Acervos: política cultural

Projetos do instituto e verbetes da Enciclopédia Itaú Cultural sobre ações culturais e intervenções artísticas de viés público

Praça da Sé, escultura de Ascânio MMM, em exibição no saguão da prefeitura de São Paulo (Foto: Agência Ophelia)

VERBETES
Arte Pública
Definir uma arte que seja pública obriga a considerar as dificuldades que rondam a noção desse conceito. Em sentido literal, seriam as obras que pertencem aos museus e acervos, ou os monumentos nas ruas e praças, que são de acesso livre. Nessa direção, é possível acompanhar a vocação pública da arte desde a Antiguidade, lembrando de obras integradas à cena cotidiana – por exemplo, O Pensador, de Auguste Rodin (1840-1917), instalado em frente ao Panteão, em Paris, 1906 – e de outras mais diretamente envolvidas com o debate político. O projeto de Vladimir Tatlin (1885-1953) para um monumento à Terceira Internacional (1920) e o Memorial de Constantin Brancusi (1876-1957), 1937-1938, dedicado aos civis romenos que enfrentaram o Exército alemão em 1916, são exemplos disso. O muralismo mexicano de Diego Rivera (1886-1957) e David Alfaro Siqueiros (1896-1974) pode ser considerado um dos precursores da arte pública em razão de seu compromisso político e seu apelo visual.

Ensacamento, do coletivo 3NÓS3 (Foto: 3NÓS3)

 

3NÓS3
Formado pelos artistas plásticos Hudinilson Jr. (1957-2013), Mario Ramiro (1957) e Rafael França (1957-1991), o grupo 3NÓS3 realiza ações que questionam os espaços da cidade de São Paulo de 1979, ano em que é fundado, até 1982. (…) Intitulada Ensacamento, a primeira intervenção é realizada em 1979, em São Paulo. Segundo registro do grupo, 68 estátuas públicas da cidade têm as cabeças ensacadas durante a madrugada, como o Monumento às Bandeiras (1953), do escultor ítalo-brasileiro Victor Brecheret (1894-1955). No dia seguinte, os artistas se revezam em ligações para a imprensa e simulam vizinhos indignados com a intervenção de vândalos e questionam os jornais sobre as ações. A intervenção do grupo faz alusão à prática comum durante os interrogatórios, em que as cabeças de presos políticos são cobertas com sacos, induzindo ao sufocamento e garantindo o anonimato dos envolvidos.

Arte do New Deal
A produção artística financiada oficialmente durante o governo do presidente Franklin D. Roosevelt (1933-1945), nos EUA, com o programa de reformas empreendido para conter a Grande Depressão e recuperar a confiança na economia americana, é conhecida como a arte do New Deal (1933-1939). (…) Como parte das diversas medidas tomadas para conter as taxas de desemprego entre os trabalhadores, o governo institui, em 1933, o Public Works of Art Project, extinto no ano seguinte, com a função de recrutar artistas para decorar os prédios públicos com “arte de qualidade”. Como qualidade compreende-se principalmente a capacidade de expressar os valores nacionais da cultura norte-americana.

Mostra Rumos (Foto: André Seiti)

 

PROJETOS
Rumos
Ao completar 20 anos de atuação em 2017, o programa Rumos Itaú Cultural possibilitou ações artísticas e culturais que alcançaram mais de 5,1 milhões de pessoas, selecionou artistas, pesquisadores e produtores, e gerou outros programas, reinventando-se a cada edição. Um dos mais longevos editais públicos do País, contempla projetos sobre arte e cultura brasileira, de qualquer expressão artística ou intelectual, desenvolvidos em qualquer tipo de suporte, formato, linguagem artística ou mídia. O edital 2017-2018 teve mais de 12 mil inscrições e investe cerca de R$ 15 milhões nos projetos selecionados, divulgados em 28/5.

Observatório
O Observatório Itaú Cultural foi criado em 2006 com foco na gestão, na economia e nas políticas culturais. O programa visa estudar e debater esses temas, estimular a reflexão sobre eles em seus vários aspectos e analisar os indicadores nacionais. O Observatório realiza seminários, encontros e palestras entre especialistas de todo o mundo; apoia e estimula a produção de estudos acadêmicos voltados para temas relacionados à gestão cultural, por meio do Rumos Pesquisa; possui uma linha editorial responsável pela publicação de livros e da Revista Observatório, disponível gratuitamente para consulta e download no site; promove pesquisas; organiza informações sobre o campo cultural. A mais recente edição, de número 23, é voltada para a importância das estatísticas e indicadores para o desenvolvimento da economia e da cultura.

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