Cada mostra, um novo olhar

Exposição Imagem Sitiada, na Oficina Cultural Oswald de Andrade, mostra mudanças na produção de Diego Castro

Luana Fortes

Publicado em: 10/02/2017

Categoria: Da Hora

Parte do trabalho Inferno no Cárcere, feito especialmente para a exposição (Foto: Cortesia do artista)

Para quem acompanha o trabalho do artista Diego Castro, sua nova individual será uma boa surpresa. Se antes eram usados registros fotojornalísticos veiculados na mídia como base para sua produção, eles agora ganharam nova importância. Em Imagem Sitiada, é possível o contato com os documentos que antes apenas apareciam no seu processo criativo.

Há mais de dez anos que Diego trabalha com esse tipo de apropriação, mas só agora temos acesso às próprias imagens em um contexto expositivo. E, dessa forma, como afirma Juliana Monachesi, curadora da exposição, “aquilo que antes aparecia como uma referência difusa a algum tipo de embate de forças ou de violência, e podia apenas ser intuído, ganha contundência”.

Parte do trabalho Inferno no Cárcere, feito especialmente para a exposição (Foto: Cortesia do artista)

Parte do trabalho Inferno no Cárcere, feito especialmente para a exposição (Foto: Cortesia do artista)

O principal foco da mostra é Inferno no Cárcere, realizado especialmente para a ocasião. Composto por seis painéis com pinturas, colagens e quadros de recorte, o trabalho trata das recentes rebeliões em presídios brasileiros. Tem, inclusive, seu título emprestado de uma chamada jornalística a respeito do assunto. “Dessa vez, além de fotos, estou me apropriando de textos, de títulos, da própria diagramação dos jornais, de gráficos e outras modalidades do que se convencionou a chamar de informação”, revela à seLecT, Castro.

Pensando nisso, o que continua presente em sua produção é a pesquisa sobre como meios de comunicação exploram conflitos. O artista busca encontrar maneiras de ressignificar acontecimentos e imagens que têm sua difusão limitada pelo dinamismo da contemporaneidade. Dessa forma, expande o alcance e prolonga a duração de fatos importantes demais para serem esquecidos. Castro acredita que as fotografias que escolhe “são imagens que não podem ser descartadas, que precisamos reter”. E a cada nova exposição, elas tem a chance de serem testemunhadas por novos olhares.

Série Carandiru (2016), revisitada para a realização de Inferno no Cárcere após a anulação dos julgamentos de 74 polícias condenados pelo massacre. (Foto: Cortesia do artista)

Série Carandiru (2016), revisitada para a realização de Inferno no Cárcere após a anulação dos julgamentos de 74 polícias condenados pelo massacre. (Foto: Cortesia do artista)

Serviço
Imagem Sitiada, de Diego Castro
Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363 – Bom Retiro – São Paulo
De 13/2 até 8/4
www.oficinasculturais.org.br/oswald-de-andrade

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