Silencio bate recorde

Exposição de Elisa Stecca triplica número de visitantes no Museu de Arte Sacra de São Paulo

Luana Fortes
Pingente (2017), de Elisa Stecca, feito com vidro espelhado, latão e rodocrosita (Fotos: Willy Biondani)

Em uma exposição temporária comum, o Museu de Arte Sacra (MAS) receberia uma média de 2 mil visitantes no período de corriqueiros dois meses. Mas o caso de Silencio, primeira pessoa do presente do indicativo do verbo “silenciar”, da artista Elisa Stecca, aconteceu diferente. Não só a mostra foi prorrogada no segundo mês, como também teve mais de 9 mil visitações durante o tempo em que ficou em cartaz.

Com curadoria de Paula Alzugaray, diretora de redação da seLecT, a exposição teve início em 1º/4 e recém chegou ao fim. Foram expostos 30 trabalhos escultóricos, feitos com materiais como pedras semipreciosas, metais, vidros, cristais, espelhos e mercúrio líquido. Misteriosos, os objetos apresentaram uma diferente relação entre arte e público. Não se tratou da tradicional contemplação, familiar ao MAS, que abriga um acervo com antigas peças de arte sacra brasileira. No entanto, tampouco foi o caso de um convite ao toque. Diante de um objeto de Stecca, o contemplar não foi uma ação passiva, mas sim uma de estar presente no aqui e agora. 

Ampulheta (2016), de Elisa Stecca, feito com turmalina negra, quartzo rolado, latão, vidro pirex e mercúrio líquido

 

A artista ainda compartilhou ações de silêncio com o público, em que permaneceram todos quietos e juntos pelos arredores do museu. Os 9 mil visitantes que passaram pelo MAS não só tiveram a oportunidade de conhecer a mostra Silencio, como também de ver a coleção do local a partir de novos olhares. A artista estendeu a sua presença, e a do público que a acompanhava, para além da sala em que exibia seus objetos, reafirmando a contemplação como dobra temporal em seu trabalho.

Continuamente, a exposição propôs espaços de silêncio e, assim, novas relações com o tempo. Tal qual reflete Alzugaray, no texto Imantação, produzido para o catálogo de Silencio: “Ao fazer frente à escassez de tempo e à aniquilação da experiência como valores de culto da sociedade contemporânea, o projeto de Elisa Stecca recupera a duração como experiência estética”.

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