Agenda do fim do mundo (28/7 a 4/8)

Aline Bispo, Alexandre Ignácio Alves, Schwanke e Encontros Ameríndios são alguns dos destaques da semana

Da redação

Publicado em: 28/07/2021

Categoria: Agenda, Destaque

Pinturas de Aline Bispo (Foto: Divulgação)

“Durante os quatros primeiros anos de funcionamento do Bahserikowi, percebemos que a maioria dos não indígenas que chega até o local busca a imagem do pajé teatralizado, comum em espetáculos artísticos e festivais folclóricos no Amazonas, mas, ao se depararem com os kumuã (pajés) que fisicamente não estão adornados e tampouco com performances estereotipadas, os não indígenas sentem-se desacreditados. Por outro lado, sobre a cena teatral do Amazonas, é comum encontrar em espetáculos de diversas linguagens o indígena sendo interpretado de forma folclorizada pelo não indígena em cena. Por isso, ficou evidente que a teatralização do indígena é uma ferramenta de construção imagética do arquétipo sobre o que é o indígena e quando essa construção é feita de forma estereotipada, o indígena tem a sua realidade de luta cosmológica e política enfraquecida”
João Paulo Barreto Yepamahsã e Luiz Davi Vieira Gonçalves, em Teatro e Povos Indígenas: O Perigo da Folclorização

EXPOSIÇÕES
A Medicina Rústica: Pinturas de Aline Bispo
Você conhece as obras de arte de Aline Bispo da capa de Torto Arado, livro de Itamar Vieira, e das colunas de Djamila Ribeiro, no jornal Folha de S.Paulo. Que tal ver suas pinturas ao vivo? “A Medicina Rústica convida-nos a participar de uma experiência afro-diaspórica contemporânea (e ancestral) investigada e vertida em imagens pelo filtro poético da artista. A conjuntura que dá ensejo à primeira exposição de Aline Bispo está revestida de importância que transcende e ao mesmo tempo confirma as qualidades dessa mostra. De fato a artista também é uma protagonista desse momento extraordinário na história recente da arte contemporânea brasileira, já que nunca como agora a sensibilidade afrodiaspórica recebeu a atenção que mais do que merecidamente tem despertado”, escreve o curador da exposição, Claudinei Roberto Silva. Em cartaz na Luis Maluf Galeria de Arte, em São Paulo.

Obras de Alexandre Ignácio Alves instaladas no Vale do Anhangabaú (Foto: Cris Ameln/ Divulgação)

Olhares na Linha de Frente, de Alexandre Ignácio Alves
A mostra, que abriu domingo no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, é pensada como uma ode aos profissionais que estão lutando contra o coronavírus. Uma série de retratos, realizados em aguada de acrílica sobre compensado naval de grandes dimensões, foca em 8 pessoas de duas instituições paulistanas, o Hospital Emílio Ribas e o Instituto Butantan. São 4 personagens de cada espaço, sendo que as do Emílio Ribas abrangem profissionais de diversos setores, e as do Instituto Butantan retratam pessoas que trabalharam especificamente no processo de pesquisa, desenvolvimento, produção, envase e qualidade da vacina do Butantan contra a Covid-19. A enfermeira da UTI do Hospital Emílio Ribas, Mônica Calazans – a primeira pessoa vacinada no Brasil em 17 de janeiro de 2021, também foi retratada. Em cartaz até 18/10

Vista da exposição (Foto: Ricardo Perini/ Divulgação)

Schwanke, uma Poética Labiríntica
Últimos dias para visitar a retrospectiva do artista catarinense no Museu Oscar Niemeyer. “A obra de Schwanke (1951-1992) é um campo de inquietação e desassossego e se constitui em um verdadeiro labirinto. Entrar em sua obra é um convite a percorrer caminhos que oferecem diversas linguagens e, quando acreditamos encontrar a saída, não passa de novas sendas para outras rotas, outras paragens e novos sentidos”, Maria José Justino, curadora da mostra. Entre as décadas de 1970 e 1980, Schwanke produziu vigorosamente, deixando um legado composto por cerca de 5 mil peças entre desenhos, pinturas, instalações, esculturas e projetos que resultaram em inúmeras exposições. No recorte curatorial de Justino estão trabalhos nunca expostos em Curitiba, onde o artista viveu e estudou entre 1970 e 1985. Por sua originalidade, por um pensamento sofisticado, pelo uso de materiais ordinários do cotidiano (baldes, bacias, mangueiras, grampos de roupa, etc.), energia elétrica (na obstinada pesquisa do claro-escuro, criou sete obras; Cubo de Luz – Antinomia integrou a 21ª Bienal Internacional de São Paulo, em 1991), ele é apontado com um dos mais importantes de Santa Catarina. Muitos o conhecem pelos chamados Linguarudos, pinturas que o consagraram nos anos 1980, também presentes na mostra do MON. Até domingo, 1/8.

