Agenda do fim do mundo (14 a 21/7)

Gabriela Noujaim, Jeanete Musatti, Sanagê e Toma Aí Um Poema são alguns dos destaques da semana

Publicado em: 14/07/2021

Categoria: Agenda, Destaque

Livro Latinamerica (2020), de Gabriela Noujaim (Foto: Rafael Adorján/ Divulgação)

“Eu precisei de cinco fósforos para dar dois tragos
e ainda assim não te trouxe de volta.
passaram algumas canoas na minha frente
todas remavam pra frente
e na minha frente, nada de você.”

Trecho da poesia Plano B de Brisa Araújo de Souza, parte da antologia Na Força e No Grito, Na Palavra Persistimos! 

EXPOSIÇÕES
Latinamerica 2020, de Gabriela Noujaim
O conjunto de obras da artista, que integra a coletiva Modo Contínuo, foi iniciado em abril do ano passado, quando Noujaim imprimiu o mapa da América Latina, em vermelho, sobre máscaras cirúrgicas, que em seguida foram enviadas para profissionais da saúde e para mulheres de diversas regiões e áreas de atuação. Como parte do trabalho, as mulheres, em seu ambiente de trabalho, fizeram selfies com a máscara, que enviaram para a artista. Os retratos integram um vídeo feito também em 2020, e ilustram sete relatos, sobre suas experiências durante a pandemia, que estão em um livro trilíngue que integra a mostra. Será exibido ainda o vídeo Mulheres Latinamericas 2020 (3′ 33″), que está em um pendrive em uma caixa-experiência de Gabriela Noujaim, com edição limitada. “O impacto da pandemia nas mulheres se tornou algo latente, revelando questões extremamente urgentes na América Latina, como as condições precárias de trabalhos informais – cuidadoras e empregadas domésticas, por exemplo – além do aumento da violência contra a mulher, e ainda os casos de mortes pelo vírus entre as indígenas” afirma a artista. De 14/7 até 27/8 na Galeria Simone Cadinelli Arte Contemporânea.

Inversão Térmica Planeta (2020), de Jeanete Musatti (Foto: Divulgação)

Corações Prensados, de Jeanete Musatti
Artista de artistas, a queridinha da cena paulistana inaugura exposição reunindo memórias e experiências do isolamento durante a pandemia em seus icônicos relicários, desta vez feitos a partir de potes de guardar mantimentos. Musatti apresenta duas séries de trabalhos, um grupo de esculturas e pequenos cenários são exibidos em suportes espalhados pela galeria, enquanto as 65 assemblages de objetos guardados ao longo da sua vida, encapsulados nos potes de poliestireno, são dispostos nas paredes, constituindo uma ode à imensidão do não-dito. “Trabalho tantos objetos recolhidos durante anos, até restos de enxoval de uma rainha quase desfeitos no inconsciente coletivo, que tanto convivem com a estética que vem à tona, em forma de lembranças configuradas entre uma caixa e outra”, explica a artista. A partir de 14/7 e em cartaz até 15/8 na Galeria Bolsa de Arte, em São Paulo.

Exercício Burundi (2020), de Sanagê (Foto: Divulgação)

Sanagê: Pele e Osso
Utilizando espuma expandida, matéria-prima comum na construção civil, o artista obtém texturas, volumes e cores de pele, ossos, fissuras e ligamentos. As estruturas de espuma são rasgadas, serradas, quebradas e coladas entre elas e sobre a tela, formando imagens de mapas que representam países africanos ligados à história da diáspora. As obras são todas brancas e o espaço expositivo no Centro Cultural dos Correios foi pintado de branco e revestido de espuma EVA. Ao optar pela cor que contém e reflete todas as outras, Sanagê conduz o visitante a uma experiência de espaço infinito: “O branco é a presença diáfana que simboliza uma ausência de limites. Porém, além de uma escolha estética, a cor também é política. Assim como as telas que contêm relevos e texturas que não representam os relevos ou acidentes geográficos dos países africanos, a cor também não se refere a uma realidade. É uma provocação para a reflexão sobre passado, presente e futuro”, comenta o artista. A partir de amanhã, 15/7, no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro. Até 27/8.

