Agenda Para Adiar o Fim do Mundo (16 a 23/11)

Agenda especial Dia da Consciência Negra reúne eventos em torno do assunto, além de aberturas e outras dicas que você não pode perder

Publicado em: 16/11/2022

Categoria: Agenda

Dalton Paula (Residência Jandira) (2021), de Panmela Castro [Foto: Edouard Fraipont / Divulgação]

MÊS DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Quilombo: Vida, Problemas e Aspirações do Negro
A exposição, resultado da parceria entre Inhotim e o Ipeafro, parte conceitualmente do jornal Quilombo, publicado por Abdias Nascimento e editado pelo Teatro Experimental do Negro, que contou com 10 edições entre 1948 e 1950, propondo um resgate dos princípios da publicação. A mostra, em cartaz na Galeria Lago, a partir deste sábado, 19/11, traz obras de mais de 30 artistas, entre eles Panmela Castro, Rosana Paulino, Maxwell Alexandre, Desali, Kika Carvalho, Erica Malunguinho, Arjan Martins e Zéh Palito. Já na Galeria Fonte, obras de Jonathas de Andrade e da dupla Bárbara Wagner e Benjamin de Burca discutem a relação entre prática teatral, formação artística e cidadã e ativismo social. Intitulada O Mundo É o Teatro do Homem, o ponto de partida da mostra é o legado do Teatro Experimental do Negro (TEN), grupo fundado por Abdias Nascimento em 1944 e que se notabilizou por pautar o protagonismo negro e a denúncia do racismo nas suas ações. 

Escultura de Agnaldo Manuel dos Santos [Foto: Divulgação]

A Conquista da Modernidade, de Agnaldo Manuel dos Santos
A individual, em cartaz no Museu de Arte do Rio, reúne mais de 70 esculturas em madeira do artista baiano e seu esforço em subverter o lugar ao qual se pretendeu delimitar um artista que levava muito a sério seu ofício. “Até hoje, a sua produção vem sendo vinculada a uma conexão profunda com a África, sobretudo através do inconsciente e do atavismo”, escreve Juliana Bevilacqua, curadora da exposição. ”Agnaldo seria, dessa forma, um produto das ressonâncias africanas na diáspora, não importando o quão marcante foi a sua circulação no meio artístico e os contatos com outros artistas para a sua formação, nem os estudos e as múltiplas referências com as quais lidou ao longo da sua trajetória para realizar as suas obras. Ele se formou como artista no ateliê mais importante da Bahia na década de 1950, fez escolhas conscientes, subvertendo o lugar em que o colocavam”, finaliza. A mostra, com organização da Almeida & Dale Galeria de Arte, é composta por obras de museus e coleções privadas que resgatam seus múltiplos interesses nas formas, temas e referências, explorados em esculturas nos seguintes eixos: Esculpindo uma Trajetória, O Universo das Carrancas, Sobre Gente e Afeto, A África de Agnaldo e Entre Santos e Ex-Votos. Até 26/2/23. Entrada gratuita. 

Sarau das Pretas [Foto: Rafael Sappia/Divulgação]

Dia da Consciência Negra na Rede de Museus-Casas Literários
A Rede de Museus-Casas Literários de São Paulo, formada pela Casa das Rosas, Casa Mário de Andrade e Casa Guilherme de Almeida, apresenta em novembro atividades que abordam o protagonismo negro em diferentes linhas artísticas, como poesia, música e literatura. A Casa das Rosas oferece o curso online Introdução à Literatura Afrofuturista: O Futuro É Hoje, ministrado por Israel Neto, às quintas-feiras, nos dias 10, 17 e 24/11 e 1/12, das 19h às 21h. Para participar, inscreva-se aqui. Nas mesmas datas, a Casa Mário de Andrade realiza o curso online Construções do Imaginário Modernista da Independência: Monumentos e Estátuas em Debate, ministrado por Thais Chang Waldman, e Missão de Pesquisas Folclóricas, com Vera Cardim. Os interessados devem se inscrever no link. Confira a programação completa no site das instituições.

