Agenda do fim do mundo (27/10 a 3/11)

45ª Mostra Internacional de Cinema, mostra sobre memórias do MariAntonia e outros destaques da semana

Da redação

Publicado em: 27/10/2021

Categoria: Agenda, Destaque

Guevara, Vivo ou Morto…, de Claudio Tozzi

“Mesmo quando não percebemos, vivemos em colaboração multiespécie dentro do nosso próprio corpo e os fungos são parceiros de jornada. Além disso, os cogumelos também são seres da decomposição, por isso parecem ser os companheiros ideais para a compostagem dos “lixos” orgânicos metafóricos, tão necessários em processos de transformação. Como escreve o coletivo Gestos Rumo a Futuros Decoloniais, no contexto de criação coletiva de trabalhos experimentais para educação: “compostar merdas” juntos, e criar sensibilidades para ativar outros modos de acessar alegrias pessoais e coletivas.”
Maria Clara Parente, em Ser Junto: Experimentos Simpoiéticos Fúngicos – A arte de SašaSpačal

 

ABERTURAS
MemoriAntonia: Por Uma Memória Ativa a Serviço dos Direitos Humanos
Em 3/11, o Centro Maria Antonia da USP inaugura mostra que recupera a memória da ditadura brasileira e evidencia cicatrizes de resistência. A coletiva cria um espaço de recordação do passado ditatorial, que permite contextualizar os fatos da assim chamada Batalha da Maria Antônia, ocorrida em outubro de 1968. A partir disso, obras de diversos artistas visuais, como Carlos Zilio, Cildo Meirelles, Claudio Tozzi, Fúlvia Molina, Jaime Lauriano, Laís Myrrha, Rafael Pagatini e Giselle Beiguelman, são apresentadas ao lado de documentos e documentários sobre a época. A curadoria, de Márcio Seligmann-Silva e Diego Matos, também apresenta imagens do fotógrafo Hiroto Yoshioka, que registrou o enfrentamento. “A intenção é produzir um movimento crítico neste momento, em que a democracia está tensionada no Brasil e as forças conservadoras ganham terreno”, conta a diretora do Ceuma, Lucia Maciel Barbosa de Oliveira. A mostra conta com projeto de acessibilidade, audioguia descritivo e vídeos legendados. 

Auditório Cinemateca do MAM | Foto Vicente de Mello

Cinemateca MAM-Rio
Fechada desde março de 2020, a Cinemateca reabre nesta quinta, 28/10. Com um dos mais relevantes arquivos audiovisuais da América Latina, é um centro de referência do cinema brasileiro e mundial. A mostra Dante 700 Anos é inaugurada para celebrar a reabertura e a figura de Alighieri. Buscando olhar para a relação entre o autor italiano e o cinema, diversos trabalhos que abordam sua vida e obra são apresentados, como animações, curtas e longa-metragens.

A Piscina (1999), de Leandro Erlich | Foto Guyot/Ortiz

EXPOS
A Tensão, de Leandro Erlich
“O título, de nome explícito e sonoramente ambíguo, revela um dos prováveis sentimentos que os visitantes sentem diante das instalações do artista. Isso porque Erlich trabalha com referências que são, literalmente, ‘lugares-comuns’, espaços que estamos acostumados a ver no dia a dia, mas deslocados da condição de normalidade”, escreve Marcello Dantas, curador da mostra. O CCBB BH apresenta um conjunto de 20 obras de grandes dimensões do artista argentino, desde um barco e elevador flutuantes, janelas para jardins imaginários e até uma piscina em que o visitante fica submerso sem medo de se afogar. Conhecido por despertar curiosidade, reflexão, tensão e a atenção ao público, a produção de Erlich é estruturada no mecanismo da dúvida, do questionamento dos sentidos em desacordo com a mente, posicionando o espectador em situações banais do cotidiano com ilusões óticas, como em A Piscina (1999) e Classroom (2017). Reservas pelo site do CCBB. Em cartaz até 22/11.

