A outra face de Veneza

O filme Dérive Venezian, de Muntadas, chega à Galeria Luisa Strina mostrando o mistério da noite veneziana

Ana Abril
Frame de Dérive Veneziane, filme do catalã Antoni Muntadas (Foto: Divulgação)

Por trás do cartão postal da Praça de São Marcos tomada por turistas e pombos, a cidade dos canais tem uma outra face: muito mais escura, misteriosa e fantasmagórica. Os 38 minutos de vídeo de Dérive Veneziane, filme do catalã Antoni Muntadas, são prova disso: três pessoas e um cachorro são os únicos seres vivos que percorrem as ruas da cidade à noite.

Lançada no 72º Festival de Cinema de Veneza, em 2015, a peça audiovisual, que mostra um longo passeio noturno de barco, agora pode ser assistida na Galeria Luisa Strina. Conforme indica o nome, o filme deixa o espectador com uma sensação de perda e de serenidade, ou seja, à deriva, graças ao contínuo som da água. Essa era à intenção do diretor ao colocar como condição para o Festival de Veneza que a exibição fosse em um espaço público e sem assentos. Assim, as pessoas poderiam se movimentar e assistir ao filme durante o tempo que desejassem.

Dérive Veneziane foi filmada com três câmeras, em formato panorâmica, e recebe algumas frases chaves enquanto revisita as ruas da cidade pelos famosos canais. As frases, como “a deriva oferece um raro instante de puro acaso” e “um jeito de comportamento experimental”, são consideradas pelo cineasta uma “acupuntura sobre imagens”.

O projeto nasceu da intenção de Muntadas de romper com o estereótipo de Veneza, onde ele ministra aulas há 10 anos na Universidade Iuav e por cujas ruas se perdia constantemente, apesar de passar longas temporadas na cidade italiana. Além disso, o filme é influenciado pela deriva dos Situacionistas, teoria descrita pelo filósofo e cineasta Guy Debord como “um modo de comportamento experimental ligado às condições da sociedade urbana: uma técnica de passagem rápida por ambientes variados”.

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