Agenda do fim do mundo (15 a 22/9)

Centenário de Paulo Freire é uma oportunidade para repensar o Brasil; entre os destaques da agenda estão a mostra Ocupação, dedicada ao educador, e a expo Terra em Transe, um mergulho no Brasil profundo

Da redação

Publicado em: 16/09/2021

Categoria: Agenda, Destaque

O Cão (2012), de Adenor Gondim | Foto Divulgação 

“À leitura autoritária, se a nossa opção é libertária, temos que propor a Leitura Libertária, que é uma leitura da cora­gem de não entender o que se leu, que é a leitura do correr risco – porque, vê bem, eu não corro risco só porque eu escrevo, eu corro também quando leio porque ler é reescrever.”
Paulo Freire, em Da Leitura do Mundo à Leitura da Palavra (1982)

ABERTURAS
Terra em Transe
Após a 1ª edição em 2018 no Museu de Arte Contemporânea do Ceará, a mostra chega à São Paulo atualizada e ampliada, com a adição de temas como as queimadas no Pantanal e na Amazônia, o incêndio na Cinemateca, o desastre ambiental de Brumadinho e a tragédia social provocada pela pandemia, com obras de Araquém Alcântara, Boris Kossoy, Carla Carniel, Daniel Kfouri, Nair Benedicto, Maureen Bissiliat e Adenor Gondim, entre outros. Resultado de mais de 20 anos de pesquisas do curador Diógenes Moura em viagens pelo Brasil profundo, a mostra reúne no Museu Afro Brasil cerca de 600 obras que retratam aspectos sociais, políticos e culturais dos quatro cantos do país, pelas câmeras de 60 artistas. Um convite para conhecer o Brasil real. Abertura no sábado, 18/9.

Mata à Venda (2021), de Alice Shintani | Foto Divulgação

Mata à Venda, de Alice Shintani
Como desdobramento de Mata, série de guaches em papel que integra a 34a Bienal de São Paulo, a mostra é uma proposição imersiva composta por 17 pinturas que atravessam as instalações físicas da galeria, entre quinas, portas, colunas e paredes. Mata À VENDA propõe “uma reflexão ética e econômica sobre o atual estágio das relações entre espaços comerciais e institucionais de arte, a autodeterminação de seus atores e as possibilidades de resiliência da prática artística”, afirma Shintani. Sua produção opera na intersecção entre o fazer artístico e a vida cotidiana, questionando práticas naturalizadas nessa relação. A partir deste sábado, 18/9, na Galeria Marcelo Guarnieri. 

Mobília para Aferir (2021), de Débora Bolsoni | Foto Gui Gomes / Divulgação

Fuso Motriz, de Débora Bolsoni
Hoje, 16/9, a Superfície inaugura a segunda exposição individual da artista carioca na galeria. O tempo é o assunto central dos trabalhos, desenvolvidos entre 2020 e 2021, durante a pandemia. “Débora transformou sua relação com o espaço. Em resposta à sua ausência, explora as notações de tempo”, escreve Leandro Muniz no texto de apresentação. A artista revela sua falta de experiências sociais por meio da quase anulação do volume nas obras expostas; Chapas metálicas são pintadas com tinta látex e formam uma superfície branca que parece transpor a parede. O tempo se encadeia e o território é mental: mais visual e menos corpóreo. 

Paulo Freire | Foto João Pires/Estadão Conteúdo / Divulgação

Ocupação Paulo Freire
O Itaú Cultural inaugura retrospectiva sobre vida e obra do grande educador brasileiro. Do nascimento até a atuação Brasil afora, a curadoria revisita seus trabalhos e a influência nas mais diversas áreas de expressão. “Reverenciado mundialmente, o filósofo e escritor pernambucano ensinou a leitura da palavra escrita – e, assim, a possibilidade da leitura do mundo – a 300 pessoas do município de Angicos, no Rio Grande do Norte, em uma célebre empreitada que marcou a história da educação no país”, escrevem os organizadores, da equipe do IC. Além de documentações originais, fotos e mapas interativos, a Ocupação promove ampla programação virtual: podcast, encontros de debates on-line, atividades do educativo e uma publicação feita exclusivamente sobre seu legado à cultura brasileira. Abertura neste sábado, 18/9.

