Agenda do fim do mundo (19 a 26/5/2021)

Sidney Amaral; Estado Bruto; Vânia Mignone; Renata De Bonis; Desmanche; Perpendicular; Gonçalo M. Tavares; Tom Zé

Da redação

Publicado em: 19/05/2021

Categoria: Agenda, Destaque

Fragmento de Banzo ou A Anatomia de um Homem Só (2016), de Sidney Amaral (Foto: João Liberato/ Divulgação)

“Há uma vigorosa lacuna a ser abordada nas questões (de)coloniais nisso que se convencionou chamar de Brasil: a soberba delirante da classe média ilustrada paulistane-carioque que acha que sabe de Brasil. Constituem uma espécie de autobrasilianistas (e muitos se autointitulam decoloniais). Evidente que esta dimensão do colonialismo do eixo não opera isolada, mas associada às questões de classe, raça e gênero.” Glauco Roberto Gonçalves em O colonialismo interno do eixo Rio-São Paulo

EXPOSIÇÕES
Viver até o Fim o Que Me Cabe!
Sidney Amaral faz parte de uma geração de jovens artistas afro-brasileiros contemporâneos que trouxeram ao público e à crítica uma produção de enorme qualidade formal e densidade poética e que, em seu cerne, debate de forma consistente o racismo e o abismo social no Brasil. O artista caminhava para se tornar uma das principais vozes dessa geração, o que se abreviou tragicamente com sua morte prematura, em 2017. O Sesc Jundiai apresenta a exposição Viver até o Fim o Que Me Cabe!, com curadoria de Claudinei Roberto da Silva. Até 4/9.

Asteróide (2011), de Wilson Piran (Foto: Cortesia Coleção Gilberto Chateaubriand MAM Rio)

Estado Bruto, Marcos Chaves e Fayga Ostrower
O MAM-Rio apresenta Estado Bruto, coletiva que mistura linguagens escultóricas, técnicas, tempos e origens distintas, a partir do acervo do museu. A mostra de Marcos Chaves, com trabalhos das últimas quatro décadas, capturam aspectos fundamentais das paisagens pelas quais o artista circula. A importância do trabalho artístico de Fayga Ostrower é abordada na terceira mostra Formações do Avesso que apresenta gravuras, tecidos e as principais ideias da artista. Assinam as três mostras os curadores Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente. Até 25/7.

Lágrimas de Pássaro (1982), de Mario Cravo Neto (Foto: Divulgação)

Mario Cravo Neto
Em paralelo à grande mostra dedicada pelo Instituto Moreira Salles a Mario Cravo Neto, a Lágrimas de Pássaro (1982), de Mario Cravo NetoGaleria BASE acaba de inaugurar a exposição De EXU a Jesus Cristo, que tem como mote o respeito e a reverência do fotógrafo à religiosidade católica e ao candomblé. Composta por 30 trabalhos, com destaque para um grupo em gelatina e prata, da série O Eterno Agora, uma das mais importantes criadas pelo artista, todas em preto e branco. Diógenes Moura assina o texto da exposição. Em cartaz até 2/7.

Sem Título (2021), de Vânia Mignone (Foto: Filipe Berndt/ Divulgação)

Vânia Mignone
A Casa Triângulo, em São Paulo, apresenta a décima segunda exposição individual da artista Vânia Mignone, comemorando o lançamento de sua primeira publicação monográfica de fôlego, editada pela Pinã Cultura, com texto introdutório e entrevista pelo curador Gabriel Pérez-Barreiro. A mostra convida o espectador para uma imersão em sua trajetória, reunindo obras recentes e outras incluídas na publição. Até 12/6.

Artun (Memoirs), 2021, de Renata De Bonis (Foto: Ding Musa/ Divulgação)

Sono Leve, de Renata De Bonis
Em suas pinturas recentes, a artista apresenta uma pluralidade de motivos, com generosa atenção aos detalhes da vida cotidiana: folhas no chão; uma flor; mas saltam aos olhos cenas inusitadas, como o retrato em que o rosto está coberto por um livro de Tennessee Williams, para se proteger da luz do Sol, ou a tradução pictórica de uma imagem de Matisse trabalhando em seu ateliê. Simultaneamente à exposição no espaço auroras, De Bonis mostra um grupo de pequenas obras no estábulo do sítio onde foi produzida toda a nova série. Aqui, ela reune variações de cenas lunares, assinalando o seu interesse recorrente pela luz e seus efeitos. Até 5/6.

Dupo – Manoel Lima (Benzedor), Etnia Tuyuka, de Paulo Desana (Foto: Divulgação)

ON-LINE
Desmanche
A coletiva reúne 33 obras de 11 artistas como Wilka Sales, Marcos Ferreira, Paulo Desane, Tales Frey, entre outros. As obras foram selecionadas por meio do edital Ocupa CCVM (Centro Cultural Vale do Maranhão) pelo curador Gabriel Gutierrez. A exposição parte do conceito de desmanche para refletir sobre o contexto de vida atual dos povos e a reinvenção como uma saída possível. A potência criadora das mãos dos artesãos indígenas, que vivem no Rio Negro, se destacam em registros fotográficos inéditos apresentados na exposição virtual. Até 31/8.

Um cigarro e a vida pela janela-min-min, de Maxwel Alexandre (Foto: Divulgação)

Pardo é Papel, de Maxwell Alexandre
O nome da exposição remete a maio de 2017 quando o artista Maxwell Alexandre pintou alguns autorretratos em folhas de papel pardo perdidas em seu ateliê. A cor parda foi usada durante muito tempo como forma de velar a negritude e esse é um exemplo dos paradigmas que o artista apresenta nessa mostra que gerou enorme impacto no Rio de Janeiro, trazendo ao museu um público amplo e diverso. A exposição segue em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, mas sua projeção vai muito além das paredes do museu uma vez que o Instituto Inclusartiz lança um tour virtual em 360 graus em seu site oficial. A partir de 18/5.

