A pioneira do abstracionismo

Ao contrário do que muitos pensam, a percursora da arte abstrata é uma mulher e se chama Hilma af Klint

Ana Abril

Publicado em: 13/05/2016

Categoria: Da Hora, Notícias Quentes

Instalação da obra de Hilma af Klint (Fotos: Jerry Hardman-Jones)

Uma rápida pesquisa pela internet sobre os pioneiros da arte abstrata terá como resposta os nomes de Vasili Kandinsky, Piet Mondrian e Kazimir Malevich. Porém, a história não está sempre bem escrita. Neste caso, a verdadeira percursora do abstracionismo é uma mulher: Hilma af Klint.

Umas das razões para essa desinformação talvez seja o fato de a artista ter produzido em segredo e ter permitido a exibição de suas obras somente 20 anos após sua morte, em 1944. Apenas agora, 72 anos após esta data, a Serpentine Galleries, em Londres, acolhe o trabalho da artista.

As obras da sueca não são consideradas pura abstração da cor e da forma, mas um retrato do que não é visível. Uma das coisas que mais chama atenção na história da artista é a forma como entrou no abstracionismo.

Instalação da obra de Hilma af Klint

Instalação da obra de Hilma af Klint

Af Klint estudou retrato e pintura de paisagens na Royal Academy of Fine Arts, em Estocolmo. Mas foi a partir de 1880 que começou a ter contato com o abstracionismo por motivos espirituais. Af Klint fez parte do grupo de mulheres De Fem (As Cinco), que praticavam a escritura e a pintura automáticas a partir de sessões de espiritismo. Influenciada por isso, Af Klint usava a arte como um meio de expressar a linguagem secreta da natureza e do cosmos. Críticos afirmam que a influência cosmológica e espiritual de suas obras foi uma das razões do anonimato da artista.

Outra característica das obras da sueca é a reiteração das forma geométricas, especialmente do círculo e do triângulo, além do uso de uma paleta de cores específica. Muitas peças das séries Primordial Chaos Group I e Seven Pointed Star: Evolution possuem estes atributos.

A série The Ten Largest, na qual predominam temas femininos e as flores em tons de rosa, laranja e azul pastel também é destaque na biografia de Af Klint. Essas peças são consideradas uma reinterpretação do século XX e dos mapas e diagramas típicos dos manuscritos medievais.

Hilma af Klint realizou mais de mil trabalhos e nunca quis que suas obras abstratas fossem expostas, por medo de serem incompreendidas. Agora que a aceitação do público está aberta a todo tipo de arte é tempo de homenagear e relembrar a artista. A exposição pode ser visitada até domingo, 15 de maio.

Serviço
Serpetine Galleries
Kensington Gardens – Londres
Até 15 de maio
De terça-feira a domingo, das 10h às 18h

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