Postado no dia 5 de Julho de 2012 - 22h59m
Atualizado no dia 6 de Julho de 2012 - 13h47m

Tormenta eletrônica

Em sua primeira mostra solo em galeria comercial, o artista transforma o ambiente expositivo

Texto: Juliana Monachesi • PÁGINA 1 de 2

Debruçado sobre o abismo, luiz duVa encara tempestades de frente, expostas atualmente em individual na galeria Pilar

Duva-grid

Legenda: Detalhe da instalação Tormenta Azul Brilhante, de luiz duVa

O artista luiz duVa foi premiado em 2008 no programa Artist Links England and Brazil - do British Council do Brasil e do Arts Council England. O prêmio era uma residência artística na Inglaterra, na cidade litorânea onde fica o Plymouth Arts Centre. Lá, o artista se deparou com um clima dado a tempestades que o levou a decidir centrar a pesquisa no local exatamente nas tormentas típicas da região. 

Em 2010, outra premiação, desta vez no programa Rumos Itaú Cultural Cinema e Vídeo, permitiu que ele editasse e finalizasse os filmes realizados na residência. Apesar de já ter apresentado partes deste trabalho em performances de live-images e em formato de instalação, em 2010, na mostra Tékne - Dos Multimeios à Arte Digital (no Museu de Arte Brasileira da Faap), o conjunto completo que resultou desta instigante pesquisa é exibido pela primeira vez atualmente na galeria Pilar, no bairro paulistano de Santa Cecília.

Foram cinco expedições aos cliffs, situados entre o oceano Atlântico e o canal da Mancha, em busca de tempestades. Ali, duVa se colocava literalmente à beira do abismo, aguardando a chuva e as fortes ventanias. "Eu ficava esperando a tempestade chegar, vendo aquela bruma se adensar, e me dei conta de que estava diante do desconhecido, exatamente como os peregrinos que passaram por aquela região em 1620", conta o artista, que sabia a localização exata da tormenta por meio das previsões do tempo. 

Na instalação Tormenta Azul Brilhante, apresentada na primeira sala da galeria, luiz duVa conta que procurou recuperar e transmitir ao visitante o sentimento de tensão que vivenciou em Plymouth. A edição das imagens, somada à espacialização do som e ao posicionamento estratégico dos equipamentos de projeção e áudio na sala, faz com que o espectador vivencie de fato uma experiência física e sinestésica da obra.

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