Anti-monumentos

Em São Paulo, Galeria Leme inaugura na próxima terça (19) exposição com obras que discutem usos da memória e da história; Cildo Meireles e Regina Parra integram a mostra

Publicado em: 14/01/2016

Categoria: Agenda, Da Hora

Frederico Filippi, Direito de Resposta, 2014 (Foto: Divulgação)

Os monumentos são construídos com a finalidade de criar uma memória coletiva em relação a determinado personagem ou fato histórico. Em sua maioria, são feitos em material durável, posicionados estrategicamente no espaço público e buscam uma construção narrativa do passado, no presente, para o futuro – uma memória forjada com base nos interesses de quem está no poder. No entanto, há uma parte da história que não ganha representação. Esfacelada em ruínas, documentos quase arqueológicos – estes anti-monumentos são o que sobra de uma história que tentou ser apagada. Se alojam na memória das pessoas, na fala, nos gestos, nos objetos, na narrativa em primeira pessoa, no testemunho – insistem em voltar.

Em cartaz na Galeria Leme a partir da próxima terça-feira (19), a exposição Totemonumento traz seu título emprestado de um controverso trabalho de Cildo Meireles realizado no contexto da ditadura militar brasileira em 1970. Tiradentes: totem-monumento ao preso político foi uma ação do artista realizada na semana em que se comemorou a Inconfidência Mineira na qual a figura de Tiradentes foi eleita como heróica pelos militares, transformando-o em um emblema nacional. O gesto fugaz de Cildo produziu um anti-monumento, que deixava em suas ruínas, a memória de um presente violento; trazia a morte como matéria e agente da história. Além de Meireles, Clara Ianni, Erica Ferrari, Frederico Filippi, Jaime Lauriano, Raphael Escobar, Regina Parra e José Carlos Martinat apresentam trabalhos na mostra se debruçam sobre a ideia de memória e história: seus usos, construções narrativas, jogos de poder e representações. Trata-se de “confrontar as representações simbólicas com as realidades que elas representam”, como disse o historiador Jacques Legoff, e lançar um olhar ao passado a partir do presente.

Serviço
Abertura: 19 de janeiro – 19h
Até 27 de fevereiro
Av. Valdemar Ferreira, 130, São Paulo
De terça à sexta, das 10h às 19h; sábados das 10h às 17h

 

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