Arquitetura dos fortes

Valores e sentidos que orientaram a arquitetura de Lina Bo Bardi são expressos em textos reunidos em nova coleção

Paula Alzugaray

N° Edição: 28

Publicado em: 26/02/2016

Categoria: A Revista, Review

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Sem meias-palavras, Lina Bo fala de violência, força, liberdade, raiva, acusação e direito à vida, quando se refere ao povo e à cultura que a inspiraram a realizar sua arquitetura no Brasil. Esses termos se aplicam perfeitamente também a seis de seus mais potentes projetos arquitetônicos no País, reunidos em uma coleção de seis livros, editados com a organização de Marcelo Ferraz: a Casa deVidro, construída em 1950 e onde ela viveu até sua morte, em 1992; o Solar do Unhão, na Bahia; a Igreja do Espírito Santo do Cerrado, em Minas Gerais; o Sesc Fábrica da Pompeia; o Teatro Oficina e o Museu de Arte de SãoPaulo, que Lina dizia ter sido feito “especificamente à massa não informada, nem intelectual, nem preparada”.

Para Lina Bo, um projeto arquitetônico não era apenas um projeto técnico, mas essencialmente uma atividade de cunhos social e cultural. Esse jeito de pensar e agir da italiana radicada em São Paulo orienta também a edição dos livros, que, além de vasta iconografia de plantas e desenhos, reúne textos de naturezas distintas, que elaboram questões técnicas e programáticas. No livro dedicado ao Solar do Unhão, por exemplo, ressaltam-se desde os critérios técnicos propostos para a recuperação de um monumento do século 16 até as diretrizes conceituais da curadoria inaugural do Museu de Arte Popular do Unhão, a exposição Nordeste, que em 2016 será revisitada pela curadoria do Masp.

Entre as fotografias, as aquarelas e os desenhos praticados à mão livre, talvez o material mais precioso seja mesmo os textos de Lina, que expõem ao leitor os valores que orientaram sua vida e carreira: “Importante na minha vida foi minha viagem ao Nordeste e o trabalho que desenvolvi em todo o Polígono da Seca. Ali eu vi a liberdade. A não importância da beleza, da proporção, dessas coisas, mas a de outro sentido profundo que aprendi com a arquitetura, especialmente as arquiteturas dos fortes, ou primitivas, populares, em todo o Nordeste do Brasil”.

Lina Bo Bardi, organização Marcelo Carvalho Ferraz, Edições Sesc, Iphan, R$99, 2015

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