Cinco séculos de gravura

Mostra na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos, apresenta cerca de cem gravuras de mestres europeus

Felipe Stoffa
Cristo Carregando Cruz (1475), de Martin Schongauer (Foto: Iara Venanzi)

Construído em 1900 pelo alemão Anton Carl Dick, o Casarão Branco, mansão que ocupa terreno de 6 mil metros quadrados na baixada santista, já foi residência de barões dos tempos áureos do café e sede do Asilo dos Inválidos. Desde 2012, é tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Santos (Condepasa), onde se encontra a Pinacoteca Benedicto Calixto, que abriga o acervo permanente de cerca de 60 peças do pintor brasileiro.

Ultimate Ballade, s/d, de Henri de Toulouse-Lautrec (Foto: Iara Venanzi)

Ultimate Ballade, s/d, de Henri de Toulouse-Lautrec (Foto: Iara Venanzi)

Este suntuoso imóvel agora leva o público a um passeio pelo tempo a partir da exposição Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural, com curadoria assinada por Marcos Moraes. São cerca de 100 obras realizadas entre os séculos XV e XIX na Europa, produzidas por artistas como Edouard Manet, Eugène Delacroix, Francisco Goya, Henri de Toulouse-Lautrec e Rembrandt van Rijn. Encontram-se presentes também obras do alemão Martin Schongauer, um dos primeiros gravuristas que se tem notícia e autor do trabalho mais antigo da mostra, Cristo Carregando Cruz, realizado em torno de 1475.

Le Forgeron (1833), de Eugène Delacroix (Foto: Iara Venanzi)

Le Forgeron (1833), de Eugène Delacroix (Foto: Iara Venanzi)

De forma didática, a exposição se organiza a partir de distintos núcleos, em que cada um representa um século de produção. As técnicas utilizadas pelos artistas para realizarem suas gravuras, que variam entre metal, litografia e xilogravura, são organizadas e apresentadas por verbetes, para que os visitantes possam reconhecer as diferenças de cada impressão. Vale destaque para as ilustrações do francês Gustave Doré que estamparam a primeira edição do livro A Divina Comédia, de Dante Alighieri; além de uma charge original de Honoré-Victorien Daumier, um dos maiores caricaturistas da vida política e social francesa do século XIX, produzida para o impresso Le Charivari.

Esse vasto acervo – parte do total de 13 mil peças do Itaú Cultural -, além de dialogar com o edifício que abriga a mostra, transmite cinco séculos de produção gráfica do continente europeu, chegando até o momento em que a gravura ganha autonomia e passa a ser produção ativa dos artistas do século XIX.

La Fiancée d'Abydos (1823), de Theodore Gericault (Foto: Iara Venanzi)

La Fiancée d’Abydos (1823), de Theodore Gericault (Foto: Iara Venanzi)

Serviço
Imagens Impressas: um Percurso Histórico pelas Gravuras da Coleção Itaú Cultural
Fundação Pinacoteca Benedito Calixto
Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Santos
Até 5/3/2017

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