Agenda do fim do mundo (13 a 20/10)

Dos modos de vida do povo Guarani Mbya às sensíveis investigações de Rochelle Costi em viagens pela Amazônia, os destaques da semana são imperdíveis

Da redação

Publicado em: 13/10/2021

Categoria: Agenda, Destaque

Xondaria, de Rafayane Carvalho | Divulgação

“A literatura indígena é uma expressão dos povos originários. É a reivindicação da identidade invisibilizada no Estado-nação Brasil. No Brasil, estima-se que há 60 escritores indígenas, pertencentes a povos indígenas diversos, falantes de 274 línguas. Cada povo tem uma memória, história e ancestralidade. Tais valores irão aparecer na literatura indígena porque os escritores têm essa identidade coletiva. Para avançarmos numa democracia, nos últimos tempos mais ameaçada, é preciso cada vez mais reconhecermos a diversidade étnico-racial existente no país.”

Julie Dorrico, em Folclore Brasileiro Versus Literatura Indígena 

ABERTURAS
Mbya Reko – Jaraguá é Guarani 
Primeira mostra com temática indígena do Museu de Arte Brasileira, na FAAP, busca retratar os modos de viver do povo Guarani Mbya que mora na reserva do Pico do Jaraguá, em São Paulo. A exposição reúne fotografias e pinturas de artistas como Rafayane Carvalho, Dinas Miguel, Thiago Carvalho e Richard Wera Mirim; a curadoria, de Rubens Fernandes Jr. em parceria com Rafayane, inclui fotografias, pinturas e peças de artesanato inspiradas na fauna brasileira, penachos, cocar, e o tradicional petyngua (cachimbo Guarani). “A exposição apresenta como os Guarani vivem e resistem praticando o que eles chamam de nhandereko, o ensinamento e manutenção da língua materna guarani, do resgate, plantio e consumo dos alimentos tradicionais, da espiritualidade por meio das cerimônias sagradas, entre outras atividades do dia a dia”, explica Carvalho. Abertura hoje, 13/10, a partir das 15h, no MAB, com agendamento prévio pelo link.

Tapete escrito (2020-2021), de Julia Angulo | Foto Samuel Esteves

Poéticas do Habitar
Pertencimento, memória, habitar e deslocamento são palavras-chave para a mostra coletiva na Casa Cunha Lima, em São Paulo, que abre neste sábado, 16/10. A curadoria de Carollina Lauriano traz a produção recente de três mulheres artistas: Julia Angulo, que investiga a relação entre lembrança e esquecimento; Kaya Agari, que trabalha com grafismos indígenas da tribo Kurâ Bakairi; e Talita Zaragoza, que mostra pinturas abstratas e de paisagem. No dia 17/10, às 11h30, acontece uma conversa entre a curadora e as artistas em torno das questões relacionadas à curadoria: Como é possível habitar universos tão distintos num mesmo local?. Agendamentos via contact@carmojohnsonprojects.com.

Épura, de Edith Derdyk | Foto Divulgação

Linha de Chamada, de Edith Derdyk
Neste sábado, 16/10, às 11h, a artista abre mostra acerca de suas investigações sobre geometria descritiva, na Galeria ArteFormatto, em São Paulo. Os 6 conjuntos de trabalhos inéditos, entre instalações, objetos, desenhos e livro de artista, foram desenvolvidos a partir da pesquisa sobre técnicas de desenho oriundas do século 18. “A mostra especula sobre os métodos de representação de funcionamento maquínico, movidos por uma certa razão insana e na observação do real e sua projeção no modo de produzir objetos industriais”, conta Derdyk. Em 6/11, às 11h, a artista e Maria Hirszman, que assina o texto crítico, realizam visita guiada pela individual.

Vista da instalação A Terceira Margem, de Rochelle Costi | Foto Rochelle Costi

EM CARTAZ
A Terceira Margem, de Rochelle Costi
Como desdobramento de pesquisas realizadas em viagens pela região amazônica, a mostra da artista na Oficina Oswald de Andrade, em São Paulo, apresenta três instalações compostas por fotografias impressas em tecido. Costi busca colocar o público diante de narrativas reais, que enaltecem a resistência dos povos originários e as problemáticas de negligência. As instalações são formadas por quatro imagens, dispostas de forma a criar espaços de experiências sensoriais e contextuais, não apenas pela sua composição formal, mas ainda por posicionar o público diante da natureza e da realidade dos Huni Kuin, povo indígena organizado, engajado e politizado, com um profundo domínio dos saberes para a sobrevivência. Até 30/10. Entrada gratuita.

Vista de Parte, de Marina Saleme | Foto Mario Grisolli

Parte, de Marina Saleme
Paralela à exposição no CCBB Rio, a artista paulistana realiza mostra com cerca de 60 obras, entre desenhos e pinturas, produzidas nos últimos três meses. A série é o resultado de um obsessivo esforço de investigação da artista sobre uma mesma imagem: uma mulher sentada, encolhida, de cabeça baixa, numa atitude profundamente ensimesmada e impactante.  “A instalação no CCBB faz um olhar panorâmico sobre a solidão escondida na cidade. A montagem na Mul.ti.plo, ao contrário, convida ao particular, a um olhar mais concentrado, mais intimista, mais próximo e acolhedor”, explica a artista. Na Mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro. Até 3/12.

