Agenda Para Adiar o Fim do Mundo (18 a 25/5)

Confira os destaques da semana, que incluem mostra sobre a Gamboa, Bispo do Rosário, Elke Maravilha e muito mais

Da Redação

Publicado em: 18/05/2022

Categoria: Agenda, Destaque

PiPa, de Douglas Dobby (Foto: Divulgação)

Gamboa: Nossos Caminhos Não Se Cruzaram Por Acaso
A partir desta sexta-feira, 20/5, o recém-inaugurado Centro Cultural Inclusartiz homenageia a história e a produção artística da Gamboa. A mostra, com curadoria de Lucas Albuquerque, reúne cerca de 80 obras de 25 artistas e coletivos conectados afetivamente à região, como Bordô, Bruna Santos, Coletivo MP, Gustavo Speridião, Laís Amaral, Oficina do Prelo, Rainha F., Slam das Minas e Yhuri Cruz, entre outros, com o objetivo de promover e valorizar a produção artística local, bem como convidar a comunidade e seu entorno para o novo espaço. Além dos trabalhos exibidos, o Instituto Inclusartiz abrange as mais distintas manifestações de arte por meio de um mapeamento do trabalho de mais de 70 artistas da região, que por meio do grafite, do pixo, do mural e outras expressões tomam as ruas como suporte. “Apostamos na parceria com todos os artistas e coletivos que encontraram neste entorno a sua casa ou seu espaço de trabalho. Sediar o Inclusartiz em um local tão carregado de história como a Gamboa, é, para nós, energia motriz para continuar e ampliar o projeto de desenvolvimento e apoio”, afirma Frances Reynolds, presidente e fundadora do instituto.

Verso do Manto da Apresentação de Arthur Bispo do Rosário

ABERTURAS
Bispo do Rosário – Eu Vim: Aparição, Impregnação e Impacto
Hoje, 18/5, Dia Nacional da Luta Antimanicomial, o Itaú Cultural inaugura a mostra dedicada ao artista sergipano, reunindo centenas de seus trabalhos em paralelo com outros artistas cujas perspectivas criativas têm afinidades com as de Bispo. A exposição percorre 50 anos de Bispo do Rosário – a maior parte deles asilado na Colônia Juliano Moreira (RJ), onde produziu uma das obras mais importantes da história. O artista dedicou-se à missão de representar os objetos do mundo para apresentá-los a Deus no Juízo Final. Usando materiais que recolhia no manicômio, sua produção impacta os campos da arte e da saúde mental até hoje. Os curadores Ricardo Resende e Diana Kolker avizinham da obra de Bispo grandes nomes, como Aurelino dos Santos, Carmela Gross, Eleonora Fabião, Jaime Laureano, Leonilson, Maxwell Alexandre, Nazareth Pacheco, Paulo Nazareth e Sônia Gomes.

Deborah Salles em diálogo com Graziela Kunsch (Foto: Divulgação)

Creche Parental, de Graziela Kunsch
A Casa do Povo recebe neste sábado, 21/5, às 16h, a artista e educadora para uma apresentação pública do projeto realizado para a Documenta 15, em Kassel, na Alemanha, com inspiração na abordagem pedagógica de Emmi Pikler. Na sequência da apresentação, acontece o lançamento da revista Urbânia 6.2, publicação desenvolvida por Kunsch no contexto da Bienal de Oslo de 2021 em torno do tema “público como mútuo”, que reúne textos de Clarissa Diniz, Denilson Baniwa, Sandra Benites, Lanchonete<>Lanchonete, Pablo Lafuente, Jota Mombaça, entre outros. Creche Parental inclui ações na Casa do Povo e, após o término da documenta, em 25/9, parte da estrutura construída em Kassel vem ao Brasil.

Procurando a Raiva que Preciso Sentir dos Outros em Mim, de Heloisa Hariadne (2022) (Foto: Filipe Berndt/Divulgação)

Entre a Estrela e a Serpente
Com curadoria de Galciani Neves, a mostra, com abertura em 21/5, na Galeria Leme, apresenta trabalhos de mais de 20 artistas brasileiros de diferentes gerações que se relacionam com o gênero natureza-morta. A partir de reflexões sobre o tempo, a curadora seleciona obras de Aline van Langendonck, Ana Elisa Egreja, Eleonore Koch, Fernanda Galvão, Heloisa Hariadne, Regina Vater, Tiago Sant’Ana, entre outros. “Muitos trabalhos expostos trazem elementos pictóricos e narrativos, que associamos ao gênero de natureza-morta. Embora ocorra uma aproximação, o diálogo entre as obras não é pacífico, propõe uma subversão que corrompe uma visão eurocêntrica, ao combinar elementos sócio-culturais próprios deste território”, afirma Neves.

