Postado no dia 7 de Junho de 2012 - 21h10m
Atualizado no dia 7 de Junho de 2012 - 21h53m

Passinho do menor

A potente conexão entre território, jovens e cultura digital cria novas possibilidades de existência em favelas cariocas

Texto: Marcus Vinícius Faustini • PÁGINA 1 de 2

Mochilas falantes e bonés com caixas de som invadem performaticamente esquinas e recreios. É a conquista do território pela linguagem

Favela

Legenda: A potente conexão entre território, jovens e cultura digital em algumas favelas cariocas traz um vento que abre brechas e forja novos movimentos do pensamento, expressão e possibilidades de existência (Foto: Bruno Itan)

Nos estudos culturais e representações estéticas sobre favelas, frequentemente esta é vista sob o ponto de vista de "o outro lado do mundo, aquela que não faz parte da cidade, aquele lugar carente, mas de pureza fundante da civilização, com combinação explosiva de caos e alegria". Ou até mesmo como “um lugar que não se relaciona com os melhores atravessamentos do mundo contemporâneo, porém folclórico e ao qual devemos levar processos civilizatórios”. 

Apesar de esse núcleo duro de pensamento ter virado senso comum até mesmo nas rodas de bar mais esclarecidas, um delicado atravessamento vem inventando um novo lugar que pode embaralhar as visões. A potente conexão entre território, jovens e cultura digital em algumas favelas cariocas traz um vento que abre brechas e forja novos movimentos do pensamento, expressão e possibilidades de existência.

Num primeiro momento, as lan houses, com seus games e possibilidade de acesso ao Orkut, dispararam capacidades expressivas desses jovens em avatares e leituras visuais com montagens de fotos. Entretanto, a intimidade desses sujeitos com as máquinas expressivas da cultura digital vai além e tem produzido potência estética em diversas operações de espaço/tempo que eram vistas apenas como identidades de um modo fixo de viver.

Um bom exemplo disso é o Passinho do Menor. Os jovens filmam suas danças na rua, corredores, quintais, na frente das lans e colocam os vídeos no YouTube, onde recebem acessos expressivos. Misturando frevo com funk, os pequenos vídeos desorganizam a ideia de centro do discurso imagético. Ali temos, ao mesmo tempo, intervenção no território, videodança, apropriação tecnológica e diversas outras categorias que asseguram atualidade diante dos arautos da distinção.