Postado no dia 7 de Julho de 2012 - 21h46m
Atualizado no dia 7 de Julho de 2012 - 21h57m

A arte pode salvar o mundo?

seLecT reuniu as opiniões de três protagonistas na construção do pensamento artístico no Brasil, atuantes nas dimensões da investigação teórica ou prática.

Texto: Juliana Monachesi • PÁGINA 1 de 5

O cientista social Miguel Chaia, a dupla de artistas Dias&Riedweg e o filósofo Nelson Brissac ponderam sobre a arte socialmente engajada e os encadeamentos possíveis entre arte e crise ambiental

Arte_salva

Para investigar se a arte pode mudar o mundo ou até transformar o planeta, como defendem os artistas que trabalham na interseção entre arte e ecologia, seLecT reuniu as opiniões de três protagonistas na construção do pensamento artístico no Brasil, atuantes nas dimensões da investigação teórica ou prática.

Um deles é o cientista social e professor da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP Miguel Chaia, pesquisador da dimensão política da arte. Também falamos com a dupla Mauricio Dias e Walter Riedweg, que acaba de realizar a videoinstalação Cold Stories & Glory Holes, na qual relacionam os anos da Guerra Fria com o problema mais recente do aquecimento global.

Ouvimos ainda o filósofo Nelson Brissac, criador e coordenador do projeto Arte/Cidade, pioneira intervenção curatorial em larga escala no ambiente urbano e autor de Paisagens Críticas: Robert Smithson – Arte, Ciência e Indústria (2011).

No Brasil vimos recentemente mostras como Ecológica (2010), Água na Oca (2010) e Intempéries - o fim do tempo (2009), que abordarama crise ambiental desde vários pontos de vista. Revistas estrangeiras como Artnews e Artreview vêm dedicando ampla cobertura a exposições em torno de questões ambientais. A natureza está na moda?

Miguel Chaia A natureza instiga os artistas. Na história da arte, ela marca presença significativa a partir do Renascimento, quando a pessoa humanizada, o indivíduo, toma o lugar da figura divinizada nas pinturas. Com isso, o entorno do ser humano ganha maior significação. Abordar a natureza foi uma conquista, um giro revolucionário, propiciado pelo humanismo que também afeta as artes. A partir de então, a natureza sempre se manteve como campo de interesse de vários artistas, modificando-se apenas a interpretação cultural dessa dimensão da vida.