A Vitória Gloriosa (2018), de Maxwell Alexandre [Foto: Divulgação]

Pardo é Papel: The Glorious Victory and New Power, de Maxwell Alexandre
A exposição, em cartaz no The Shed, em Nova York, conta com obras da série Pardo é Papel, que tem como motivo principal a autoestima do negro, tratando de liberdade, marra, ostentação, vitória, bonança e empoderamento; e da série Novo Poder, feita para explorar a ideia da comunidade preta dentro dos templos consagrados para contemplação de arte: galerias, museus e feiras. Entendendo a arte contemporânea como um campo de elite que concentra um grande capital financeiro e intelectual, a série busca chamar atenção da comunidade preta para esses espaços que legitimam narrativas na história. A série trabalha apenas com três signos básicos, sendo eles o preto (personagens), o branco (“cubo branco” ou espaço expositivo) e o pardo (arte). Até 8/1/23.

Divulgação

18ª Mostra Internacional do Cinema Negro
Nos dias 18, 19 e 20/11, o Centro Cultural Fiesp oferece uma programação especial de atividades com palestras, debates, filmes, apresentações artísticas e homenagens em decorrência do Dia Nacional da Consciência Negra. Com criação e curadoria do professor Celso Luiz Prudente, o Sesi-SP participa, pela primeira vez, do evento, que chega a sua 18ª edição. Com o tema “O conhecimento para o cultivo da flor da paz de todas as cores, o ibero-ásio-afro-ameríndio no esforço da superação da contradição sociorracial que se configura na convenção do sol”, a programação do evento contempla filmes de longa e curta-metragem que serão exibidos na instituição, no Cine Petra Belas Artes, no Museu da Imagem e do Som (MIS) e na Universidade de São Paulo – USP. Confira a programação completa pelo link.

Vulto (2021), de Lucas Almeida [Foto: Divulgação]

Nonada
A partir deste sábado, 19/11, o Rio de Janeiro ganha uma nova galeria, dedicada a dar visibilidade à excelência da produção artística e local de pesquisa e debate plural. Dividida em dois espaços da cidade (em Copacabana e na Penha), a exposição inaugural reúne trabalhos de 32 artistas, de várias cidades brasileiras, que trabalham em diversos suportes, refletindo sobre temas atuais, como o racismo, questões políticas, sociais e de gênero, em uma grande pluralidade. As obras estarão em cartaz na mostra A Palavra: Prosa, em Copacabana, e A Palavra: Verso, em um galpão industrial na Penha. Texto crítico de André Vargas. 

Mini Scolopendridae Mobile, de Lyz Parayzo [Foto: Divulgação]

ABERTURAS
Parayzo, de Lyz Parayzo
Amanhã, 17/11, a Casa Triângulo inaugura a instalação inédita da artista e sua primeira individual na galeria. Desdobramento de Cuir Mouvement, mostra de diplomação da artista, que aconteceu em junho de 2022 na École Nationale Supérieure des Beaux Arts de Paris, acerca de sua pesquisa escrita sobre espaço, movimento e participação, a exposição se apresenta como um organismo de arquiteturas biológicas, em que cada uma de suas células se formam pela rotação de uma linha. A partir de uma nova coleção de jóias bélicas, escudos, armas, móbiles e um vídeo, onde a artista fabrica novos imaginários políticos para si mesma, Parayzo convida o público para transitar em um espaço que demanda atenção do espectador. 

Óculos De Okoto, de Keila Sankifa [Foto: Cayque Santana/Divulgação]

Um Século de Agora
No Itaú Cultural, mais de 70 obras em variados suportes, assinadas por 25 artistas e coletivos de 11 estados brasileiros, questionam noções de tempo, história, tradição e nação, no atual contexto brasileiro. Em curadoria conjunta, Júlia Rebouças, Luciara Ribeiro e Naine Terena de Jesus convidaram um grupo de interlocutores para discutir os conceitos da mostra e compartilhar referências artísticas dos brasis existentes: Fernando Velázquez, Juma Pariri, Larissa Lacerda, Nuttyelly Cena, Orlando Maneschy, Ué Prazeres e Uelinton Santana Santos. Um século de agora procura abrir terreno para ideias que atravessam a experiência de viver o ano de 22 do século XXI. Nos três andares do espaço expositivo da instituição, a mostra busca discutir a arte como instrumento na construção de “agoras” e importante elemento no mosaico da cultura brasileira. A partir de amanhã, 17/11.

