Tocha olímpica

O fotógrafo alemão Marc Ohrem-Leclef usa Primavera Árabe e pintura de Delacroix como referências para série realizada em favelas cariocas

Camila Régis

Publicado em: 01/04/2016

Categoria: A Revista

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Foto que integra o livro Favela Olímpica, de Marc Ohrem-Leclef
Foto que integra o livro Favela Olímpica, de Marc Ohrem-Leclef

“Em 2006, acompanhei notícias da destruição de Qianmen, distrito histórico de Pequim, para os Jogos Olímpicos”, conta à seLecT o fotógrafo alemão Marc Ohrem-Leclef. “Me impressionou profundamente o fato de um evento que deveria encarnar o espírito de unidade provocar diretamente destruição de bairros históricos e remoção de milhares demoradores.” A partir desse primeiro contato com as políticas habitacionais que envolvem a preparação das Olimpíadas, Ohrem-Leclef decidiu acompanhar o processo similar que ocorreu no Rio de Janeiro.

O resultado pode ser visto no livro Favela Olímpica, que traz texto do venezuelano Luis Pérez-Oramas, curador do Departamento de Arte Latino-Americana do MoMA e ex-curador da 30ª Bienal de São Paulo. A publicação apresenta duas modalidades de retrato. Uma delas traz moradores fotografados em frente às suas casas, as quais foram designadas para remoção pela Secretaria Municipal deHabitação do Rio de Janeiro e marcadas por números pintados com tinta spray. A outra mostra os residentes com sinalizadores de emergência nas mãos, em suas comunidades de origem.

Ohrem-Leclef conta que usou imagens clássicas como referências, que variam da pintura A Liberdade Guiando oPovo (1830), de Eugène Delacroix, até registros icônicos da Primavera Árabe. “O gesto e a utilização dos sinalizadores nessas fotografias evocam ideais de libertação, independência, resistência dos moradores, protesto e crise, ao mesmo tempo que se relacionam com o símbolo principal dos Jogos Olímpicos– a tocha”, diz Ohrem-Leclef à seLecT.