Agenda do fim do mundo (8 a 15/9)

Edição especial da agenda destaca os highlights da ArtRio e as mostras paralelas nas instituições e galerias cariocas

Da redação

Publicado em: 08/09/2021

Categoria: Agenda, Destaque

Vista do stand da Galeria Estação na ArtRio 2021 (Foto: Divulgação)

“A origem da destruição profunda e em escala global não está em algum elemento “antropogênico” (ou antropológico), mas no fim-em-si da máquina produtiva capitalista, que precisa fazer de dinheiro mais dinheiro utilizando a matéria-prima natural como parte integrante de sua dinâmica fetichista. (…) A transformação de capital em mais capital, que domina toda a vida sob o Sol com o mercado globalizado, precisa aumentar a transformação da matéria física para dar continuidade a essa grande indústria de processamento humano e natural que é a “forma social do capital” (Marx). Para esse processamento se exige mais energia humana abstrata na forma de trabalho, mas também mais energia natural em forma física. Em sua esmagadora maioria, seja como o fogo quente de motores à explosão movidos por combustível fóssil ou como o fogo luminoso de motores elétricos, a energia que move essa máquina tem por efeito a emissão de gases de efeito estufa (principalmente o dióxido de carbono da queima do combustível, o metano da decomposição da matéria orgânica nas grandes represas hidrelétricas e o óxido nitroso da agricultura industrializada com seus fertilizantes químicos). O resultado é que a humanidade, sob o regime de produção incessante de mercadorias, aquece o mundo efetivamente através do uso desenfreado de uma energia que prende mais luz solar numa atmosfera progressivamente mais espessa.”
Maurillio Botelho, em Planeta em Chamas: Como a Crise Capitalista Aprofunda o Colapso Ambiental 

ESPECIAL ARTRIO
ArtRio 2021
A 11ª edição da feira, que abre amanhã, 9/9, ao público, reúne mais de 50 galerias de todo o Brasil e do exterior, e, neste ano, acontece presencialmente na Marina da Glória, mantendo seu braço virtual, na plataforma ArtRio Online. Os programas Panorama e Vista contemplam galerias estabelecidas e mais jovens no mercado, respectivamente. A programação está recheada de encontros e diálogos imperdíveis, como é o caso da conversa Da Arte Contemporânea à Pré-História da Arte, com a artista Anna Bella Geiger e Roched Seba, do Instituto Vida Livre, que ocorre online, amanhã, às 13h. Reserva de ingressos para visitar a feira pelo site https://artrio.com. Até domingo, 12/9.

Moscaglia (2020), de Regina Silveira (Foto: Divulgação)

Edições seLecT
A série Receita de Arte é um projeto de múltiplos que une o melhor da arte contemporânea à valorização cultural do jornalismo de arte independente. Obras com tiragem de 25 exemplares de Regina Silveira, Paulo Bruscky, Muntadas & Miralda, Carmela Gross, e Jorge Menna Barreto & Joelson Bugila podem ser adquiridas individualmente ou, em conjunto, no Envelope Receita de Arte. Além de apoiar o jornalismo cultural, o visitante do stand virtual da revista seLecT adquire múltiplos de grandes nomes da arte brasileira (e catalã, no caso da dupla Muntadas & Miralda) a preços especiais. Visite a seLecT na plataforma ArtRio Online e adquira também, no app da revista, a edição atual, #floresta_comunidades: um mergulho nos temas de arte e natureza, resistência e protagonismo indígenas, artistas e ativistas do Norte do Brasil, as vozes incontornáveis para pensar a decolonização e a demonumentalização hoje.

Divulgação

OASIS Espaço Cultural
Idealizado por Rodrigo Magalhães, Sonia Salcedo del Castillo e Neno del Castillo, o espaço é dedicado à pesquisa e experimentação artística. Constitui-se como uma plataforma transdisciplinar com o objetivo de oferecer ao público uma rede de intercâmbio entre artistas, curadores e demais agentes do meio de arte. Durante a ArtRio, acontecem as Performances na Vitrine, do projeto Tríade, uma ocupação de Clarisse Tarran, Eduardo Mariz e Pedro Paulo Domingues. Em seguida, a exposição Nômada reúne obras de Andreia Evangelista, Antonio Bokel, Clarice Rosadas, Franklin Cassaro, Inês Cavalcanti, Marcos Abreu, Marcos Chaves, Neno del Castillo, Suely Farhy, Thainan Castro, Victor Arruda, entre outros, cujas produções lidam com discussões sobre imagem e imaginação. Abertura 21/9. Visita sob agendamento.