ONLINE
Parece Guerra, Porque É Guerra, Só Não É a Guerra Que Parece Ser – Militares e Guerra Híbrida no Brasil Atual
Ciclo de debates organizado pelo grupo Tablado de Arruar se debruça sobre a atual militarização do poder em curso no país. Criada em 2001, a companhia se dedica a pesquisas extensas que geraram trabalhos autorais profundamente ligados à realidade política brasileira. Neste ciclo o Tablado vai tratar de questões políticas tendo como objeto de estudo as estratégias contemporâneas utilizadas pelos militares brasileiros para a ocupação do poder no Brasil, cuja gênese remete à Lei da Anistia (1979) e à Comissão da Verdade (2011-14). A largada dessa programação é um ciclo de debates (on-line) que tem, entre os convidados, o político José Genoíno, o coronel da reserva Marcelo Pimentel Jorge, os juristas e membros da Comissão Nacional da Verdade Pedro Dallari, a procuradora Eugênia Augusta Gonzaga Fávero, os jornalistas Bruno Paes Manso e Chico Otávio, o cientista político João Roberto Martins e o filósofo Marildo Menegat. De 20/7 a 13/8.

Podcast Bienal 70 Anos (Foto: Divulgação)

Podcast Bienal, 70 anos
Ao longo de 10 episódios, a Fundação Bienal, em parceria com o UOL, resgata e traça os paralelos entre as histórias das Bienais e o cenário cultural e social da época. Com narração da apresentadora Marina Person e desenho de som, montagem e trilha sonora original de Fernando Cespedes, o podcast Bienal, 70 anos trará conteúdo de forma leve, dinâmica e acessível para todos os públicos. Cada um dos oito primeiros episódios concentra-se em uma década, de 1950 até 2021, e os episódios 9 e 10 trazem conteúdos bônus e interação do público. Lançamentos aos sábados (até 4/9) em todas as plataformas de podcast, no Splash, plataforma de entretenimento do UOL, e no Soundcloud da Fundação Bienal. Além de contar com entrevistas com importantes nomes da arte contemporânea, como Ivo Mesquita, Agnaldo Farias, Claudio Tozzi, Aracy Amaral e Sheila Leirner, especialistas de outras áreas também comentam o contexto social e cultural das diferentes bienais. Desde a sua primeira edição, em 1951, foram produzidas 33 Bienais, com a participação de aproximadamente 140 países, 11.500 artistas ou coletivos, mais de 70 mil obras e 8,5 milhões de visitantes.

MAM RJ (Foto: Fabio Souza)

Rio Desaparecido
Como parte da programação do Congresso Mundial de Arquitetura – UIA 2021, a Cinemateca do MAM apresenta, em parceria com a Rio Memórias, a mostra Rio Desaparecido. A mostra é composta por três documentários, sendo um deles inédito, além de debates com historiadores, arquitetos e cineastas de renome sobre as transformações urbanas ocorridas no Rio de Janeiro. “A ideia é que as imagens em movimento de um passado que ainda não era ruína possam dialogar com o tempo presente, evidenciando as transformações urbanas ocorridas até aqui e como queremos caminhar para o futuro”, revela a diretora e curadora do Museu Virtual Rio Memórias, Lívia de Sá Baião. Os filmes estarão disponíveis entre os dias 15 e 25 de julho na plataforma da Cinemateca do MAM no vimeo, e os debates serão realizados nos dias 19, 20 e 21 do mesmo mês, com transmissão simultânea nos canais do MAM Rio e da Rio Memórias no Youtube.

Três Orixás (1966), de Djanira (Foto: Cortesia Pinacoteca do Estado de São Paulo/ Divulgação)

CURSOS
Arte Brasileira Moderna
Com aula inaugural de Clarissa Diniz, curadora e professora da EAV Parque Lage, o curso ministrado pela curadora Daniela Labra pensa criticamente o desenvolvimento da arte modernista e moderna no Brasil, com seus programas de pesquisa estética, linguagem plástica e conformação de ideais identitários. Transitando do “desafio moderno” da arte no Brasil a partir da relação luz (posicionalidade geográfica), cor (sua tradução pictórica) e identidade; passando pelos debates sobre o artista moderno e a arte como trabalho e o “pitoresco” como valor estético; até o modernismo construtivo e o embate entre abstração geométrica e informal na arte entre 1955-1961, o curso propicia um mergulho na arte brasileira da primeira metade do século 20. Início 23/7. Sextas-feiras, das 10h às 12h.

FILE (Foto: Reprodução)

LIVROS
White Paper – FILE Alive
Na semana em que anuncia novo formato para a sua próxima edição, o Festival Internacional de Linguagem Eletrônica disponibiliza o White Paper definitivo dos encontros online FILEALIVE / ARQUIVOVIVO, transmitidos em março deste ano. Direcionado à comunidade de artistas e pesquisadores interessados no processo de enfrentamento dos desafios da edificação do patrimônio cultural digital, o documento pretende estimular a continuidade do diálogo sobre arquivos de mídia arte que vem sendo tecidos por instituições, globalmente, condensando problemáticas e propostas envolvidas na missão de preservar a arte nascida digital. A série online completa FILEALIVE / ARQUIVOVIVO também está disponível para acesso gratuito na plataforma, com relevantes contribuições de especialistas de instituições como Wiki Movimento Brasil, ARS Electronica Archives, Centre for the Study of the Networked Image, Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM/RJ) e Enciclopédia Virtual do Itaú Cultural. O documento pode ser baixado gratuitamente no site oficial do festival.