Fotografia de Dalila Coelho (Foto: Divulgação)

Por Muito Tempo Acreditei Ter Sonhado Que Era Livre
A décima edição do Programa de Arte Atual, no Instituto Tomie Ohtake, a partir de amanhã, 19/5, é dedicada a 24 artistas contemporâneas brasileiras emergentes e consagradas. Com curadoria de Priscyla Gomes, a mostra reúne diferentes gerações que apresentam paisagens, retratos, performances e fotografias que refletem acerca do corpo feminino como território. “Artistas de várias proveniências e gerações visibilizam múltiplas explorações do entendimento do corpo feminino como âmago de desejos, sabedorias e ancestralidades; como metáfora de território e de uma paisagem construída muitas vezes pela ficção; como cerne de questionamento político e alvo de censuras constantes; e, principalmente, como forma de vislumbrar diferentes epistemologias”, escreve a curadora. Integram a mostra nomes como Claudia Guimarães, Larissa Souza, Lidia Lisbôa, Lyz Parayzo, Val Souza, Yacunã Tuxá e Yuli Yamagata, junto a artistas consagradas como Claudia Andujar, Leda Catunda, Lenora de Barros, Rivane Neuenschwander, Rosana Paulino e Tomie Ohtake.

Pintura de Lia De Castro (Foto: Divulgação)

EM CARTAZ
Axs Nossxs Filhxs, de Lia De Castro
Discussões em torno do corpo negro delineiam a primeira individual da artista, no Instituto Çarê. A mostra busca dar visibilidade a uma prática artística original, intuída e expandida, que não se separa da vida. Trocas que vão do sexo à discussão dos efeitos do racismo e da transfobia permeiam as pinturas de Castro, que aborda questões íntimas, mas reveladoras de amplos contextos históricos e sociais. Em diálogo com uma história da arte que figura o corpo negro desde um viés antropológico, sua produção instiga a busca de um novo imaginário sobre o corpo e a afetividade negra e trans. Até 2/7.

Elke Maravilha (Foto: Divulgação)

Elke
Propondo revelar suas várias personalidades e facetas, a mostra inédita, no Centro Cultural Vale Maranhão, homenageia uma das figuras mais icônicas e enigmáticas da cena artística brasileira. Com curadoria de Gabriel Gutierrez e Ubiratã Trindade, a mostra retoma o legado deixado por Elke Maravilha em diversos campos da criação: na moda, na indumentária, na cultura popular, no teatro, no cotidiano e nas lutas de gênero e das minorias, sublinhando a filosofia e ética que a artista propôs para a vida. “Da criação estética explícita de Elke, nasce uma ética construída para dar luz a tudo que pudesse ter um significado. Esta exposição é um tributo a essa visão, focada em Elke enquanto artista e pensadora; ela propôs uma forma de estar no mundo única”, afirma o curador. Entre os itens da mostra, que apresenta fotografias inéditas de seu acervo, estão peças criadas com a colaboração de estilistas, maquiadores, cabeleireiros, aderecistas, como Zuzu Angel, Clodovil, Markito, Fernando Pires, Silvinho, Breno Beauty, Walério Araújo. Até 30/9.

RCA – da série Discos Vazios (2013-2014), de Chiara Banfi (Foto: Divulgação)

Take 3, de Chiara Banfi
A individual, em cartaz na Galeria Vermelho, até 11/6, apresenta dois novos desdobramentos da pesquisa da artista paulistana em torno do som e de meios de reprodução musical. Banfi cria objetos a partir da materialidade, das simbologias e das culturas presentes em instrumentos e partituras musicais. Em Elza, discos-pintura trazem uma gravação inédita de Elza Soares ­cantando Aquarela do Brasil (1939), de Ary Barroso. A gravação da obra é a “take 3” da sessão, que, para os produtores, era emocional demais para ser usada no projeto da cantora. Desde o início de sua carreira, Chiara Banfi explora estruturas sonoras, articulando desde músicas populares a sons extraídos da natureza. 

Vista de Envenenada: Profanações e Polimorfismos Tonais (Foto: Diego Bresan/Divulgação)

ÚLTIMOS DIAS
Envenenada: Profanações e Polimorfismos Tonais, de Raquel Nava
Até 22/5, fica em cartaz a individual da artista, no Museu Nacional da República, em Brasília. A mostra conta com objetos e instalações, taxidermias inacabadas e peles curadas que se justapõem a materiais industrializados, elementos da natureza e artefatos indígenas. Para Fabrícia Jordão, curadora da mostra, os trabalhos da artista possuem uma metalinguagem gestual e plástica, que transitam entre articulações e apropriações para convocar outras formas de interdependência e relacionalidades.  No dia do encerramento, acontece a festa Confronto no Museu, das 15h às 22h, com o Confronto Soundsystem e Megaton Dub.  

Pintura de Thiago Martins de Melo (Foto: Divulgação)

NÃO PERCA
1⁰ Ciclo de Conversas sobre Pintura, com Thiago Martins de Melo
A Galeria Tachotte & Co, em Brasília, realiza nesta quinta, 19/5, às 19h, primeira conversa em torno da pintura que se faz e se pensa fora do eixo Rio e São Paulo. O encontro tem a presença do artista maranhense que, junto com os artistas brasilienses Rodrigo de Almeida e Cruz e Ralph Gehre, conversa sobre a pintura contemporânea produzida no Distrito Federal e os desafios da descentralização da produção artística hoje. O projeto da galeria fomenta as artes visuais em Brasília, convidando artistas contemporâneos para debates sobre a cultura atual. 

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