Obra de Monica Ventura (Foto: Divulgação)

Rede Nami
Fundada por Panmela Castro, a organização está presente na 11a edição da feira com um conjunto de obras político-ativista produzidas por artistas mulheres, periféricas, não-brancas, com deficiência, trans e travestis. Obras de artistas como Adriana Varejão, Crislaine Tavares, Cynthia Dias, Day Rosa, Jaime Lauriano, Joyce Candeia, Moisés Patrício, Panmela Castro, Vivian Caccuri e Yedda Affini. Destaque para Luz Negra, obra de Monica Ventura, e Retrato de Ana Elisa, acrílica sobre tela de Juliana de Oliveira. Catálogo de obras disponíveis via https://artrio.com/galleries/view/rede-nami

Jajevy ju nhane retã imarã va’e he’yn va’e apy (De Volta pra Casa), de Xadalu Tupã Jekupé (Foto: Divulgação)

Inclusartiz
Pela primeira vez, o Instituto marca presença na feira carioca. O estande traz informações sobre sua trajetória, desde a fundação, em 1997, passando por exposições e momentos importantes nas últimas duas décadas, até a inauguração da nova sede, agora em 2021, na Gamboa, Zona Portuária do Rio de Janeiro. Maxwell Alexandre, Manauara Clandestina e Xadalu Tupã Jekupé, entre outros, têm obras expostas no stand.

O Sacudimento da Maison des Esclaves em Gorée – Díptico I (2015), de Ayrson Heráclito (Foto: Divulgação)

EXPOSIÇÕES
Yorùbáiano, de Ayrson Heráclito
Com curadoria de Marcelo Campos, a mostra individual do artista baiano chega ao MAR. Ocupando duas galerias do museu, a exposição reúne fotografias, vídeos, instalações e objetos que evidenciam a cultura Yorubá. Artista visual, curador e professor, Heráclito lida com elementos da cultura afro-brasileira, explorando em suas obras temas relacionados à vida no Brasil-Colônia. “Sua produção descentraliza os discursos sobre as heranças afro-brasileiras muito pautadas no Sudeste e, ao mesmo tempo, assume um lugar de pesquisa e produção que hoje se internacionaliza”, conta o curador do Museu de Arte do Rio. Em cartaz até 12/21.

Paridade (2019), de Gê Viana (Foto: Divulgação)

Exposições Prêmio PIPA
O Instituto PIPA convida para três exposições no Paço Imperial, na Praça XV, Rio de Janeiro, a partir de amanhã, 9/9. Na galeria Terreiro e no pátio central do museu, acontece a exposição dos quatro finalistas e igualmente vencedores do Prêmio PIPA 2020: Gê Viana, Maxwell Alexandre, Randolpho Lamonier e Renata Felinto. No mesmo piso, são apresentados os cinco artistas selecionados do Prêmio PIPA 2021: Castiel Vitorino, Denilson Baniwa, Ilê Sartuzi, Marcela Bonfim e Ventura Profana. Na galeria Praça dos Arcos, o Instituto PIPA mostrará algumas obras que adquiriu e comissionou nos últimos anos, assinadas por artistas contemporâneos brasileiros que fazem parte da história do Prêmio PIPA, como Aleta Valente, Ana Frango Elétrico, André Griffo, Barbara Wagner, Jaider Esbell e Yukie Hori + Inês Bonduki. 

Entidade tecelã vermelho fogo E.T.3, 2021, de Ernesto Neto (Foto: Divulgação)

O Beijo Vi de Só e Té Água e Fô e Outras Tecelá
Incluindo trabalhos inéditos, mostra de Ernesto Neto trata da inter-relação entre o céu e a terra, cerâmica e crochê, escultura e espaço. As novas obras se entremeiam à arquitetura da Carpintaria, onde o chão, a parede e o teto foram transformados, resultando em uma experiência imersiva. Neto percebe a escultura como um organismo vivo e transgressor, que se devora e se transforma constantemente e àqueles que a observam. Espaço Carpintaria, no Rio de Janeiro. Em cartaz até 23/10.

Nossa Dor Te Ama (não datado), de Manuel Messias (Foto: Jaime Acioli / Divulgação)

Do Tamanho Do Brasil, de Manuel Messias
A Danielian Galeria exibe 50 obras de diversos períodos da trajetória do artista sergipano, ativo participante do cenário artístico do Rio de Janeiro por mais de 30 anos. A exposição é o ponto de partida de um projeto que pretende “dar visibilidade e reconhecimento para a qualidade artística e poética da produção de Manuel Messias dos Santos”, escrevem os curadores Marcus Lontra e Rafael Peixoto. Dá-se destaque para o principal meio de trabalho do artista, a xilogravura, revisitando trabalhos como Minha Efêmera (s.t.), Nossa Dor te Ama (s.t.) e Your Life – M’fotogram (s.t.). Agendamento prévio via (21) 2522-4796 ou contato@danielian.com.br. Abertura em 10/9.