Somos Aquelas Que Permeiam o Abismo em Busca das Frestas
A 9a edição do Programa de Arte Atual, organizado pelo Instituto Tomie Ohtake, abarca produções plurais e com procedências das mais diferentes regiões do país. Com curadoria de Priscyla Gomes, a mostra se divide entre os trabalhos da artista visual pernambucana Ana Lira, a fotógrafa baiana Helen Salomão e a artista e artesã carioca Laís Amaral. ”As produções contidas na mostra são fruto das potências disruptivas dessas artistas, afirmando-se sujeitas dos próprios discursos e de suas histórias”, conta a curadora, que observa ainda que as obras articulam corpo, voz, prática e ética, buscando pensar as possibilidades de retomar espaços de coletividade no contexto pandêmico. De 18/9 até 28/11.

Cubinhos (1982), de Sérvulo Esmeraldo | Foto Divulgação / cortesia Pinakotheke

EM CARTAZ
Sérvulo Esmeraldo (1929-2017): 90 + 2
Celebrando 90 anos de nascimento do artista, a Pinakotheke São Paulo, em colaboração com a Galeria Raquel Arnaud, realiza mostra com cerca de 90 obras, abrangendo os anos 1950 a 2000, entre maquetes, pinturas, desenhos, gravuras, esculturas, instalações, e a maior coleção de Excitables já exibidos juntos. Com curadoria de Hans-Michael Herzog, a mostra segue a cronologia profissional e artística de Esmeraldo. O curador sinaliza que sua intenção não é o aprofundamento nas raízes brasileiras do artista, nem a relação dele com o neoconcretismo, mas sim inscrever suas obras escultóricas no grande contexto internacional. Até 16/10, agendamentos via WhatsApp (11) 96369-0282 ou agendamento@pinakotheke.com.br

Título desconhecido (1988), de Miriam Inez da Silva | Foto Divulgação

Miriam Inez da Silva
“Reunindo mais de 300 obras e extensa documentação, esta é a maior retrospectiva já desenvolvida a partir da obra da artista”, escreve o curador Bernardo Mosqueira. Em parceria com a Almeida & Dale Galeria de Arte, o Museu Nacional da República, em Brasília, dá espaço à primeira mostra da artista goiana no Centro-Oeste, trazendo a perspectiva singular e potente de sua produção acerca dos conflitos da modernização no Brasil. O diálogo com a xilogravura, cordel e arte votiva estabelece a postura crítica frente à normatividade que regulava a sociedade em que vivia. Até 5/12.

Vista Palácio das Artes: 50 Anos em 5 Atos | Foto Paulo Lacerda / Divulgação

Palácio das Artes: 50 Anos em 5 Atos
Ao completar cinco décadas, o Palácio das Artes mergulha em suas memórias e abre exposição sobre a própria história. A mostra fundamenta-se em propiciar uma experiência imersiva ao público, abrindo espaço para a arte-tecnologia e seus recursos. Para isso, o Estúdio MIR traz experiências sensoriais com uma expografia que remete o visitante a diferentes episódios históricos do centro cultural. Para Brayhan Hawryliszyn, artista e diretor da MIR, “a exposição é uma forma contemporânea de ler a trajetória do Palácio, que sempre acolheu projetos artísticos do Brasil e exterior”. Na Grande Galeria Alberto da Veiga Guignard, Belo Horizonte. Até 14/11