En Vias de Desarrollo I (2022), de Sandra Gamarra [Foto: Divulgação]

Vias de Desarrollo [Em Desenvolvimento], de Sandra Gamarra
Na Galeria Leme, a individual da artista peruana, que abre em 23/11, traz obras inéditas ao Brasil. Em seu conjunto de trabalhos, Gamarra apresenta uma perspectiva crítica à permanência de relações e imaginários coloniais na atualidade. As três séries que compõem a mostra exploram diferentes concepções de mundo que coexistem nas Américas. Na série En Vias de Desarrollo [Em Desenvolvimento], que dá título à exposição, a artista realiza 10 releituras de obras de Albert Eckhout. Retratos e naturezas-mortas são pintados com óxido de ferro, conferindo tons terrosos à composição, e alguns detalhes, como os pés e mãos das figuras humanas, são feitos com tinta a óleo, sugerindo se tratarem de obras inacabadas. Suas obras foram consideradas durante muito tempo documentos oficiais, uma representação fiel da realidade brasileira. É este caráter documental que Gamarra tensiona em suas releituras. Ao aplicar diferentes tratamentos à pintura, a artista retira a veracidade que outrora fora concedida a estas imagens e as coloca em questão, denunciando o desenvolvimento e o progresso como narrativas, construções sociais, que, ao serem apresentadas como sinônimos da verdade, escondem concepções de mundo.

Conexão CEASA, de Thiago Nevs [Foto: Divulgação]

ÚLTIMOS DIAS
Sobre-Carga, de Thiago Nevs
Até 19/11, a Usina Luis Maluf, na Barra Funda, reúne um conjunto de 12 obras de produção recente, entre pinturas e instalações, do artista paulistano. São trabalhos que desvendam a pesquisa iconográfica do artista sobre o universo do caminhoneiro. Segundo a pesquisadora Cammila Ferreira, que assina a curadoria da exposição, a mostra é “uma reverência à cultura do caminhoneiro brasileiro, que ao longo de anos desenvolveu sua iconografia característica, uma espécie de manifesto estético-existencial no qual a arte vernacular ganha seu espaço enquanto obra de arte”. 

Divulgação

LITERATURA
Devir Indígena
Neste sábado, 19/11, das 16h às 18h, a Casa Museu Eva Klabin convida o público para o lançamento do catálogo da mostra, com obras de Denilson Baniwa e Gustavo Caboco, e curadoria de Marcio Doctors, que realizará sessão de autógrafos, e Paula Alzugaray. A edição do Projeto Respiração, que consiste em convidar artistas contemporâneos a intervirem no circuito expositivo da casa museu, criando uma ponte entre a arte consagrada do passado e as manifestações contemporâneas, fica em cartaz até domingo, 20/11.

Olhos de Lila, de Lenora de Barros [Foto: Bruno Leão/Divulgação]

NÃO PERCA
11º Leilão Anual – Edição especial 10 anos Pivô
O Pivô – Associação Cultural sem fins lucrativos com sede no Copan – realiza de 18 a 23/11 seu leilão anual, em edição comemorativa aos 10 anos da instituição, que nasceu em 2012. Mais de 130 artistas, em diferentes estágios de sua trajetória artística, realizaram doações de obras para o evento. Os trabalhos serão apresentados através do site leilaoanualpivo.org.br e os lances poderão ser dados ou programados durante todo o período. No dia 23 de novembro, a partir das 20h, acontecerá o pregão online, onde os participantes poderão realizar seus últimos lances. Este ano, o Pivô recebeu doações de obras de importantes artistas, entre eles: Mauro Restiffe, Luiz Roque, João Loureiro, Igi, Laura Lima, Gokula Stoffel, Erika Verzutti, Ernesto Neto, Leticia Ramos, Paloma Bosquê, Iran do Espírito Santo, Randolpho Lamonier, Juliana dos Santos, Daiara Tukano, Antonio Obá, Denilson Baniwa, Leda Catunda e Lenora de Barros, entre outros.

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