Escola Entrópica

Projeto pedagógico, coordenado por Paulo Miyada e Galciani Neves no Instituto Tomie Ohtake, busca desconstruir certezas

Paula Alzugaray
Alunos da Escola Entrópica trabalhando na obra coletiva Presépio, para a exposição de final de ano de 2015 (Foto: Janina McQuoid)
Alunos da Escola Entrópica trabalhando na obra coletiva Presépio, para a exposição de final de ano de 2015 (Foto: Janina McQuoid)

Utilizando como referência histórica as escolas de artes plásticas que Osório César e Nise da Silveira mantiveram em centros de saúde para doentes psiquiátricos nos anos 1940 e 1950, a Escola Entrópica é um projeto pedagógico que busca desconstruir certezas. Coordenada por Paulo Miyada e Galciani Neves no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, desde 2014, a escola empresta da termodinâmica, da química, da física e da geologia noções de “transformação irrefreável”. A entropia é tomada como mote para pensar espaços de ensino ligados à arte. O programa da Escola Entrópica é composto de cursos, laboratórios e grupos de estudo, e parte do pressuposto de que não há um ponto ideal a ser alcançado, mas sim dinâmicas de erosão de certezas. Assim, o objetivo é menos de formação acabada e mais de transformação constante, construção de dúvidas e impasses.

“São Paulo está repleta de espaços que oferecem aos jovens artistas estratégias de formatação profissionalizante e encaminhamento eficiente da carreira”, diz Miyada à seLecT. “Aqui, nós focamos no aprofundamento dos processos criativos dos participantes, convocando-os a perder tempo”, provoca. Além dos grupos de estudo semestrais (os alunos podem seguir em cada grupo por uma quantidade determinada de módulos e as turmas se renovam organicamente), os cursos, oficinas e laboratórios se organizam em quatro a oito encontros. O espaço central e continuado da programação são seus grupos de estudos para artistas, sempre conduzidos por uma dupla de artista e pesquisador (Pedro França e Paulo Miyada, Vitor Cesar e Galciani Neves, Lucas Bambozzi e Fernando Velázquez). O estudo estrutura-se a partir da proposição de uma série de “exercícios absurdos”, baseados nos projetos pedagógicos de Nelson Leirner. Outro modelo histórico referencial é a Black Mountain College (1933-1957), escola experimental de arte que atraiu a Nashville, Carolina do Norte (EUA), artistas como John Cage, Merce Cunningham, Willem e Elaine de Kooning e Rauschenberg. “Buscamos espaços de liberdade, onde as pessoas possam lidar com suas fragilidades, sem necessariamente superá-las”, diz Pedro França.

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