Agenda para Adiar o Fim do Mundo (17 a 24/8)

Em final de semana de esquenta pré-SP-Arte Rotas Brasileiras, seLecT destaca as principais aberturas na cidade

Da Redação

Publicado em: 18/08/2022

Categoria: Agenda, Destaque

I Am Still Alive (2022), de Dalton Gata [Foto: Divulgação]

ABERTURAS
Futurismo
Em colaboração com a galeria berlinense Peres Projects, a Mendes Wood DM traz a São Paulo a exposição coletiva que reúne obras recentes de Dalton Gata, Richard Kennedy, Paolo Salvador e Manuel Solano. O artista cubano radicado em Porto Rico Dalton Gata, criador de uma das visualidades mais perturbadoramente inventivas da atualidade, exibe duas pinturas de grandes dimensões infundidas de energia, povoadas por personagens que remixam conhecidos seus, cultura popular e paisagens densas, engendrando espaços híbridos em que o antropoceno se desestabiliza. A partir deste sábado, 20/8.

Jardim Imaginário, de Claudia Jaguaribe [Foto: Divulgação]

Quando Eu Vi a Flor do Asfalto, de Claudia Jaguaribe
Desde 2008, Claudia Jaguaribe direcionou seu interesse exclusivamente às complexas relações entre natureza e cultura, expandindo ainda mais as possibilidades da linguagem fotográfica, marca registrada de sua trajetória, que já vinha se espraiando da fotografia à fotoescultura, ao vídeo e ao fotolivro. Na exposição que artista inaugura neste sábado, 20/6, na Galeria Marcelo Guarnieri, as séries Flor do Asfalto (2020) e Jardim Imaginário (2019) são acompanhadas do lançamento do livro Asphalt Flower (2022), publicado pela editora francesa Éditions Bessard, em formato leporello, que acompanha a lógica da série Flor do Asfalto, composta por partes que formam uma única imagem. Aqui, a artista revisita a ideia de paisagem como um jardim, espaço de conexão entre homem e natureza onde é possível observar a dinâmica dos ciclos de crescimento, floração e declínio como um reflexo da sociedade que o molda. As imagens de flores sobrepostas que integram-se simbioticamente às formas asfálticas mostram uma superfície que encapsula a natureza e que não pode mais ser separada dela. Jardim Imaginário constitui-se de planos sobrepostos que produzem encontros entre flores exuberantes e paisagens urbanas: plantas tropicais sobrepostas são emolduradas ora por fotografias de fragmentos de construções arquitetônicas, ora por registros de devastações produzidas por queimadas, criando imagens que mostram a interseção e o diálogo inevitável entre uma visão idílica da nossa natureza e o testemunho das mudanças determinadas pelo antropoceno. 

Verônica (Hans Memling) (2022), de Daniel Senise [Foto: Divulgação]

Verônica, de Daniel Senise
Em sua terceira individual na Galeria Nara Roesler São Paulo, com curadoria de Luis Pérez-Oramas, o artista apresenta desdobramentos recentes da série Museus e Galerias, além de um conjunto de trabalhos inéditos que versam sobre a temática da memória. O conjunto de obras que dá título à mostra se baseia em pesquisa sobre as representações, por artistas como El Greco e Zurbarán, da relíquia cristã onde se acredita estar registrada a verdadeira face de Cristo, conhecida como Manto de Verônica. Para realizar essas novas obras, Senise faz uso de uma das técnicas fundamentais de sua prática: a monotipia de superfícies. As monotipias de parede, em sua maioria brancas, parecem dotar a composição de uma luminosidade capaz de dissolver as formas, não fosse a inegável materialidade de suas marcas. Abertura neste sábado, 20/8.

Detalhe da Série Rede Indígena – Extensão Wapichana (2019), de Gustavo Caboco [Foto: Divulgação]

ouvir àterra, de Gustavo Caboco
O artista do povo Wapichana que teve sua pesquisa apresentada com destaque na 34ª Bienal de São Paulo inaugura mostra solo neste sábado, 20/8, na Galeria Millan. Por meio de desenhos, pinturas, obras têxteis, animação e performance, Caboco narra os deslocamentos dos corpos indígenas e as retomadas de memória pelas novas gerações dos povos originários do Brasil. Elemento recorrente na arte de Caboco, as icônicas bananeiras  marcam presença na individual, em alusão à força e à autonomia. “Plantar uma bananeira é um ato de territorialização da memória, é um curso de ação para se conectar a uma paisagem específica Wapichana e se conectar com a memória de nossos avós, como Casimiro, um dos importantes líderes Wapichana da Serra da Lua, que lutou pela autonomia Wapichana plantando bananeiras”, explica. As 20 obras expostas foram selecionadas pelo próprio artista, em parceria com Paula Berbert, e podem ser vistas na galeria paulistana até 17/9. 

