Acervos: cultura em luta

Seleção de trabalhos e verbetes do Itaú Cultural revelam como projetos culturais têm sido usados como ferramenta política

Do Ilê Aiyê, Ekedji Dete, Doné Hildelice, Hunsó Alda, Ekedji Marcia, Deré Jaci, Vodunsis Micaela Jawale, Val Benvindo e Isa Carla (Foto: André Seiti)

Projetos
Ocupação Ilê Aiyê
A 42a ocupação do instituto aconteceu na virada de 2017 para 2018 e foi dedicada à história do Ilê Aiyê, primeiro bloco afro do Brasil, que nasceu para combater o racismo, especialmente no circuito oficial do Carnaval baiano. Com 44 anos de existência, o bloco desfila exclusivamente com negros e segue questionando regimes de opressão racial. A exposição teve música, projeções, fotografias, documentos, depoimentos e fantasias com referência às Abayomis, bonecas negras feitas com tecido e arrematadas com nós. Em programação paralela, oficinas e shows com a participação de convidados como os grupos Ilú Obá De Min e Ilú Iná.

Mesa de discussão sobre Ativismos, Arte e Reapropriações de Espaços Públicos (Foto: André Seiti)

Brechas Urbanas
A série de conversas foi criada, em 2015, no Itaú Cultural, para debater soluções inovadoras para a vida em cidades. As conversas acontecem no próprio instituto e são depois compartilhadas no YouTube. Em dezembro de 2017, a mesa de discussão foi sobre Ativismos, Arte e Reapropriações de Espaços Públicos, com mediação do jornalista Bruno Torturra e a participação da advogada Liana Lins, do movimento Ocupe Estelita, e dos cientistas políticos Vitor Marchett e Márcio Black, do Coletivo Sistema Negro. No ano seguinte, em maio, o tema foi O Caminho Da Restauração Da Democracia Brasileira Através Das Cidades, com os professores Ricardo Abramovay e Mônica Sodré, o advogado Rafael Poço e mediação da jornalista Natalia Garcia.

Desbravamento da Mata (1941), mural de Candido Portinari na Biblioteca do Congresso em Washington (Foto: Creative Commons)

Verbetes
Muralismo
O termo refere-se à pintura mexicana da primeira metade do século 20, de feitio realista e caráter monumental. A adesão dos pintores aos murais de grandes dimensões está ligada ao contexto social e político do país, marcado pela Revolução Mexicana de 1910-1920. (…) O programa de pinturas de murais, narrando a história do país e exaltando o fervor revolucionário do povo, adquire lugar destacado no projeto educativo e cultural do período. Nos termos de Diego Rivera (1886-1957), um dos principais expoentes do muralismo mexicano, a arte “é uma arma”, um instrumento revolucionário de luta contra a opressão.(…) No Brasil, influências do muralismo mexicano podem ser sentidas nas obras de Di Cavalcanti (1897-1976) e Candido Portinari (1903-1962).

Teatro do Oprimido
Método teatral e modelo de prática cênico-pedagógica sistematizados e desenvolvidos por Augusto Boal (1931-2009) nos anos 1970. Possui características de militância e destina-se à mobilização do público, vinculando-se ao teatro de resistência. Para fazer frente à censura e à repressão desencadeadas pelo AI-5, Boal incrementa sua aproximação com as propostas de Bertolt Brecht (1898-1956).(…) O Teatro do Oprimido congrega hoje grupos em todo o Brasil, com ênfase no estado do Rio de Janeiro, especialmente vinculados às ações pela cidadania. Difundido em todo o mundo, estudado por teóricos de áreas variadas, foi comemorado com a grande exposição Augusto Boal: Os Próximos 70 Anos, em março de 2001, no Rio de Janeiro.

Centro Popular de Cultura (CPC)
O Centro Popular de Cultura – CPC foi criado em 1961, no Rio de Janeiro, ligado à União Nacional de Estudantes (UNE), e reúne artistas de distintas procedências: teatro, música, cinema, literatura, artes plásticas etc. O eixo do projeto do CPC define-se pela tentativa de construção de uma “cultura nacional, popular e democrática”, por meio da conscientização das classes populares. A ideia norteadora do projeto diz respeito à noção de “arte popular revolucionária”, concebida como instrumento privilegiado da revolução social. A defesa do caráter coletivo e didático da obra de arte, e do papel engajado e militante do artista, impulsiona uma série de iniciativas (…). O golpe militar de 1964 traz consigo o fechamento do CPC, a prisão de artistas e intelectuais e o exílio político. Mesmo assim, ecos do projeto cepecista reverberam em iniciativas posteriores, como no célebre show Opinião, em 1964.

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicações Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.