Mata de Bromélias (2021), de Luiza Gottschalk | Foto Divulgação

Matéria e Memória, de Luiza Gottschalk
O reencontro com a paisagem local da Serra da Mantiqueira é o fio condutor da mostra, com curadoria de Júlio Martins. Sua pintura nasce do contato, desde a infância, com a natureza, acessando de maneira íntima a organicidade e atmosfera da terra. Os líquens (simbiose entre fungos e algas que ocorre em troncos das árvores) pulsam ao seu olhar, materializando-se em pinturas coloridas e de grandes formatos. A água também é matéria visual para construção de suas telas. “A água percorre na tela um caminho próprio. Gosto de observar o percurso que ela faz e vejo por onde ela me guia.”, explica a artista paulistana. Na Orlando Lemos Galeria de Arte, Nova Lima (BH). Em cartaz até 2/10.

Rio (2014), de Carlito Carvalhosa | Foto Mari Stockler / Divulgação

Festival Desenho Vivo
Dois eventos marcam o encerramento das atividades do festival no CCBB: o lançamento do catálogo, integrado à 15ª Primavera dos Museus, com participação dos realizadores e artistas desta edição. Paralelamente, ocorre a performance Rio, em homenagem ao artista paulista Carlito Carvalhosa, falecido em maio deste ano e considerado um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. A performance, inspirada em texto de Lygia Clark e realizada uma única vez, em 2014, no MoMA, é conduzida pela artista e ex-assistente de Carvalhosa, Carolina Veiga. O evento acontece dia 24/9, às 16h, no CCBB Brasília. 

Divulgação

ONLINE
3×22: Diálogos Improváveis
Semana marcada por debates neste evento organizado pelos órgãos de cultura da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão da USP. Entre 13 e 17/9, das 15h às 19h, mesas-redondas e atividades artístico-culturais abordam aspectos diversos das narrativas sobre o bicentenário da Independência e o centenário da Semana de Arte Moderna, celebradas em 2022. As mesas contam com nomes como a bióloga e engenheira florestal Nurit Bensusan, a professora e escritora Marília Librandi Rocha, a gestora cultural Bel Mayer, o professor, curador e crítico de arte Agnaldo Farias, a escritora e crítica literária Noemi Jaffe, a historiadora indígena Marcia Mura, entre outros. Destacam-se, também, apresentações do Coral Universidade de São Paulo (Coralusp), as interpretações da Orquestra Sinfônica da USP (Osusp), o experimento cênico Em Teu Nome e, para encerrar, a obra História do Soldado, do russo Igor Stravinsky, narrada pelo músico Arrigo Barnabé e interpretada pela Osusp. Acesso pelo link  cultura.usp.br/3×22

Palpite (2021), de Daniela Avelar | Foto Ana Pigosso / Divulgação

Parlavratório
Idealizado por Fabio Morais e Daniela Avelar, o projeto consiste em série de conversas entre escritores e artistas, sobre a escrita na arte e literatura e os espaços de experimentação estética da palavra. Os diálogos acontecem entre Raquel Stolf, Rafael RG, Zéfere, Marilá Dardot, Regina Melim, Lenora de Barros e mediação de Patrícia Galelli. Ao final, O Corpo Dá Palavra é exibido com peças audiovisuais de Edith Derdyk, Ricardo Aleixo, Érica Zíngano e Tatiana Nascimento. Dias 16 e 17/9, 23 e 24/9, às 19h. Evento gratuito. Transmissão pelo canal do Youtube do Sesc 24 de Maio.

Tags:

Artigo anterior:
Próximo artigo:

Nota de esclarecimento A Três Comércio de Publicações Ltda. (EDITORA TRÊS) vem informar aos seus consumidores que não realiza cobranças por telefone e que também não oferece cancelamento do contrato de assinatura de revistas mediante o pagamento de qualquer valor. Tampouco autoriza terceiros a fazê-lo. A Editora Três é vítima e não se responsabiliza por tais mensagens e cobranças, informando aos seus clientes que todas as medidas cabíveis foram tomadas, inclusive criminais, para apuração das responsabilidades.