Fachada e jardim da Casa Roberto Marinho (Foto: Roberto Teixeira/ Divulgação)

Mostra Acervo
A Casa Roberto Marinho abre seu acervo e apresenta pinturas de diferentes artistas da arte brasileira. Obras de Alberto da Veiga Guignard, Antonio Bandeira, Candido Portinari, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Manabu Mabe, entre outros, ocupam o térreo do casarão até 19/9. São destaques da Coleção Roberto Marinho Espantalho (1940) e Santa Cecília (1954), de Portinari, e Flores com Fundo Azul (1950), de Guignard. Ainda, a instituição prepara para o mês de outubro uma grande exposição em torno da obra de Burle Marx, com obras clássicas e inéditas. 

Ruth de Souza (Vogue Brasil), 2021, de Elian Almeida (Foto: Pat Kilgore / Divulgação)

Antes – Agora – O Que Há de Vir, de Elian Almeida
A Nara Roesler Rio de Janeiro acaba de inaugurar a primeira individual do artista carioca, recém representado pela galeria. A exposição tem curadoria de Luis Pérez-Oramas e apresenta obras que resultam de desdobramentos da série Vogue. Apropriando-se dos signos da visibilidade instituídos pela famosa revista de moda, compõe pinturas em que mulheres negras são protagonistas das capas da revista, como Conceição Evaristo, Lélia Gonzalez, Esperança Garcia, Luísa Mahin, entre muitas outras importantes personalidades. Até 23/10. 

Divulgação

Vazar o Invisível
Idealizada por Ernesto Neto, Jefferson Barbosa e Oskar Metsavaht, mostra reúne obras de oito artistas, como Deize Tigrona, Filipe Cordon, Raphael Cruz e Rainha F. Por caminhos, propostas e estéticas distintas, as obras partem de territórios, pertencimentos e afetos. “A intenção é promover diálogo por meio da arte e provocar encontros”, escrevem as curadoras Camilla Rocha Campos e Raquel Barreto. No Studio OM.art. Em cartaz até 31/10.

Deslocamentos Continentais (2021), de Julia Arbex (Foto: Divulgação)

Mirantes
Na próxima quarta-feira, 15/9, às 17h, a Anita Schwartz Galeria de Arte realiza conversa aberta ao público sobre a mostra coletiva. Mediada pela curadora Fernanda Lopes, os sete artistas, Ana Sario, Bel Petri, Gabriela Machado, Julia Arbex, Lina Cruvinel e Rena, discorrem sobre o tema central da paisagem, observação e tempo, proposto a partir da pintura e o desenho. A mostra busca criar diálogos e aproximações entre as diferentes produções, explorando o papel da curadoria como o de “observatório de arquipélagos”. Vagas limitadas. Agendamento prévio pelo link https://calendly.com/galeria_anitaschwartz. Até 30/10.

Vista da exposição (Foto: Divulgação)

A Memória É uma Invenção
“Esta exposição é uma maneira de repensar patrimônio e memória, um desafio a inventar outras configurações do comum desde a instituição.” escrevem os curadores Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente. Como parte do projeto Legados Vivos, o MAM Rio reúne cerca de 300 obras sobre os processos de construção de patrimônio, legado e cultura comum. A mostra é resultado da junção com o acervo do Museu de Arte Negra/IPEAFRO e o Acervo da Laje, estabelecendo relações entre trabalhos de Abdias Nascimento, Heitor dos Prazeres, Anita Malfatti, Inimá de Paula, Lucio Fontana, Maria Leontina, Yara Tupinambá, entre outros. Ingressos pelo link www.mam.rio/ingressos. Em cartaz até 9/1/2022. 

O Bufálo – Da sequência A fauna Futurista das Aparelhagens de Tecnobrega (2021), de PV Dias (Foto: Divulgação)

Desarmonia
A crônica visual do movimento popular tecnobrega, com suas festas futuristas, e gigantescas aparelhagens cinéticas, é tema da primeira individual de PV Dias na Simone Cadinelli Arte Contemporânea. Pela primeira vez, o artista exibe pinturas digitais, sobre papel e sobre tela, e animações. No térreo da galeria estão reunidas pinturas da pesquisa recente sobre a visualidade do movimento tecnobrega e o tríptico Rasurando Fidanza (2021), com intervenções em três registros históricos do fotógrafo Felipe Augusto Fidanza. No segundo andar, encontram-se nove pinturas da série Festa Silenciosa, em que PV registra o cotidiano de sua família em contexto de pandemia. Curadoria de Aldones Nino. Agendamento via contato@simonecadinelli.com ou (21) 99842-1323 (WhatsApp). Até 26/11.

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