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Encontros Ameríndios
Abre neste sábado, 31/7, às 10h30, com a coordenação de Sylvia Caiuby Novaes e curadoria de Aristoteles Barcelos Neto, a exposição em torno das possibilidades de diálogo a partir do encontro entre as artes dos povos indígenas Haida e Tahltan (Canadá), Guna (Panamá), Shipibo Konibo (Peru) e Huni Kuin (Brasil). Por meio de reflexões e ações educativas, a mostra propõe estimular e ampliar o conhecimento sobre os povos originários e suas artes, apresentando diferentes comunidades, filosofias e cosmovisões existentes, trazendo convergências e desafios que tornam os mundos ameríndios reconhecíveis e comunicáveis entre si. A curadoria da exposição foi pensada a partir das biografias e produções dos artistas indígenas, tendo como princípio o protagonismo de seus autores. A exposição conta com pinturas, desenhos, arte digital, bordados e entalhe em madeira de diversas figuras do cenário artístico indigêna, como o Coletivo MAHKU Huni Kuin, da Terra Indígena Alto Rio Jordão, no Acre (Brasil); Shipibo-Konibo Olinda Silvano, Wilma Maynas, Silvia Ripoca, Ronin Koshi Arias Silvano e Dora Inuma Ramírez do Alto Ucayali e da Comunidade de Cantagallo em Lima no Peru, entre outros. No Sesc Vila Mariana, até 13/2/2022, com agendamento prévio pelo link www.sescsp.org.br/exposicoes.

Minha Efêmera (1980), de Manuel Messias dos Santos, xilogravura exposta na coletiva Cosmografias (Foto: Divulgação)

INSCREVA-SE
Edital para Jovens Artistas do RIDE-DF e Cosmografias
Com o objetivo de incentivar a prática artística entre jovens talentos fora do eixo Asa-Sul – Asa-Norte, a Galeria Index, em parceria com o Instituto Sabin, lança o edital para jovens artistas do RIDE-DF (Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal). Além de mentoria artística e profissional, os artistas selecionados participarão de exposição coletiva na Galeria Risofloras (Ceilândia). Dando continuidade à sua participação no cenário cultural de Brasília, a galeria exibe a coletiva Cosmografias, com curadoria de Clarissa Diniz. A exposição, em cartaz até 7/8, toma de empréstimo o título de uma série de monotipias de Cecília Lima que foram gravadas no asfalto de Brasília. “Ainda que se assemelhe às imagens galácticas que conhecemos, o trabalho não é somente uma evocação visual do universo, mas uma ação de impregnação nos movimentos cósmicos que prosaicamente nos constituem”, afirma a curadora. Entre os artistas estão também Antonio Banderas, Lucio Fontana, Montez Magno, Capra Maia, e Ludmilla Alves. O edital tem inscrições abertas até sábado, 31/7, pelo endereço https://edital.galeriaindex.com/

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Oficina de Grafismo e Simbolismo Indígenas com Denilson Baniwa
As populações indígenas mantiveram por séculos suas tradições de pinturas corporais e decorativas usando pigmentos encontrados na natureza. Os desenhos gráficos e as narrativas a partir deles contribuem para que a cultura se mantenha viva ao longo dos tempos. Entender os simbolismos e o momento da criação dos grafismos é importante para que possamos compreender uma parcela da cultura indígena. O Núcleo de Educação do Museu Afro Brasil convida o artista Denilson Baniwa para uma oficina sobre grafismos e simbolismos indígenas para discutir a diversidade de padrões gráficos, seus significados, os povos indígenas e seus grafismos, convidando os participantes da oficina à construção de um grafismo. Dia 3/8, às 18h, via Zoom. Inscrições pelo formulário neste link.

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ON-LINE
Capitalismo de Vigilância e/ou Cidadania Planetária
O terceiro encontro do ciclo proposto por Lucia Santaella como titular da Cátedra Oscar Sala visa fomentar, orientar e patrocinar o intercâmbio multidisciplinar entre os saberes de áreas diversas para fortalecer e cultivar o conhecimento sobre a internet, seu funcionamento, suas aplicações e suas ferramentas. Iniciativa do Instituto de Estudos Avançados da USP em parceria com o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), o encontro discute como a vigilância poderia ser tão nefasta até o ponto de impedir o exercício da cidadania, inclusive da condição expansiva atual de uma cidadania planetária? Participam deste debate Lucia Santaella, Eugênio Bucci, André Lemos e Massimo di Felice. Dia 30/7, 15h às 17h. Transmissão pública e gratuita do evento em www.iea.usp.br/aovivo

Capa da edição #38 (Foto: Divulgação)

Live de Lançamento da Serrote #38
A revista de ensaios do Instituto Moreira Salles realiza hoje, às 18h, debate sobre os impactos do tráfico negreiro na formação da sociedade brasileira, com a presença de Ynaê Lopes dos Santos e do artista Arjan Martins, ambos participantes desta edição da revista. A nova serrote reúne ensaios da artista e escritora cubana Coco Fusco, sobre a descolonização dos museus, da historiadora Ynaê Lopes dos Santos, a respeito das heranças do tráfico negreiro, e do jornalista Bruno Paes Manso, sobre as influências do milicianismo na política brasileira. O evento de lançamento será gratuito e transmitido pelo canal do YouTube do IMS e pelo Facebook da revista.

