Crise e criatividade

Três anos após lançar a edição dedicada ao Mercado de Arte, seLecT retoma o assunto na edição 34

Paula Alzugaray
Moedas de 1 Irreal, trabalho de André Parente (Foto: Ricardo van Steen)

Há três anos dedicamos uma edição ao mercado de arte. Dadas as intensas transformações políticas, sociais e econômicas vividas desde então, decidimos que já era hora de voltar ao tema. Daquela vez, olhamos o mercado desde o cume de um crescimento econômico galgado ao longo de dez anos. Desta vez, falar em fundo do poço talvez não seja exagero. Estamos posicionados desde o ponto de vista da derrocada do PIB, do poder de compra e de 30% do faturamento das feiras e das galerias – estimativa de importantes players entrevistados em reportagem de Márion Strecker.

Esta é a hora de rimar crise e criatividade. Deixar surgirem as “ideias fora da caixa”, como sugere Ricardo Kugelmas, diretor do recém-inaugurado espaço auroras, em SP. Fazer brotarem novos modelos de negócios, como o espaço Z42, ou novos espaços dirigidos por artistas.

Fundamental apontar como a sobrevivência de um sistema ativo de galerias e de um circuito alternativo de arte é determinante para o estabelecimento de expressivas coleções de arte contemporânea. A exemplo do que aconteceu com as coleções de arte moderna no século 20, como explica Ana Magalhães em seu artigo “Da galeria ao museu”, galeristas e colecionadores de hoje podem garantir os acervos dos museus de amanhã. Mesmo que eles tenham de nadar contra a corrente da maior taxa de imposto sobre obras de arte do mundo e contra a ausência de políticas públicas de fomento à formação de coleções. Lamentavelmente, no Brasil, o colecionismo ainda é mais associado à pratica de caixa 2 do que à constituição de valor e patrimônio cultural.

Assim como os agentes entrevistados na edição #34 fazem sua parte para garantir às futuras gerações um patrimônio artístico digno de nosso País, uma revista cultural como seLecT tem nessa engrenagem a missão de produzir documentação e reflexão. Com o importante impulso de nossos patrocinadores, anunciantes e parceiros, nos desdobramos hoje em uma base multiplataforma. Somos revista, somos seLecTV, e somos casa seLecT. Conheça o projeto e a programação completa da casa seLecT em: www.select.art.br/casa-select

Cientes de nosso papel de mediação e democratização da arte, damos mais um passo no projeto Edição de Artista, convidando a artista Rivane Neuenschwander a conceber um trabalho especialmente para nossos leitores. A partir de O Nome do Medo, projeto com curadoria de Lisette Lagnado, no Museu de Arte do Rio, Rivane desenvolveu um díptico: metade da tiragem da revista traz o menino Thiago Bruner vestindo a capa Mosquito da Dengue e a outra metade o mostra vestindo a capa Monstro/Estranho.

Artigo anterior:
Próximo artigo:

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicações Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.