Racismo em Português – Cabo Verde

Nem africanos, nem europeus, cabo-verdianos revelam sua confusão identitária em reportagem de Joana Gorjão e Frederico Batista

Luana Fortes
O sociólogo Redy Wilson, ao centro (Foto: Diogo Bento)

Cabo Verde é, teoricamente, um país africano. Mas por ser um arquipélago constituído por dez ilhas vulcânicas, a sua relação com a África é turva e complexa. É isso que mostra a reportagem Ser Africano em Cabo Verde É um Tabu, terceiro capítulo da série de reportagens Racismo em Português, com texto de Joana Gorjão Henriques, vídeo de Frederico Batista e fotografia de Diogo Bento. Ex-colônia portuguesa, Cabo Verde teve um relacionamento diferenciado com sua metrópole. Alguns dizem até mais branda. Fizeram parte da administração colonial de Guiné-Bissau, estão mais próximos de Portugal e foram reconhecidos em 1947 como cidadãos, apesar de terem feito trabalho forçado em São Tomé e Príncipe até quase a independência.

Para António Leão Correia e Silva, historiador e ministro do Ensino Superior, Ciência e Inovação, a sociedade cabo-verdiana é crioula mas heterogênea. “Às vezes, olhando da África continental, eles acham que Cabo Verde é demasiadamente euro-atlântico para ser África; olhando de uma Europa, é demasiadamente negro-africano para ser Europa”, disse aos jornalistas.

 

Mas resta questionar com o que alguém nascido em Cabo Verde se identifica. África? Europa? Relatos coletados por Gorjão e Batista revelam vontades antagônicas no país insular. Ao ser perguntado sobre como se sente em relação à sua identidade, o sociólogo Redy Wilson afirmou: “Como todo o cabo-verdiano, eu digo: sou cabo-verdiano. Aí está a ambiguidade. E o interesse nisso é que dizer ‘cabo-verdiano’ é negar África. Aprendemos que somos cabo-verdianos. Cresci com isso”. No entanto, quando Wilson vai até a Europa, percebe que não é visto como cabo-verdiano, mas instantaneamente como africano. “Quando te categorizam como africano, percebes que não tens nada de especial”, completou.

Diante dessa dicotomia, a identidade cabo-verdiana apresenta-se também como paradoxal. Há quem valorize o que é ocidental em seus costumes e tradições e há quem busque reafirmar a africanidade de Cabo-Verde. Este último é o caso de Jorge Andrade. “Se África é uma religião, eu sou um pastor”, proferiu. Ele se dedica a contar sobre a história do país antes do colonialismo. “(…) Cabo Verde fala da sua identidade a partir da chegada dos europeus. Como é que um povo pode construir a sua história num acto de degeneração?”, questionou. “Nunca um cabo-verdiano se pode sentir livre quando a sua História começa com a escravatura (…)”, completou.

Para conferir a reportagem completa, clique aqui.

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