Torto e Direito: entrevista com Eduardo Longo
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Entrevista com o arquiteto Eduardo Longo, autor do projeto Casa Bola em São Paulo
Formas orgânicas dominam os projetos de design e arquitetura. Sinal de tempos que mudam e da tecnologia que avança. Quatro arquiteos – Marcio Kogan, Eduardo Longo, Anna Dietzsch e Guillaume Sibaud – Revelam o que pensam das linhas tortas e retas.
Por Marlia Scalzo
Eduardo Longo, nome que vem sempre acompanhado dos adjetivos visionário e não convencional. Autor do projeto da Casa Bola, em São Paulo, nos anos 1970, o arquiteto se autointitula um neomodernista bem-humorado.
O homem está dando mais valor ao seu lado torto ou o homem entortou?
De fato, a arquitetura torta tem feito sucesso. Algumas dessas propostas de arquitetura espetáculo são, a meu ver, monumentos ao desperdício irresponsável, ainda que, algumas vezes, belos.
Por que você acha que isso acontece?
Talvez pela convergência de diversos fatores: computação, consumismo, exibicionismo, ampliação do turismo, tédio, liberdade. As peças retas começaram a se render ao cansaço lá pelos anos 70; o racionalismo do less is more, do international style, o funcionalismo da máquina de morar, a austeridade dos projetos e a ausência de ornamentos foram dando lugar ao pós-modernismo, com suas marcantes referências ao classicismo e à fantasia, numa concessão ao humor e à libertação dos cânones do modernismo. Paralelamente, desenhos desconstrutivistas iam surgindo, relegando modulação, prumo e nível em busca do inusitado. Hoje, nota-se que há espaço para todas as tendências; do neorracionalismo dominado pelo ortogonal às elucubrações, que são temas desta matéria.
Em que lugar desse processo você se enquadra?
