Novo começo

Sem sede fixa desde sua criação, nos anos 1970, Paço das Artes dá adeus à Cidade Universitária e diretora da instituição, Priscila Arantes, defende que um espaço próprio é crucial para manter o museu

Camila Régis

Publicado em: 27/01/2016

Categoria: Da Hora, Entrevista

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Priscila Arantes (Foto: Reprodução)

Conhecido por ser um pólo de arte contemporânea na capital paulista, o Paço da Artes, que há 22 anos ocupa um prédio na Cidade Universitária (USP), está com destino incerto. Proprietário original das instalações do Paço, o Instituto Butatan pediu no início do ano o edifício de volta, com o objetivo de criar uma fábrica de vacinas contra a dengue. As exposições em cartaz e previstas para acontecer ainda esse semestre serão divididas entre o Museu da Imagem e do Som, regido pela mesma Organização Social que gere o espaço de arte contemporânea, e a Oficina Oswald de Andrade.

Em conversa exclusiva com a seLecT, a curadora e diretora artística do Paço das Artes, Priscila Arantes, falou sobre o episódio repentino e o futuro da instituição.

Por qual razão o Paço está saindo da sede na Cidade Universitária? O prédio foi mesmo reivindicado pelo Instituto Butantan?

Desde sua criação nos anos 1970, o Paço das Artes nunca teve uma sede própria. A primeira sede temporária da instituição foi na Avenida Paulista, onde funcionou entre 1970 e 1973. Em 1973, o Paço foi para o prédio da Pinacoteca, na Praça da Luz, onde ficou por dois anos sem funcionamento, esperando a finalização de sua sede na Avenida Europa. Lá compartilhou o edifício com o MIS entre 1975 e 1994 até mudar-se para a Cidade Universitária.

Desde 2008, quando assumi a direção artística e curadoria do Paço, existe uma demanda de devolução do prédio, que não havia se efetivado até o momento. Agora, a sede atual, localizada na av. da Universidade 1, será devolvida ao Instituto Butantan, proprietário do edifício, que está remodelando sua estrutura física para dar lugar à fábrica da vacina da dengue. Foi uma decisão entre a Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e a Secretaria de Saúde. O Paço das Artes foi apenas informado desta mudança.

Após a saída do prédio, qual será o futuro do Paço? Uma nova sede já está sendo estudada?

O futuro do Paço é incerto ainda mas está em estudo uma nova sede para a instituição. Tenho certeza de que se conseguirmos uma nova sede para o Paço será não somente uma contribuição incrível para a cidade de São Paulo mas uma oportunidade única para que o Paço das Artes possa continuar a desenvolver seu trabalho. O Paço das Artes é uma das poucas instituições que trabalham com a jovem arte contemporânea, com o risco e com o inovador, com o experimental e por isso mesmo um espaço fundamental para a área cultural.

É importante frisar que entendemos isso como algo temporário: o meu movimento tem sido no sentido de defender uma sede própria para o Paço das Artes para que possamos manter a proposta da instituição enquanto um espaço de experimentação e estímulo da arte contemporânea e continuar realizando exposições de destaque, como o Paço tem feito ao longo de seus 45 anos. Dentre elas, só para citar algumas, destacam-se as individuais de artistas internacionais como Francis Bacon, Yang Fudong, Pipilotti Rist e do fotógrafo João Pina, nacionais como Nelson Leirner, Monica Nador, Nino Cais, além das coletivas Arquivo Vivo, de minha curadoria, A queda do céu, curadorada por Moacir dos Anjos, e inúmeros talentos revelados e fortalecidos com a Temporada de Projetos.

Em 2015 a Organização Social que administra o Paço das Artes e o MIS anunciou a demissão de 18 funcionários, ação relacionada ao novo plano de ajuste fiscal do governo do estado. A saída do prédio tem alguma relação com problemas orçamentários?

A saída do Paço das Artes da Cidade Universitária não tem relação específica com os cortes orçamentários sofridos pela Organização Social em 2015, mas com a solicitação do Instituto Butantan, conforme sinalizado anteriormente.

Novas demissões estão previstas?

Esperamos que não haja mais cortes, uma vez que a equipe atual do Paço das Artes já está bastante enxuta.

Qual o futuro da programação que já estava definida?

A princípio vamos transferir temporariamente as atividades e exposições do Paço das Artes para o piso térreo do Museu da Imagem e do Som (MIS-SP) e para a Oficina Cultural Oswald de Andrade a partir de abril. Iniciativas que ajudam a revelar novos nomes da cena artística da atualidade, a Temporada de Projetos e a Residência Artística e Curatorial estão mantidas e continuarão a ser realizadas a partir de abril no MIS-SP (no dia 28/1, o Paço inaugura a Temporada de Projetos 2016 na Cidade Universitária, onde também exibe a mostra Títulos – Residência Artística Thiago Honório). Já a retrospectiva da artista Lenora de Barros, com minha curadoria, será realizada na Oficina Cultural Oswald de Andrade, no Bom Retiro, com abertura prevista para final de abril de 2016. A solução será adotada enquanto a Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo busca uma sede própria e esperamos que definitiva para o Paço das Artes.

Qual o último dia da instituição dentro da Cidade Universitária?

 Não existe ainda uma data exata, mas a princípio ficamos até o último dia de março. Até 27 de março, seguimos com as seguintes exposições na Cidade Universitária:

– Títulos, Thiago Honório, Residência Artística Paço das Artes – continua até 27/3

– Programando o visível, HarunFarocki – 28/1 a 27/3

– Temporada de Projetos 2016 – 28/1 a 27/3

A primeira edição do ano reúne os trabalhos dos artistas Alex Oliveira, Anaisa Franco e Sergio Pinzón e do curador Philipe F. Augusto.

– Impermanência, Marcia Vaistman (Sala de Vídeo) – 28/1 a 27/3

– Antigos Artefatos, Novas Interpretações, Inês Raphaelian (org.) – (Espaço do Quadrado) – 2/2 a 27/3

 

 

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