O cubo é branco

Estudo constata que 80,5% dos artistas representados pelas principais galerias nova-iorquinas são brancos. No Brasil, a porcentagem é maior

Ana Abril
Interior da Carpintaria, espaço da Fortes D'Aloia & Gabriel no Jockey do Rio (Foto: Cortesia da galeria)

Estudo mostra que 80,5% dos artistas representados pelas principais galerias de Nova York são brancos. A pesquisa foi realizada com dados de 2016 e 2017 por estudantes do nova-iorquino CUNY Guttman College (alternativa educativa popular para os dois primeiros anos de graduação). Para chegar nessas informações, foram analisadas 45 galerias e não houve segmentação por nacionalidades. Os números não ficam por aí. Quando o estudo se restringe exclusivamente aos estadunidenses, a cifra de artistas brancos nas top galleries sobe para 88,1%. Ou seja, em um país onde 64% da população é branca, a representatividade desse setor no universo artístico é 24% superior a sua representatividade demográfica.

Os povos originários que andaram pelas terras virgens estadunidenses, atualmente quase não pisam nos espaços de arte: só 0,1% dos nativos americanos são representados nas principais galerias. Inicialmente imigrantes, e que agora representam 16% dos estadunidenses, a população hispânica nas galerias é de 1,2%. Enquanto isso, os negros têm  5,9% de representação dentro do cubo branco, nunca melhor dito.

Percentual de artistas representados pelas principais galerias nova-iorquinas, segundo raça (Fonte: jcl@havenforthedispossessed.org)

 

O perfil dos artistas não só revela a hegemonia branca, como também a masculina: 70% dos artistas representados pelas majors são homens, segundo informações da mesma pesquisa. A íntegra do estudo está disponível em: www.havenforthedispossessed.org *

Brasil
O dado estadunidense mostra-se ainda mais assustador ao se aplicar à realidade brasileira. Em um país onde 54% da população é negra, a representação na cena artística é praticamente inexistente. Para comprovar as informações, a seLecT selecionou seis importantes galerias brasileiras, se baseando em sua presença nas feiras de arte internacionais, e contabilizou quantos artistas negros são representados por cada um desses espaços de arte. Levando em conta as informações nos sites das galerias A Gentil Carioca, Fortes D’Aloia & Gabriel, Marilia Razuk, Luisa Strina, Vermelho e Casa Triângulo, só 2,5% dos artistas representados são negros. Ou seja, dos 201 artistas representados, 196 são brancos e 5 negros.**

* Essa matéria foi baseada no texto realizado pelo Hyperallergic
** Tanto no estudo do CUNY Guttman College quanto no da seLecT, os artistas não foram entrevistados, ou seja, a pesquisa não é baseada na autoidentificação da raça, e sim na percepção dos pesquisadores

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