A dama dos pampas

Guilherme Kujawski

Publicado em: 10/12/2014

Categoria: media reader, o vídeo do dia

A artista gaúcha Fabiana Faleiros irrompe na cena nacional das artes mesclando performance, poesia e sonoridades

Legenda: Lady Incentivo – Sou Foda (I’m no good)

Muitos leitores da seLecT notaram, na curadoria Anunciantes, realizada por Ana Maria Maia, uma logomarca com a paródia da expressão “lei de incentivo”, conjunto de regras que institui políticas públicas para a cultura nacional. Lady Incentivo, composto pela artista performática Fabiana Faleiros, é o nome do CD lançado ao vivo na Mobile Radio da 30ª Bienal de São Paulo. O disco contém sete músicas, a maioria delas traduções para o português de músicas de Amy Winehouse e Donna Summer. Nesse trabalho, Fabiana se preocupa em criar um tipo de discurso rítmico não lírico, um discurso que tem quase uma toada de rap, sem ser rap.

Legenda: Lady Incentivo – Tigresa (na seca)

É uma brecha inovadora, ainda não explorada pela maioria das cantoras profissionais brasileiras. Aproveitando o momentum, Fabiana acabou de lançar uma trilogia com os vídeos que foram exibidos na V Mostra 3M de Arte Digital – Canções de Amor, que terminou dia 30 de novembro no Tomie Otahke, em São Paulo.

Legenda: Lady Incentivo – Masturbar (I Feel Love)

Interpelada pela seLecT, Fabiana explica como começou a explorar a dita brecha: Acho que meu trabalho tem essa toada de rap, talvez mais no Sou Foda. No caso, eu canto uma música que é um funk d’Os Avassaladores, que fez sucesso na internet em 2011. Canto na base instrumental da música I’m no good, da Amy Winehouse. O resultado final não é uma coisa nem outra. Gosto disso, desse deslocamento total de ritmo produzido só com a voz. É como se fosse um mashup, mas sem os recursos técnicos. Gosto de criar nomes que são outros pra minha produção. Chamo essa música de “uma tradução para o português”. Mas a referência aí é o funk, esse dig din dign din, piririm, piririm, alguém ligou pra mim vem do funk. Meu trabalho vem muito do funk, esse funk feito por mulheres que cantam em primeira pessoa, mas não exatamente desde a perspectiva de um eu lírico, mas de experiências delas mesmo. Eu venho da poesia, da poesia escrita, então essas coisas se misturam.

Conheça mais o trabalho dela em seu canal no Soundcloud.

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