Trienal de Pós-Verdades

A segunda edição de Frestas-Trienal de Artes, que acontece a partir de agosto em Sorocaba, anuncia os 58 artistas participantes

Ana Abril

Publicado em: 19/05/2017

Categoria: Da Hora, Destaque, Notícias Quentes

Trabalhos de Francesca Woodman, artista participante da segunda edição de Frestas - Trienal de Artes (Fotos: Reprodução)
Trabalhos de Francesca Woodman, artista participante da segunda edição de Frestas - Trienal de Artes (Fotos: Reprodução)

A cidade de Sorocaba carrega em seu nome o significado de “lugar da rasgadura”, traduzido do tupi-guarani. Com base nessa ideia, foi nomeada de Frestas, a Trienal de Artes que acontece na cidade localizada a 90 quilômetros de São Paulo. Com o tema Entre Pós-Verdades e Acontecimentos, a Frestas – Trienal de Artes idealizada pelo Sesc chega a sua segunda edição trazendo 58 artistas contemporâneos de 13 países diferentes. O evento acontecerá de agosto a dezembro em uma área que será construída no Sesc Sorocaba, e também em diferentes pontos da cidade do interior.

A ideia da Trienal vai além de levar as artes visuais para fora do eixo Rio-São Paulo. “Nos últimos anos, houve um movimento de bienalização em diferentes cidades do Brasil. Isso se dá pelo interesse do poder público de fazer uma reinserção geopolítica de uma localidade. A ideia da Trienal de Artes, por outro lado, é um desejo institucional do próprio Sesc Sorocaba”, diz a curadora dessa edição, Daniela Labra.

Promover o intercâmbio entre artistas locais, regionais e internacionais e estimular o estudo da arte contemporânea são os propósitos de Frestas. Além disso, o evento quer reativar a arte local, como atesta Vazio Pleno, de Maria Thereza Alves. O trabalho consiste em 15 réplicas do único vestígio indígena encontrado na cidade de Sorocaba: uma urna mortuária, exemplar pertencente ao acervo de um museu da cidade, que, aliás, não está disponível para visitação. “As réplicas da urna serão enterradas pela cidade de Sorocaba, em locais remotos, no centro da cidade e até em shoppings”, diz Labra, que tem em seu time a Yudi Rafael como curador assistente.

Temas indígenas, questões feministas e críticas sociais são alguns dos temas abordados nas últimas bienais, como a de São Paulo ou a de Veneza, e também terão aproximações na Trienal de Artes. “Essa reiteração de temas se deve a que no fim, a arte fala sobre as crises do mundo”, explica Labra. Como o nome da Trienal indica, a curadoria buscou trabalhos que questionam as duvidosas verdades dos discursos midiáticos cotidianos, agora ampliados com as redes sociais e os memes.

André Komatsu, Dias & Riedweg, Graziela Kunsch, Rivane Neuenschwander, Wanda Pimentel e Thiago Honório são alguns dos artistas nacionais participantes, enquanto a lista internacional tem nomes como Francesca Woodman, o coletivo feminista Guerrilla Girls, Héctor Zamora e Hito Steyerl, entre outros. Confira a seguir a lista completa:

André Komatsu

(São Paulo, Brasil)

Georges Rousse

(Paris, França)

Pedro França

(Rio de Janeiro, Brasil)

Angélica Freitas

(Pelotas, Brasil)

Gervane de Paula

(Cuiabá, Brasil)

Rafael Alonso

(Rio de Janeiro, Brasil)

Bruno Baptistelli

(São Paulo, Brasil/Budapeste, Hungria)

Graziela Kunsch

(São Paulo, Brasil)

Rafael RG

(São Paulo, Brasil)

Bruno Mendonça

(São Paulo, Brasil)

Guerrilla Girls

(Nova Iorque – Los Angeles, EUA)

Raul Mourão 

(Rio de Janeiro, Brasil)

Celina Portella

(Rio de Janeiro, Brasil)

Gustavo Speridião

(Rio de Janeiro, Brasil)

Reynier Leyva Novo

(Havana, Cuba)

Cleverson Salvaro

(Belo Horizonte, Brasil)

Héctor Zamora

(Cidade do México, México)

Ricardo Cástro

(Rio de Janeiro, Brasil)

Daniel Caballero

(São Paulo, Brasil)

Hito Steyerl

(Munique, Alemanha)

Rivane Neuenschwander

(Belo Horizonte, Brasil)

Daniel Escobar

(Porto Alegre, Brasil)

Irene de Andrés

(Ibiza, Espanha)

Sandra Monterroso

(Cidade de Guatemala, Guatemala)

Daniel Lie

(São Paulo, Brasil)

Letícia Ramos

(São Paulo, Brasil)

Sergio Zevallos

(Lima, Peru/ Berlim, Alemanha)

Daniel Senise

(Rio de Janeiro, Brasil)

Lina Kim

(São Paulo, Brasil/ Berlim, Alemanha)

Simone Cupello

(Rio de Janeiro, Brasil)

Daria Martin

(Londres, Grã- Bretanha)

Marcius Galán

(São Paulo, Brasil)

Susan Hiller

(Londres, Grã Bretanha)

Deborah Engel

(São Paulo, Brasil)

Maria Thereza Alves

(São Paulo, Brasil/ Berlim, Alemanha)

Teresa Margolles

(Culiacán, México)

Denis Darzacq

(Paris, França)

Marko Lulic

(Viena, Áustria)

Thiago Honório

(São Paulo, Brasil)

Diango Hernández

(Sancti Spíritus, Cuba)

Matheus Rocha-Pitta

(Tiradentes, Brasil)

Traplev

(Caçador, SC, Brasil)

Dias & Riedweg

(Rio de Janeiro, Brasil/ Lucerna, Suíça)

Michael Wesely

(Berlim, Alemanha)

Wanda Pimentel

(Rio de Janeiro, Brasil)

Edson Barrus

(Carnaubeira da Penha, PE, Brasil)

Miro Spinelli

(Nova Friburgo, RJ, Brasil)

Yara Pina

(Goiânia, Brasil)

Fabiano Marques

(São Paulo, Brasil)

NUNCA

(São Paulo, Brasil)

Yvon Chabrowski

(Berlim, Alemanha)

Fabio Noronha

(Curitiba, Brasil)

O Nome do Boi

(Várias cidades, Brasil)

Zé Carlos Garcia

(Rio de Janeiro, Brasil)

Francesca Woodman

(Denver, EUA – 1958-1981)

On Kawara

(Kariya, Japão – 1932-2014)

Gala Berger

(Villa Gesell, Argentina)

Panmela Castro

(Rio de Janeiro, Brasil)

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