Do Google-dadá à inteligência coletiva

Crédito: Paula Alzugaray

Publicado em: 12/02/2012

Categoria: Editorial, seLecT#04

A infantilização da cultura – no que ela tem de mais fofo ou perverso, retrógrado ou vital – é o tema desta quarta edição de seLecT

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Legenda: A seLecT #4 chega às bancas dia 08 de fevereiro

Cheia de transgressão, irreverência e brincadeiras, seLecT está interessada nos significados do que é ser jovem hoje. Se, por um lado, triplicamos nosso tempo de vida em menos de cem anos (como afirma o dermatologista Otávio Macedo para a jornalista Mônica Tarantino, na seção Curto-Circuito), por outro, a sociedade nunca foi tão gugu-dadá. A infantilização da cultura – no que ela tem de mais fofo ou perverso, retrógrado ou vital – é o tema desta quarta edição de seLecT.

Por isso chamamos Tony Bellotto para nos responder por que roqueiros não envelhecem, e convocamos o crítico de arquitetura da revista The New Yorker, Paul Goldberger, para esclarecer o “efeito parque de diversões” que tomou conta das cidades e dos museus. Recorremos também a Rodrigo Savazoni para refletir sobre o papel dos recém-nascidos movimentos de ocupação na construção de uma inteligência coletiva.

Afinal, cada um de nós sente na pele o quanto a natureza humana mudou na era da informatização. Mesmo que ainda engatinhemos no que diz respeito a domínio e discernimento das novas ferramentas da cultura pós-moderna, vimos eclodir, em 2011, outro modo de fazer política, a partir das redes inteligentes. Mas também é verdade que, no estágio de exploração sensorial em que nos encontramos em relação às novas tecnologias (equivalente às fases tátil e oral dos bebês), a segurança da nossa vida digital nos é confortavelmente garantida por ambientes protegidos, cálidos e aparelhados para suprimir qualquer perigo ou conflito.

Os ícones do bem-estar na era do “capitalismo fofinho” são tema de ensaio da editora-chefe Giselle Beiguelman. As redes são abordadas também na crítica da jornalista Juliana Monachesi ao programa BBB, mostrando como o estágio gugu-dadá da televisão brasileira, seus abusos, equívocos, mediocridade e obsolescência são colocados à prova por denúncias geradas nos novos sistemas de informação.

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Página do índice da edição #4

Mas assim como a internet é um poderoso instrumento político capaz de articular e desarticular todas as dimensões da vida, ela também é suscetível a jogos de montar e desmontar. Atenta a esse fenômeno, a repórter Nina Gazire mostra como o maior site de buscas da internet virou um parque de diversões nas mãos de artistas e artivistas do mundo todo.

Várias categorias de brinquedos estão contempladas nesta edição. Inclusive o lado B do grande circo do entretenimento. A reportagem “Os idiotas contra o baixo-astral” mostra como a idiotia é uma poderosa arma de resistência contra a infantilização da cultura. O perfil da edição não poderia deixar de ser o artista contem- porâneo Takashi Murakami, que tem sua natureza ambígua – mistura de fofura e perversidade – desvendada pela editora Angélica de Moraes. E, já que até Martin Scorsese se rendeu aos encantos da tecnologia 3D para realizar seu primeiro filme para crianças, seLecT decidiu produzir em 3D o Portfólio desta edição, para satisfazer os desejos mais pueris de seus leitores.

Boa diversão!

Paula Alzugaray

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