Postado no dia 28 de Novembro de 2011 - 16h28m
Atualizado no dia 28 de Novembro de 2011 - 17h28m

Rumo ao Sul

Artistas saem em busca de suas visões do paraíso

Texto: Juliana Monachesi • PÁGINA 1 de 5

Ashley Bickerton, Kenny Scharf, Peter Doig, Melanie Smith e Not Vital trocaram os EUA e a Europa por cantos exóticos mais ao sul

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Yellow Canoe (2006), de Ashley Bickerton, acrílica e impressão digital sobre tela em moldura de madeira entalhada e incrustrada (foto: cortesia do artista e da galeria Lehmann Maupin, Nova York)

Existe uma arte do Sul? O que é o Sul? É uma divisão geográfica (América Latina, África do Sul, Sudeste Asiático e Oceania), um recorte geopolítico (países em desenvolvimento) ou uma condição térmica (regiões próximas da linha do Equador)? O que mais interessa a seLecT é averiguar se, afinal, existe um Sul da arte, algo como aquilo que Gauguin foi buscar no Taiti para revitalizar sua arte, atrofiada pelo cânone parisiense fin de siècle. Para responder a essa questão, ouvimos artistas de origem europeia e norte-americana sobre a opção de vida que fizeram ao trocar seus nativos Antilhas, Estados Unidos, Escócia, Reino Unido e Suíça por locais mais ou menos exóticos no Hemisfério Sul (ou próximo dele).

Um homem azul que ora está alucinado sozinho em um bar sombrio, ora está abraçado a uma mulher grávida envolto em um halo de bem-estar doméstico. Ele sempre veste uma camiseta listrada de vermelho e branco, alusão a Picasso. Presença constante na obra do artista Ashley Bickerton há pelo menos 15 anos, o homem azul havia desaparecido no fim da década passada. “Eu me livrei dele, mas aí ele voltou gordo (na exposição que fez este ano, na galeria Lehmann Maupin, de Nova York)”, afirma em entrevista à seLecT.

Arrumou um novo personagem para interpretá-lo. “Era sempre eu quem interpretava o blue man, porque eu cobro pouco, estou sempre disponível e faço exatamente o que eu mando. É uma questão de conveniência, mas de fato eu havia me livrado dele e, de algum jeito, ele acabou retornando. Eu consegui um cara de 200 quilos que vive aqui em Bali, um amigo louco, um surfista que não pode mais surfar. Ele é um maníaco, portanto, cabe perfeitamente no papel.”