Pintura de Simone Fontana Reis [Foto: Divulgação]

No Início, os Bichos Não Existiam, de Simone Fontana Reis
O Massapê Projetos inaugura, neste sábado, 20/8, a exposição individual da artista paulistana, com organização de Nino Cais e texto crítico de Icaro Ferraz Vidal Jr., reunindo pinturas, esculturas e um vídeo. Estes trabalhos nutrem-se do relacionamento da artista com as culturas ameríndias e com a inteligência da floresta. Os seres da floresta povoam o imaginário de Simone Fontana e se precipitam em imagens de tonalidades míticas. Recentemente, a artista inaugurou o Projeto Maloca-Escola e Floresta com indígenas Huni Kuin no Acre. O projeto colaborativo tem como objetivo o fortalecimento cultural dos saberes ancestrais e a proteção da floresta. No mesmo dia, o espaço independente na Vila Buarque, São Paulo, inaugura também Pedra Terra Pedra, de Renata Pedrosa e Laila Terra, com texto e curadoria de Sylvia Werneck. 

Naturalis III (2019), de Elaine Pessoa [Foto: Divulgação]

Naturalis, de Elaine Pessoa
A mostra na Galeria Mario Cohen, em São Paulo, reúne 42 trabalhos da artista visual, das séries Naturalis, Arabutã e Tacomaré. Elaine Pessoa investiga o território brasileiro a partir de registros em desenho feitos pelos naturalistas alemães Martius e Spix, mesclados a fundos fotográficos. A pesquisa da artista propõe uma reflexão sobre o colonialismo no Brasil e suas ondas exploratórias, do Pau-brasil (Arabutã) à cana-de-açúcar (Tacomaré). A exposição, que entra em cartaz a partir do dia 24/8, também inclui  22 trabalhos de duas séries anteriores, Los Cerros e Nimbus.

Mapa #ArteCaminha 2ª edição [Foto: Divulgação]

#ArteCaminha 2ª edição
O circuito de caminhada artsy pelos bairros do centro de São Paulo, de Higienópolis à República, está de volta neste sábado, 20/8, reunindo 18 galerias, museus e espaços independentes da região, além de livrarias e casas editoriais, entre elas a seLecT. Café e restaurantes também são mapeados na rota concebida para percorrer a pé. A maior parte dos integrantes do circuito tem programação especial nesta data, como Galeria Vermelho, IMS Paulista, Projeto Vênus, A Gentil Carioca, Quadra, Galeria Jaqueline Martins e Pivô, para citar alguns espaços de arte. O projeto, lançado em março de 2022 por iniciativa das galerias do centro, em parceria com a SP-Arte, engloba os pontos aglutinadores de profissionais da arte, funcionando como plataforma para ciclos de conversa e outras ativações. O mapa está disponível nos espaços participantes a partir de sábado e contém a programação de expos das galerias e instituições até dezembro. Vem caminhar pelo centro!

Centro Cultural Veras, em Florianópolis [Foto: Divulgação]

BOAS-VINDAS
Centro Cultural Veras
O aguardado novo centro cultural em Florianópolis abre as portas nesta semana, apostando na ampliação de experimentos e de trocas. “O Centro Cultural Veras é uma semente-sonho germinada, prestes a reflorestar mundos inclusivos, generosos e engajados em potencializar as diferenças e os traços identitários que nos unem. Associação de direito privado, sem fins lucrativos, o CCV atua como espaço promotor de trocas entre os saberes e as práticas da arte, do yoga, da educação e da sustentabilidade, seus pilares estruturantes”, afirma o idealizador do espaço, o curador e historiador da arte Josué Mattos. A programação de estréia inclui a videoinstalação Isso Que Pulsa (2018), de Ruchita; intervenção de Fê Luz, realizada com madeiras da construção do Veras, desde 2020; exposição de artesanato Kaingang, da Aldeia Kondá, de Chapecó (SC); ateliê colaborativo de práticas manuais, realizado pela Coletiva Açu, entre outras atividades. O CCV fica na Rua Vera Linhares de Andrade, s/n, no bairro Córrego Grande, em Florianópolis.

Perfil do IC em uma experiência real no metaverso [Foto: Itaú Cultural]

INSCREVA-SE
Realidade Expandida nas Arte
O Itaú Cultural e o Insper estão com inscrições abertas até 31/8 para o curso de extensão gratuito, voltado para artistas interessados em tecnologias digitais. Ministrado por Luciano Soares, professor do Insper que atua nas frentes de pesquisa acadêmica em engenharia e na coordenação do laboratório de Realidade Virtual e Jogos Digitais, o curso terá aulas presenciais em ambas as instituições. O programa abordará os principais usos da realidade virtual e aumentada no recorte das artes, além de trabalhar a criação de modelos de experiências virtuais utilizando recursos em um ambiente de Metaverso. Inscrições pelo link.

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