Vista de Encontros Divergentes, de Tulio Pinto | Foto Túlio Pinto

Encontros Divergentes, de Túlio Pinto
“O equilíbrio criado em suas obras é um equilíbrio à beira do abismo. Um acordo cujas relações harmoniosas são ameaçadas pela entropia, pelas pulsantes forças do caos”, afirma Fabio Magalhães, curador da mostra. Em cartaz no Museu de Arte Contemporânea de Sorocaba (MACS), os trabalhos do artista brasiliense se situam entre a escultura e a instalação, a partir de sistemas que tensionam as capacidades físicas e visuais da matéria. Ao trabalhar com formas geométricas e orgânicas, busca aproximar materiais de superfícies e composições distintas e que, ao se tocarem, tornam-se dependentes uns dos outros. A individual marca a reabertura das visitas presenciais no museu, que realiza oficinas experimentais aos sábados e domingos, das 10h30 às 11h30. Entrada gratuita. Até 9/1/2022.

sem título #c74 (2008), de Frank Thiel | Foto Divulgação

10 Anos de IFF
Em comemoração aos dez anos de atividades do Instituto Figueiredo Ferraz, três exposições estão em cartaz: Em Branco, com curadoria de João Carlos de Figueiredo Ferraz e Marcelo Guarnieri, conta com 60 obras brancas da coleção do IFF, como de Adriana Varejão, Antonio Manuel, Carlito Carvalhosa, Carlos Fajardo, Celia Euvaldo, Dora Longo Bahia, Gisela Motta e Leandro Lima, Iole de Freitas, Regina Parra, entre outros. Até 17/12/2022. Já a mostra temporária Paisagens Possíveis é composta por 23 pinturas da artista plástica Mariannita Luzzati, dando seguimento ao projeto do instituto de levar ao público diferentes olhares e recortes sobre a coleção de Dulce e João Carlos. Por fim, Fotografo o Que Não Vejo, em cartaz no anexo do IFF, reúne 30 trabalhos de 21 artistas da coleção que abordam o universo das imagens técnicas. Entrada gratuita. Em cartaz até 7/5/2022.

Foto Divulgação

Trilhas (ou Cisco no Olho, Tampão no Ouvido), de Alice Vinagre
A artista paraibana ocupa a galeria Janete Costa, em Recife, construindo uma narrativa visual que combina suas poéticas subversivas sobre arte de fases diversas. Com incentivo do Funcultura e curadoria de Adolfo Montejo Navas, a individual traz a possibilidade de uma aproximação diferente das obras de Vinagre, reunindo algumas já exibidas na cidade, mas que agora são construídas espacialmente de um modo diferente, outras antigas e inéditas. As 55 obras expostas propõem um mergulho na reflexão sobre os temas da artista. “Essa exposição tem muitas coisas novas, muitas redefinições críticas, feitas inclusive pela própria autora. Trabalho antigos ganham uma nova leitura em 2021, são novas variações combinatórias que nos abrem outros caminhos de leitura e aproximação com as obras”, destaca o curador. Em cartaz até 5/2/2022.

ONLINE
Pedagogia Crítica, de Traplev
Durante o mês de outubro, a série de trabalhos do artista catarinense fica em exibição na plataforma online KINOSCOPE. Traplev apresenta conjunto de obras produzidas a partir da experimentação da linguagem com elementos pedagógicos que possam também ser instrumentalizados para a conscientização crítica. O artista parte da análise de discursos políticos e midiáticos para confrontar essas narrativas com fatos históricos e provocações estéticas. Na plataforma, apresenta algumas dessas obras e uma entrevista, em que aprofunda eixos de sua prática crítica e poética.

Foto Divulgação

INSCREVA-SE
Como Ver Arte Na Escuridão Total?
Nos dias 26, 27, 28 e 29/10, das 19h às 21h, Leandro Muniz e Tarcísio Almeida ministram curso online sobre o debate acerca da racialidade na arte, a discussão sobre a formação, métodos e textos que podem contribuir para uma reflexão consistente e rigorosa. Tomando como ponto de parte o norte-americano Darby English (1974), as aulas discorrem sobre a experiência racial no campo artístico de modo crítico e propositivo, criando diálogo com obras de artistas como André Ricardo, Véio, Bill Traylor, Madalena Reinbolt, entre outros. R$ 80,00. Inscrições pelo link https://pinacursos.byinti.com/#/event/w5DLUgz-LfdTG5kBb8bF

Registro da peça Mário de Andrade Desce aos Infernos | Foto Jennifer Glass

TEATRO
Mário de Andrade Desce aos Infernos
Em meio às comemorações de aniversário do pesquisador e escritor brasileiro, Pascoal da Conceição estreou nova temporada online do espetáculo e sua homenagem. Junta a isso, uma websérie, composta de episódios do espetáculo comentados por Pascoal, são exibidos, entre 10 e 22/10, em duas sessões diárias, às 11h e às 21h. As apresentações são online e gratuitas, nas redes de Teatros Municipais de São Paulo – Alfredo Mesquita (15, 16, 17/10), Cacilda Becker (22, 23 e 24/10), João Caetano (29, 30 e 31/10), Paulo Eiró (5, 6 e 7/11). A websérie está disponível no Youtube (youtube.com/PascoaldaConceição1). 

Capa de 12 Conversas e Uma Festa, de Martin Ogolter | Foto Divulgação

LITERATURA
12 Conversas e Uma Festa
O livro traz registros das intervenções que o artista austríaco, Martin Ogolter, realizou nos orelhões após perceber que estes objetos de design estão sumindo das ruas. “A ideia é que o leitor sinta como se estivesse fazendo um passeio pelas ruas do Rio de Janeiro.”, afirma o artista. Nesse sentido, há muitas páginas em branco e doze registros das intervenções realizadas nos orelhões com lycra e uma com uma cortina de fita metalizada. “É quase como uma caminhada, de vez em quando aparece um destes orelhões, mas já não mais como objeto útil, mas como algo efêmero, assim como as fotografias”, conta. O lançamento do livro acontece neste amanhã, 14/10, às 19h, no Alalao Kiosk, Arpoador. 44 págs., R$ 90,00.

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