Um porto para a imagem

Energético e visionário, Iatã Cannabrava projeta implementar um polo de ensino e pesquisa da imagem no Valongo santista

Luciana Pareja Norbiato
Alunos participam de workshop com o fotógrafo Marcos Piffer dentro do Valongo Festival Internacional da Imagem, uma das iniciativas de Iatã Cannabrava para a região santista (Foto: Marcos Piffer)
Alunos participam de workshop com o fotógrafo Marcos Piffer dentro do Valongo Festival Internacional da Imagem, uma das iniciativas de Iatã Cannabrava para a região santista (Foto: Marcos Piffer)

Aos 54 anos, Iatã Cannabrava parece incansável. Como se não bastasse coordenar o Estúdio Madalena, espaço na Vila Madalena (SP) que integra produtora cultural, curso de pós-graduação, exposições, workshops, livraria e editora, o fotógrafo encontrou um novo porto seguro para suas atividades – literalmente. Ele vai fundar uma extensão de sua empreitada paulistana no Valongo, bairro histórico da cidade de Santos colado ao maior porto do Brasil. “Vamos fazer uma escola do porto, dos morros e do patrimônio histórico”, conta ele à seLecT. Cannabrava já deu início aos trabalhos com a primeira edição do Valongo Festival Internacional da Imagem, em outubro deste ano.

Iatã Cannabrava (Foto: Christina Rufatto/ Itaú Cultural)

O foco do projeto é educacional: com a ajuda da expertise trazida por sua sócia Thamires Matarozzi, cuja família atua em uma universidade particular em Santos, Cannabrava quer fazer um polo de ensino da imagem e, de quebra, revitalizar a região histórica. “O Valongo é uma área estratégica de exercício simbólico de cidadania.” Já em março de 2017, o Estúdio Valongo vai abrir de dois a três cursos técnicos na área de audiovisual, entre os quais cenotecnia e instrumentação técnica. “Está na hora de levar a sério o assistente, ele é a peça fundamental em qualquer produção audiovisual”, diz o gestor. Uma pós-graduação também já está prevista, provavelmente na área de narrativas visuais. “Num mundo em que todos fotografam, quem edita é o fotógrafo.” E 2018 já promete, com a abertura de um curso de graduação. “Estamos em contato com todas as universidades santistas. A ideia é fazermos várias parcerias para que todas possam levar seus cursos ao Valongo.” E ele não esquece da população de baixa renda, que terá bolsas gratuitas, como as oferecidas no Valongo Festival: de 600 vagas nos workshops, 398 eram sem custo.

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