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Festival Seres-Rios
Com mais de 80 convidados, o Festival Fluvial Seres-Rios, lançado pelo BDMG Cultural, promove encontro entre Ailton Krenak e Marisol de la Cadena, grandes pesquisadores dos povos originários da América Latina e do meio ambiente, que discutem os rios sob a ótica do antropoceno. O debate acontece durante a abertura do evento, segunda-feira, dia 2/8, às 19h, com mediação de Ana Gomes. O festival, todo em formato online, dedicado a ouvir e falar com os rios, ocorre de 2 a 10/8, e reúne música, artes visuais, cinema, palestras e atividades educativas, acessível por meio da plataforma.

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Curta em Francês
As mostras de curtas-metragens franceses do CineSesc têm ganhado cada vez mais público! Novas produções acabam de chegar à plataforma gratuita do Sesc Digital: são 13 curtas selecionados, que têm como pano de fundo os espaços urbanos e a arquitetura. Nomes como Jacques Tati e Maurice Pialat estarão presentes na programação desta mostra, organizada pela Aliança Francesa Brasil em parceria com o Sesc São Paulo e apoio da Embaixada da França no Brasil, da Wallonie-Bruxelles International, do Institut Français Paris e da Agence Française du Court-métrage. Até 21/8.

Entre Dois (Foto: Luciana Ponso/ Divulgação)

DANÇA
Entre Dois
Em parceria entre o festival 19º Dança em Trânsito e o Museu de Arte do Rio, a “intervenção dançada” criada especialmente para a exposição Imagens Que Não Se Conformam, em cartaz no MAR, acontece neste sábado, 31/7. O título da obra, Entre Dois, alude às relações estabelecidas entre a dança e o espaço; entre as obras e os artistas; entre a história e os movimentos. A apresentação de 20 minutos reúne a coreógrafa Flávia Tápias e os performers convidados Renata Barcellos e Jorge Ferreira, com figurinos assinados por Luiza Marcier e Olívia Lodi. A intervenção será registrada pela artista Luciana Ponso para apresentação, em formato videodança, na 19ª edição do Dança em Trânsito, em novembro. Entre Dois será apresentada em três horários no sábado, 13h, 15h e 17h.

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FÉRIAS
Osesp e Giancarlo Guerrero
A Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo encerra o mês de julho na companhia do maestro costa-riquenho Giancarlo Guerrero. Juntos, eles fazem um programa 100% latino-americano, com obras do porto-riquenho Roberto Sierra (Fandangos) e do venezuelano Antonio Estévez (Mediodía en El Llano), além da Sinfonia Buenos Aires, obra da juventude de Astor Piazzolla. “Este programa é especial porque reúne três compositores fabulosos da América Latina. Fandangos, de Roberto Sierra, é uma peça salpicada de muitas cores orquestrais e envolventes ritmos de dança espanhola. Mas sobre essa energia rodopiante há uma reviravolta sinistra e surpreendente, que é a cara do século 21. Melodía en El Llano, trabalho de um compositor muito jovem (Antonio Estévez tinha apenas 26 anos quando criou a composição orquestral), é um breve poema tonal que captura a quietude e o calor das planícies venezuelanas exatamente ao meio-dia. Seu andamento é lento e o humor, calmo. Mas, dentro desse silêncio, Estévez escreve com grande imaginação para os instrumentos de sopro”, afirma Giancarlo Guerrero. Os concertos acontecem de 29 a 31/7 na Sala São Paulo e, no domingo, 1/8, no Festival de Campos do Jordão, desta vez com transmissão ao vivo no YouTube do Festival.

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Era Uma Zine
Números recentes do fanzine eletrônico feito especialmente para o público infantil pela Biblioteca Pública do Paraná estão no ar. A edição 60 traz Vazio, história de Everton Leite, e uma proposta de atividade para fazer em casa inspirada no livro Tentativa de Esgotamento de um Local Parisiense, do escritor francês Georges Perec. Na edição 64, Tempo e Matéria, de Luana Mello, a proposta da atividade pensa o corpo e o espaço a partir do trabalho de Laura Vinci. Dengo, título dado à edição 68, assinada por Lais dos Santos Silva, propõe atividades relacionadas à memória afetiva do leitor em diálogo com trabalhos da artista visual Aline Motta.

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