Instalação de Maurício Adinolfi | Foto Divulgação

Caronte 7 Voltas, de Maurício Adinolfi
A instalação do artista, localizada no Beco do Pinto, coloca em xeque o desenvolvimento urbano da área central de São Paulo. A obra recupera e bombeia água da nascente do Rio Tamanduateí, que se encontra embaixo da construção histórica do Solar da Marquesa, para discutir as modificações realizadas na região e a situação de aterramento dos rios na cidade. Esse trabalho, vencedor do edital Premiação por Histórico de Realizações em Artes Visuais do ProAC, faz parte de uma longa pesquisa de Adinolfi sobre as estruturas náuticas históricas, o deslocamento das embarcações na paisagem, sua ressignificação simbólica e as questões temporais ligadas à memória e constituição urbanística. No Museu Cidade de São Paulo (Beco do Pinto). Até 20/03/2022.

Vista de Passageirxs, de Sonia Guggisberg | Foto Sonia Guggisberg

Sonia Guggisberg
A artista suíço-brasileira ocupa espaço do Sesc Jundiaí com trabalhos inéditos, propondo reflexão sobre o período de clausura e introspecção trazido pela pandemia. O público pode ver de perto o painel Passageirxs, projetado na fachada da instituição, compondo um mosaico de imagens que transforma o espaço em um grande aquário de sombras. Já a videoinstalação RE_educação, conta com dupla projeção em loop emitindo reflexões, imagens e palavras que pulsam junto com uma construção sonora de imagens, enfatizando a necessidade de se pensar novas estratégias de vida. Agendamentos pelo aplicativo Credencial Sesc SP ou pelo site da instituição. Até 20/3/2022.

Vista do Salão de Jogos, com obras de Mariana Soares Rodrigues, Ariel Ferreira e Marconi Drummond | Foto Leonardo Finotti

Outras Habitabilidades
A mostra, com curadoria de Marconi Drummond e Carlos Teixeira, propõe ativar os ambientes do Museu Casa Kubitschek por meio da inserção de novos objetos, produzindo diálogos com a arquitetura residencial. “A ideia central é integrar o mobiliário do museu com a arte indígena, do design, esculturas e de artistas contemporâneos comissionadas para o local”, escrevem os curadores. Dentre os artistas e arquitetos presentes estão Nino Cais, Nydia Negromonte, Vik Muniz, Lina Bo Bardi, Lucio Costa, Detanico e Lain e Grupo Poro, entre outros. A coletiva evidencia outras contradições ao mostrar, de forma não-hierárquica, o moderno e o popular, o erudito e o espontâneo, o projetado e o incontingente. Em cartaz no Museu Casa Kubitschek, Belo Horizonte, até junho de 2022.

Foto Isabella Matheus/Pinacoteca

John Graz: Idílio Tropical e Moderno
A Pinacoteca Estação apresenta cerca de 155 itens da trajetória do artista suíço, um dos mais importantes nomes do modernismo no Brasil, com foco em seus trabalhos com temática indígena e popular brasileira. “Ainda que não seja possível precisar o que despertou o seu interesse pela temática indígena, podemos perceber que as representações são marcadas por uma concepção romantizada do tema, assim como uma ideia de forma ‘primitiva’, refletida no alongamento das figuras, nas extremidades ora pontiagudas, ora compactas, de seres humanos, animais e plantas”, escreve Fernanda Pitta, curadora da mostra. A exposição acontece no ano que antecede o centenário da Semana de Arte Moderna, da qual o artista participou. Reservas pelo link. Até 31/1/22.

