Acervos: a crítica no passado e no presente

Desde autores históricos até os atuais debates que circundam essa prática, a crítica de arte reverbera em verbetes e projetos da instituição

(Foto: André Seiti)

PROJETOS
Ciclo de Debates – Crítica em Movimento
Por onde anda a crítica em áreas como o circo, a dança e o teatro? Buscando debater as presenças e lacunas dessa prática, foi realizado o Ciclo de Debates – Crítica em Movimento no Itaú Cultural. Com curadoria de Valmir Santos, o evento reuniu artistas, jornalistas, gestores culturais, críticos e curadores durante o mês de setembro. Começando com um diálogo de abertura, foram realizadas quatro mesas de debate e três espetáculos. Em muitas ocasiões, as fronteiras entre áreas foram difundidas e o pensar crítico na cultura de maneira geral entrou em pauta.

Registro da Ocupação Aracy Amaral (Foto: André Seiti)

 

Ocupação Aracy Amaral
Entre os meses de julho e agosto de 2017, Aracy Amaral foi homenageada pelo projeto Ocupação do Itaú Cultural, destinado a personalidades que deixaram suas marcas nas respectivas áreas de atuação. Heterogênea, a história de Aracy foi mostrada diante das diversas facetas de seu trabalho, que circundam territórios como pesquisa, curadoria, crítica, gestão cultural e jornalismo. A ocupação reuniu documentos históricos e entrevistas com pessoas como a professora e curadora Ana Maria Belluzzo, o artista e educador Paulo Portella, além de seu filho André Toral. Parte do material desenvolvido pode agora ser consultada no site da instituição.

Mario Schenberg (Foto: Reprodução)

 

VERBETES
Mario Schenberg
Mario Schenberg (Recife-PE, 1941 – São Paulo- SP, 1990). Crítico de arte e físico. (…) Mario Schenberg foi um intelectual reconhecido tanto pela brilhante atuação como pesquisador e professor no Instituto de Física da USP quanto pelos trabalhos de crítica de arte, publicados, sobretudo, em catálogos de exposições individuais e coletivas. (…) Schenberg elabora críticas sobre artistas diversos, tanto consagrados quanto jovens, entre eles modernistas – Di Cavalcanti e John Graz; (…) e  ex-integrantes do concretismo e do neoconcretismo, como Waldemar Cordeiro (…) e Lygia Clark (…). Notadamente, a retomada da figuração, na década de 1960, foi o maior interesse do crítico. Ele observa a contribuição do concretismo no que diz respeito à inovação formal, em relação ao naturalismo e ao realismo. Para ele, cabe ao novo realismo chamar atenção para o papel do Brasil na “construção de uma nova civilização mundial”, atentando para “a crise das velhas estruturas” e para a necessidade de se pensarem novas soluções para velhos problemas.

Ferreira Gullar (Foto: Reprodução)

 

Ferreira Gullar
José Ribamar Ferreira (São Luís-MA, 1930 – Rio de Janeiro-RJ, 2016). Poeta, dramaturgo, tradutor e crítico de artes plásticas. (…) Gullar participa da fase inicial do movimento concretista, inclusive da 1a Exposição Nacional de Arte Concreta (…). Rompe com os poetas concretos após ler um artigo de Haroldo de Campos no Suplemento Dominical do Jornal do Brasil (…). Em resposta a esse texto, escreve outro artigo, Poesia Concreta: Experiência Fenomenológica, publicado no mesmo jornal, em 1957. Gullar discorda do que considera um racionalismo excessivo da poesia concreta e defende mais subjetividade, o que resulta na criação do movimento neoconcreto, do qual participam artistas plásticos como Hélio Oiticica (1937-1980), Lygia Clark (1920-1988) e poetas como Reynaldo Jardim (1926-2011). (…) As ideias do movimento são expostas na Teoria do Não Objeto, que Gullar também publica nesse ano. (…) Em 1962, é eleito presidente do Centro Popular de Cultura da União Nacional dos Estudantes (CPC/UNE) e dois anos depois filia-se ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Com a decretação do Ato Institucional nº 5 (AI-5), em 1968, o poeta é preso (…). Obrigado a exilar-se, em 1971, reside em cidades como Paris, Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires, e envia artigos para o jornal O Pasquim (…). Gullar é reconhecido também como crítico de artes plásticas, tendo publicado vários títulos nessa área, entre eles Sobre Arte (1983) e Etapas da Arte Contemporânea: do Cubismo à Arte Neoconcreta (1998).

Crítica de Arte
Em sentido estrito, a noção de crítica de arte diz respeito a análises e juízos de valor emitidos sobre as obras de arte que, no limite, reconhecem e definem os produtos artísticos como tais. Envolve interpretação, julgamento, avaliação e gosto. A crítica de arte nesse sentido específico surge no século 18, num ambiente caracterizado pelos salões literários e artísticos, acompanhando as exposições periódicas, o surgimento de um público e o desenvolvimento
da imprensa. (…) Numa acepção mais geral, escritos que se ocupam da arte e dos artistas são incluídos na categoria crítica de arte, como é possível observar nos dicionários e enciclopédias dedicados às artes visuais (…). No Brasil, o surgimento da crítica de arte liga-se à criação da Academia Imperial de Belas Artes (Aiba), no Rio de Janeiro, em 1826, que inaugura o ensino artístico formal no País. Seu primeiro representante é o pintor, crítico e historiador de arte Manuel de Araújo Porto-Alegre (1806-1879), que a dirige entre 1854 a 1857 (…).

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