Capa da edição #29

Revista Observatório
O Itaú Cultural lança nova edição da Revista Observatório, a última edição a ser publicada em formato impresso. De forma transversal a edição traz  como tema a escuta de segmentos artísticos e culturais e da sociedade civil e a atenção à diversidade de públicos na construção de políticas públicas. Destaque para o panorama dos processos que envolveram o Plano Nacional de Cultura através de uma avaliação geral de suas 53 metas em dois artigos da historiadora Claudinéli Moreira Ramos. Além disso, um conjunto de artigos apresenta experiências de países da América-latina, Ásia e Europa. Ao apontar os desafios das artes e da cultura no Brasil a serem contemplados no próximo PNC, a revista reúne entrevistas com três representantes do poder público institucionalizado. Do Legislativo, a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/RJ) e o senador Eduardo Gomes (MDB/TO) apresentam suas visões e análises do PNC 2010-2020 e as expectativas para um novo plano nacional. Pelo Executivo, o secretário especial da Cultura do Ministério do Turismo, Mario Frias, traz seu entendimento do assunto e indica os próximos passos previstos pelo governo federal. A partir do número 30, a Revista Observatório passa a ser totalmente digital. É possível ler e baixar o novo número na plataforma do Itaú Cultural no Issuu.

Percursos de Criação, de José Patrício
O exercício de escrever sobre a própria trajetória nas artes pode ser desafiador: memórias, sentimentos e mudanças de compreensão consequentes do tempo são obstáculos para se chegar a uma síntese. Entretanto, o artista plástico pernambucano José Patrício aceitou essa provocação no livro Percursos de Criação. Na publicação, que é bilíngue, em Português e Inglês, José Patrício escreve sobre suas descobertas, investigações e experimentações com papel artesanal, dominós, dados, botões, peças plásticas de jogos, entre outros objetos oriundos do comércio popular e de situações corriqueiras que acompanham a vida dos brasileiros. O livro, com edição do crítico, curador e professor da UFRJ Felipe Scovino,  traz um encontro entre autor, biografia, pesquisa e conjunto da obra. O leitor poderá conhecer detalhes de séries icônicas, como 112 dominós (1999) e Ars combinatoria (1999/2000), assim como trabalhos menos conhecidos, como Série Negra (1998), Estrutura modular II (1986) ou as obras da série Composições, em papel artesanal, produzidas no início dos anos 1980. Para conhecer mais as obras do artista, vale uma visita à exposição José Patrício: Potência Criadora Infinita, em cartaz até 24 de julho, na galeria Nara Roesler, na Av. Europa, 655, Jardim Europa, em São Paulo, ou conferir o site www.josepatricio.com e o Instagram @josepatriciooficial.

Semana Toma Aí Uns 500 Autores
Para celebrar o marco de 500 autores contemplados pelo Toma Aí Um Poema, o podcast de declamação de poesia lusófona, apresenta programação especial contemplando a declamação de poesias da literatura indígena brasileira, chilena e norte-americana. Durante esta semana, além de duas leituras de Kunumi MC, serão disponibilizadas leituras de poemas de Eliane Potiguara, Julie Dorrico, Márcia Kambeba, Graciela Huinao e Natalie Diaz (vencedora do Prêmio Pulitzer, 2021 – com tradução especial da Belise Campos para a o podcast). “O Toma Aí Um Poema é um aliado nas lutas dos povos indígenas. Quando decidimos comemorar os nossos 500 autores declamados, pensamos em fazer deste marco uma causa. Para nós, não há como falar em #500 sem nos lembrar do quanto as vozes indígenas são silenciadas”, afirma a editora-chefe, Jéssica Iancoski. Paralelamente à programação do podcast, durante os próximos dias, o Toma Aí Um Poema lança três antologias poéticas de distribuição gratuita: Um Dólar Por Dose, com poemas políticos; Na Força e No Grito, Na Palavra Persistimos!, antologia feminina; e A Poesia Não É Inofensiva, dedicada à poesia lusófona. O Toma Aí Um Poema está disponível no Spotify, Google Podcasts, Deezer e YouTube

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