SP-Arte na contramão

Decisão da SP-Arte por extinguir o setor dedicado às revistas de arte se contrapõe a tendência mundial e à tese de diretor da Sotheby’s

Paula Alzugaray
Espaço da SP-Arte 2016 dedicado ao setor editorial (Foto: Cortesia da SP-Arte)
  1. Na palestra de abertura do simpósio Galerias em Debate – Mudanças e Oportunidades, organizado pelo Projeto Latitude, em 27 e 28/3, São Paulo, Jonathan T. D. Neil, diretor global de desenvolvimento comercial da Sotheby’s Institute of Art, construiu uma defesa contundente – e surpreendente – da centralidade da internet e da imprensa no sistema da arte.

Neil discorreu sobre as diferenças entre as experiências 3D e 2D – aquelas que, para se realizarem pressupõem a presença física do sujeito, e aquelas que podem ser vivenciadas a partir de material impresso ou telas. O palestrante foi enfático ao afirmar que a experiência estética contemporânea independe do contato presencial. “O ponto é: eu não preciso estar lá. Eu só preciso ver isso na tela para entender o que se passa ali”, disse ele, diante da imagem de obra de Gabriel Orozco, realizada na galeria Kurimanzutto, no México.

O título da palestra – O papel das galerias no atual e futuro sistema das artes – anunciava a defesa das galerias como a engrenagem econômica e intelectual do ambiente da arte. Mas o que se revelou, de fato, foi a valorização da experiência bidimensional da arte – o mundo dos discursos e das telas –, defendido como modelo para o futuro sistema artístico mundial.

“Pense no modelo das agências. Pense nos modelos de realidade virtual que estão aparecendo. Nós não chamamos eles de ‘galerias’”, afirmou. “Temos cada vez mais artistas pensando exclusivamente para esse ambiente. Artistas são os inovadores originais. O espaço digital terá que acompanhar o que os artistas fazem”, completou.

O destaque que Neil deu ao discurso da arte – isto é, a escrita, a reflexão e o debate sobre a obra de arte – impactam diretamente sobre o papel da publicação de arte (digital ou impressa) hoje.

A opinião é nitidamente compartilhada por feiras de arte como Frieze e ARCO, na medida em que ampliam seus espaços dedicados às publicações. Há poucos anos a Frieze London e a Frieze New York criaram o Reading Room, que promove eventos de 30 minutos – entre diálogos, colóquios e mesas-redondas –, dando ao visitante a oportunidade de interagir com críticos, formadores de opinião e outros profissionais do campo da arte.

Na contramão desse movimento, a SP-Arte, que anunciou este ano a intensificação de ações fora do escopo direto comercial – especialmente a curadoria –, deliberadamente relegou a importância da experiência 2D, extinguindo o setor editorial de revistas.

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