Acervos: matriz afro-brasileira

O olhar do instituto para questões relativas à identidade cultural e ao combate ao racismo estrutural reflete-se em projetos e verbetes

Fotografia de Milton Guran

PROJETOS
RUMOS 2015-2016: Acervo Agudás – os “Brasileiros” do Benim
O antropólogo Milton Guran foi selecionado pelo programa Rumos 2015-2016 para organizar seu acervo de mais de 20 anos de pesquisa sobre as tradições dos Agudás, os brasileiros do Benim. O estudo começou com seu interesse por ex-escravos que decidiram retornar à sua terra de origem, como aqueles que voltaram ao longo do século 19 ao Benim, Togo e Nigéria, na África. Quando lá chegaram, tiveram de lidar com o estigma da escravidão e acabaram ganhando o nome de Agudás, corruptela da palavra ajuda. A solução que encontraram para recomeçar suas vidas foi assumir uma identidade brasileira, até mesmo adotando o português como idioma. Acabaram, mais tarde, exercendo grande influência política, cultural e econômica na região, ao levar a cultura ocidental para a África, antes da colonização francesa. A pesquisa de Guran está disponível online até dezembro de 2017.

Retrato de Sueli Carneiro (Foto: André Seiti)

 

Sueli Carneiro
Filósofa, escritora e ativista, é uma das vencedoras do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos, na categoria Mobilizar, por sua atuação na luta contra as desigualdades racial e de gênero no Brasil. Fundou, em 1988, o Geledés – Instituto da Mulher Negra, por meio do qual criou programas como o S.O.S Racismo – serviço de atendimento jurídico e psicológico a vítimas de discriminação – e o Projeto Rappers, voltado para a juventude negra. Doutora em educação pela Universidade de São Paulo (USP), participou da audiência pública que o Supremo Tribunal Federal realizou em 2010 para discutir a constitucionalidade das cotas raciais nas universidades brasileiras – e sua defesa foi decisiva para a manutenção da medida.

Obra de Eustáquio Neves (Foto: Divulgação)

 

VERBETES
Eustáquio Neves
José Eustáquio Neves de Paula (Minas Gerais, Brasil 1955). Fotógrafo. Autodidata. Abandona o curso de química industrial, para se dedicar exclusivamente à paixão pela fotografia de caráter étnico-cultural. Firma-se nessa última década como um dos talentos desse setor, com uma linguagem ousada e criativa que renova os temas que focaliza. Recebeu o Prêmio Marc Ferrez de Fotografia da Fundação Nacional de Arte, em 1994.

Ejo Kekere – A Cobra Pequena (2002), de Mestre Didi (Foto: Miguel Aun)

 

Mestre Didi
Deoscóredes Maximiliano dos Santos (Bahia, Brasil 1917 – Bahia, Brasil 2013). Escultor e escritor. Executa objetos rituais desde a infância; aprende a manipular materiais, formas e objetos com os mais antigos do culto orixá Obaluaiyê. Entre 1946 e 1989, publica livros sobre a cultura afro-brasileira, alguns com ilustrações de Caribé. Em 1966, viaja para a África Ocidental e realiza pesquisas comparativas entre Brasil e África, contratado pela Unesco. Nas décadas de 1960 a 1990, participa como membro de institutos de estudos africanos e afro-brasileiros e como conselheiro em congressos com a mesma temática, no Brasil e no exterior. Em 1980, funda e preside a Sociedade Cultural e Religiosa Ilê Asipá do culto aos ancestrais Egun, em Salvador. Foi coordenador do Conselho Religioso do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afro-Brasileira, que representa no País a Conferência Internacional da Tradição dos Orixás e Cultura.

Obra de Rubem Valentim (Foto: Cortesia Museu Afro Brasil)

 

Rubem Valentim
Rubem Valentim (Bahia, Brasil 1922 – São Paulo, Brasil 1991). Escultor, pintor, gravador, professor. Inicia-se nas artes visuais na década de 1940, como pintor autodidata. Entre 1946 e 1947, participa do movimento de renovação das artes plásticas na Bahia, com Mario Cravo Júnior (1923), Carlos Bastos (1925) e outros artistas. (…) Em 1979, Valentim realiza escultura de concreto aparente, instalada na Praça da Sé, em São Paulo, definindo-a como o Marco Sincrético da Cultura Afro-Brasileira. (…) Desde o início de sua produção, nota-se um forte interesse pelas tradições populares do Nordeste, como, por exemplo, pela cerâmica do Recôncavo Baiano. A partir da década de 1950, o artista tem como referência o universo religioso, principalmente aquele relacionado ao candomblé ou à umbanda (…).

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