Divulgação

ONLINE
Encontro Internacional de Arte, Memória e Mídia
Na próxima quarta-feira, 3/11, a PUC-SP realiza a mesa de abertura da primeira edição do evento, que acontece até sábado, 6/11. O encontro reúne pesquisadores do circuito brasileiro e internacional que estão na ponta da discussão da curadoria, pensamento decolonial e tecnologias culturais. São apresentadas quatro conferências, cinco debates, um fórum de debates e 4 performances, uma a cada dia do evento. As conferências contam com a participação de Ayrson Heráclito, Márcio Seligmann-Silva, Norval Baitello Jr. e Lúcia Santaella. As performances, de Tania Fraga, Dani Dini, Dudu Tsuda, grupo Cinema e Capim Novo, são realizadas ao final de cada conferência. Inscrições pelo link. Transmissão pelo canal do Youtube do grupo. 

Arte de Mulambö para o episódio #1 | Foto Divulgação

Risca Faca – Arte Por Quem Faz
Nesta quinta, 28/10, o Goethe-Institut São Paulo lança podcast sobre arte contemporânea composto por seis episódios semanais e temáticos, com depoimentos e áudioperformances  inéditas. A curadoria de Brisa de la Cordillera, Ian Wapichana, Ivy Souza, Juliana Prado Godoy e  Luisa Puterman, questiona: “Como transformar o ouvido em uma ferramenta de investigação artística?”. Os episódios são possíveis respostas a essa pergunta, buscando trilhar novos caminhos de experiência sonora para dialogar e refletir sobre arte. Como convidados, estão Beth Beli, Carlos Papá, Castiel Vitorino, Denilson Baniwa, Keyna Eleison, Martinha do Coco, Musa Michelle Mattiuzi, Priscila Duque,  Sallisa Rosa, Valéria da Congada, entre outros. “A ideia é fazer a costura entre vivências anticoloniais e arte, na retomada de territórios narrativos com celebração e afeto. É o encontro entre artistas de diferentes universos para experimentar novas perspectivas, formas e linguagens sobre a arte e através da arte”, explica Debora Pill, coordenadora de programação cultural do instituto. Disponível nas plataformas de audiostreaming e no site  www.goethe.de/brasil/riscafaca.

Divulgação

CINEMA
45ª Mostra Internacional de Cinema
Nesta edição híbrida do evento, são exibidos 264 títulos de mais 50 países. A seleção faz um apanhado do que o cinema contemporâneo mundial tem produzido, além de apresentar tendências, temáticas, narrativas e estéticas atuais. “A mostra esse ano está ainda mais emocionante, será o primeiro grande festival de cinema presencial do Brasil”, afirma Priscila Rosário, da Fênix Filmes. Longas-metragens como Listen, de Ana Rocha de Souza, que levou seis prêmios no Festival de Veneza de 2020; o documentário A Távala Rocha, de Samuel Barbosa, sobre o processo criativo de Paulo Rocha, um dos fundadores do Cinema Novo português, homenageado da mostra; e A Arte da Memória, documentário de Rodrigo Areias sobre o processo criativo de Daniel Blaufuks, Pedro Bastos e José Rufino, são alguns exemplos das obras oferecidas ao público. Programação completa no site da mostra. Até 3/11.

Série Especular (2021), de Larissa Camnev

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Lux – Espaço de Arte
Fique de olho na programação de cursos online do mês de novembro. Ministrado pela artista Larissa Camnev, Práticas com Objetos Vestíveis: Experimentações e Referenciais propõe espaços de atravessamento e compartilhamento a partir de ações e referências. De 11/11 a 16/12, das 19h às 21h. Arte Ciborgue: uma Investigação Entre as Fronteiras do Digital e Analógico, com Céu Isatto, apresenta exemplos das possibilidades e potencialidades trazidas pelos meios digitais e analógicos. De 12 /11 a 17/12, 19h às 21h. E Aquarela Cotidiana: Um Diário de Desenhos, com Teresa Berlinck, consiste na produção de um diário de desenhos durante 56 dias. De 26/11 a 28/01/22, das 15h às 17h. Inscrições pelo link.

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