Museu à beira do oceano

Intervenção artística evoca memória e invenção em ruínas de cassino

Paula Alzugaray
Fotografia de Caio Reisewitz

Quando um decreto-lei fechou os cassinos em 1946, estima-se que tenha deixado 55 mil brasileiros desempregados. Considerando que o Brasil tinha então 41 milhões de habitantes, tratava-se de 0,13% da população do País. Foi uma devassa em nome da moral,  dos bons costumes e de uma boa dose de motivos escusos, como tudo o que vem sendo feito na administração pública nacional. Os cassinos deram lugar a novos hábitos e vícios. Mas sua noite vertiginosa, interrompida no ápice do giro das roletas e das vedetes, permanece em suspensão – ou sutil vibração – no interior escuro de edifícios abandonados.

Portas e janelas lacradas ao longo de quase quatro décadas, as ruínas do antigo Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, recebem em setembro um projeto de arte, memória, ficção e arqueologia. Com curadoria de Paula Alzugaray, editora da seLecT, e participação de 11 artistas brasileiros, A Invenção da Praia: Cassino projeta lances de iluminação tênue sobre histórias do local.

Histórias de encontros entre passado e futuro (Laercio Redondo), de luz e sombra (Laura Lima), de pedra e areia (Caio Reisewitz), de som e sereias (Chiara Banfi), de fantasmagoria (Nino Cais), de memória e afetos (Giselle Beiguelman), de ausência (Maria Laet), de mar (Katia Maciel), de pescadores (Mauricio Adinolfi), de violência (Lula Buarque de Hollanda), de exílio (Sonia Guggisberg).

Construído sobre as areias da Praia da Urca para abrigar um hotel balneário, no mesmo ano da Semana de Arte Moderna de 22, o edifício abre-se por primeira vez a uma intervenção artística e abriga a lembrança de outro episódio moderno: o Museu à Beira do Oceano, projeto não realizado de Lina Bo Bardi para a Praia de São Vicente (SP), aqui evocado como um ícone máximo da invenção.

Serviço
A Invenção da Praia: Cassino
Antigo Cassino da Urca, Istituto Europeo di Design
Rua João Luís Alves, 13 – RJ
9 a 16/9
ied.edu.br/rio

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