Flyer Perpendicular (Foto: Divulgação)

Perpendicular: A Rua como Espaço Utópico
Festival de performance já consolidado nas ruas de Belo Horizonte, o Perpendicular ocupa esse ano o YouTube. Artistas se reúnem em torno de uma discussão ética e estética sobre o pensamento decolonial para responder a questão: “O que será do meu corpo na rua?”. Rodas de conversa, debates, performances, relatos de processo, videoperformances, lives sonoras e práticas corporais fazem parte da programação 100% online. Até 25/5.

Arte do prêmio, por Leonardo Sá Rocha Sarabanda, vencedor do concurso de cartaz de 2020 (Foto: Divulgação)

34º Prêmio Design Museu da Casa Brasileira: Roda de conversa virtual
Miriam Lerner (diretora do museu), Gerson Lessa (coordenador da comissão julgadora de Produtos do 34º Prêmio Design MCB) e Teresa Ricetti (coordenadora da comissão julgadora de Trabalhos Escritos do prêmio) participam desta conversa com transmissão pelo YouTube do Museu da Casa Brasileira e mediação de Meire Assami (gerente do prêmio), para discutir os rumos do prêmio em tempos de pandemia. Amanhã, 20/5, às 17h.

Denilson Baniwa – Cinzas do Museu Nacional (Foto: Isabella Matheus/ Divulgação)

CONVERSAS
Cápsula 2
“Encontros públicos, ainda que virtuais, para fortalecer elos de resistência e impedir que o isolamento instaure novos bloqueios.” É assim que Denilson Baniwa convida o público para a segunda edição do Cápsula. Diante da profusão de ofertas digitais, o evento não se define como um curso online, uma live, ou um arquivo digital. Cápsula é uma dose somente, de escuta, diálogo e reparação das fraturas herdadas da violência colonial. Organização da crítica e curadora Lisette Lagnado e da professora e curadora Mirtes Marins de Oliveira. Dias 22 e 29/5.

Transa Marieta (Foto: Divulgação)

Transa Marieta com Ana Mae Barbosa
O centro cultural comunitário Marieta, em São Paulo, tem como missão difundir conhecimento e estimular o debate público. Toda a curadoria do centro é despersonalizada, construída a partir de sistemas participativos e coletivos. O programa Transa Marieta, criado durante a pandemia, reúne personalidades da arte e da cultura contemporânea com o propósito de discutir suas trajetórias e o mundo atual. A pioneira da arte-educação no Brasil, Ana Mae Barbosa, é a próxima entrevistada. Dia 25/5 às 18h30.

Imagem de divulgação da plataforma Mit+ (Foto: Divulgação)

INSCREVA-SE
Seminário de Internacionalização das Artes Cênicas Brasileiras
Voltado para profissionais da cultura e do teatro, a terceira edição do seminário organizada pela MIT+, plataforma da Mostra Internacional de Teatro, tem como foco o debate sobre a produção de artes cênicas e as políticas públicas para a cultura nestes tempos de crise. O seminário reúne artistas, pensadores, produtores, gestores públicos com o objetivo de construir uma nova agenda para a cena teatral e debater as possibilidades da linguagem na pandemia e pós-pandemia. Gratuito. Inscrição a partir de 18/5.

Capa de Atlas (Foto: Divulgação)

LANÇAMENTO
Atlas do Corpo e da Imaginação
Neste inigualável Atlas, o escritor português Gonçalo M. Tavares atravessa a filosofia, a literatura, o pensamento e todas as formas de arte, para tratar de temas como identidade, tecnologia, morte e relações amorosas. Como uma enciclopédia, o autor mapeia e põe ordem à confusão do mundo com verbetes que se friccionam com fotoperformances do coletivo Os Espacialistas. Editado pela primeira vez no Brasil pela Dublinense. Capa dura R$159,90. 528 páginas.

Tom Zé (Foto: Divulgação)

Tom Zé, o Último Tropicalista
Escrito pelo jornalista italiano e pesquisador de música brasileira, Pietro Scaramuzzo, a primeira biografia oficial de Tom Zé percorre a trajetória da vida e da obra do artista. O volume conta com um texto introdutório do próprio Tom Zé e um prefácio do ex-líder dos Talking Heads, David Byrne, que participou ativamente de sua carreira internacional. Para comemorar, as Edições Sesc promovem live de lançamento com a presença do músico. No YouTube do Sesc Pinheiros. Amanhã, 20/5, às 19h.

O Profundo Silêncio das Coisas Mortas (1988), de Rafael França (Foto: Divulgação)

Rafael França: Réquiem e Vertigem
Com curadoria de Verônica Stigger e da Galeria Jaqueline Martins a exposição homenageia o importante videoartista Rafael França. Obras produzidas entre 1982 e 1991 estabelecem interlocução com outros artistas e escritores vertiginosos de sua época como Robert Mapplethorpe, Luiz Roque, Caio Fernando Abreu, Ana Cristina César e Roberto Piva. O diálogo atravessa o tempo-espaço e chega aos dias atuais, quando Bruno Mendonça apresenta, na abertura da exposição, a peça Ornitorrinco. A peformance será presencial, com transmissão pelo Instagram, em 22/5 às 16h. A mostra segue até 31/7.

 

 

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