expectador também participa da criação da obra.

Já a peça em neon, apresentada num espaço de transição ao salão principal, traz a palavra “saudade” e sua difícil tradução a outros idiomas como proposta de um paradigma de um mapa mental que remete tanto ao tempo passado como ao presente e ao futuro. Velazquez provoca com ela uma reflexão sobre a forma como adquirimos experiência e conhecimento amparada nas recentes descobertas da neurociência que entendem a memória como um território em constante modificação.