Postado no dia 23 de Junho de 2012 - 11h41m
Atualizado no dia 28 de Junho de 2012 - 21h37m

20 mil léguas fictícias

O mundo misteriosos dos oceanos na ficção científica

Texto: Nina Gazire • PÁGINA 4 de 5

Em The Drowned World (Mundo Inundado), escrito por J.G. Ballard em 1962, os continentes norte-americano e europeu submergem depois do derretimento das calotas polares. A história tem como protagonista o biólogo Dr. Robert Kerans, que luta contra as hostilidades ambientais causadas pela catástrofe climática. Gêneros mais recentes como Steampunk – cujas obras são retratadas de acordo com a estética vitoriana dos tempos da Revolução Industrial britânica – também têm se dedicado a realizar uma produção que esteja concatenada com as causas ambientais. “A ideia é levar a sério o bordão punk do ‘faça você mesmo’ e buscar soluções para os problemas ambientais”, explica o catarinense Romeu Martins, jornalista e escritor do gênero Steampunk.

O escritor britânico Alastair Reynolds, autor da série Revelation Space, abandonou suas histórias transcorridas em planetas longínquos para publicar a trilogia Poseidon’s Children (Crianças de Poseidon), em 2012. No primeiro livro da série, Remembered Blue Earth (Terra Azul Relembrada), o autor descreve um futuro utópico em que o continente africano surge como uma rica potência política e tecnológica. Questões como o meio ambiente e a influência dos negócios de uma rica família queniana e a indústria de exploração da água não ficam de fora. “Acho provinciano quando especialistas dizem que a África nunca será um continente desenvolvido. O título da série Poseidon’s Children, que se refere ao deus dos mares na mitologia grega, fala justamente sobre essa capacidade que os africanos têm de sobreviver às secas, inundações e tempestades”, explica Reynolds em entrevista à seLecT. Com previsões improváveis ou não, seu exemplo é uma contrapartida para um campo da literatura que durante muito tempo se contaminou com teorias pessimistas e menosprezou a importância da água para a espécie humana. Sem ela não chegaríamos nem na estratosfera.

*Publicado originalmente na edição impressa #5. Colaborou Fábio Fernandes.

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