Agenda Para Adiar o Fim do Mundo (25/5 a 1/6)

Aberturas em Inhotim, 13ª Bienal de Arquitetura e mostra de Berna Reale são alguns dos destaques da semana

Da Redação

Publicado em: 25/05/2022

Categoria: Agenda

Estudo para cenário da peça O Imperador Jones (1945), de Enrico Bianco [Foto: Cortesia Museu de Arte Negra - IPEAFRO]

ABERTURAS
Território Específico 2022
Este sábado, 28/5, é dia de vernissage múltiplo no Instituto Inhotim, em Brumadinho. A parceria do museu mineiro com o IPEAFRO (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros) tem continuidade com a mostra Abdias Nascimento e o Museu de Arte Negra – Segundo Ato: Dramas para Negros e Prólogo para Brancos, na Galeria Mata. Sob os auspícios de Oxóssi (cada um dos quatro atos do programa de apresentação do MAN se inspira em um Orixá) abarca um período marcado pelo teatro na formação artística e política de Nascimento, e na concepção inicial da coleção do Museu de Arte Negra (MAN), de 1941 até 1968, ano em que Abdias iniciou o exílio nos Estados Unidos e na Nigéria. A exposição traz documentos que narram a trajetória do Teatro Experimental do Negro (TEN), criado em 1944 por Abdias Nascimento para conquistar espaço para pessoas negras nas artes cênicas, e reúne obras de nomes como Anna Bella Geiger, Heitor dos Prazeres, Iara Rosa, José Heitor da Silva, Sebastião Januário, Octávio Araújo e Yêdamaria, todas provenientes do acervo do MAN. No mesmo dia, o Inhotim inaugura Looking for Langston, individual de Isaac Julien, na Galeria Praça; Inhotim Biblioteca, uma ocupação de Jaime Lauriano; e a instalação em espaços externos de obras de Arjan Martins e Laura Belém, parte do programa Acervo em Movimento.

Quadros, Chapéus e Botas, de Banga Nossa (2020) [Foto: Divulgação]

13ª Bienal de Arquitetura – Travessias
Realizada pelo IAB-São Paulo, a edição da bienal, com primeira abertura nesta sexta, 27/5, no Sesc Avenida Paulista, reúne 33 trabalhos, entre comissionados e selecionados em chamada aberta, acerca das dinâmicas urbanas, sociais e profissionais decorrentes da pandemia de COVID-19. A equipe curatorial, formada por 9 integrantes e coordenada por Sabrina Fontenele, parte do conceito de travessias da historiadora Maria Beatriz Nascimento sobre o passado colonial e os deslocamentos das populações pelo mundo. A BIA, que apresenta projetos de Arquitetura na Periferia, Banga Nossa, Coletivo Coletores, Dele Adeyamo, Francis Kéré, Jaime Lauriano, Mouraria 53 e Uýra Sodoma, é composta por três núcleos e extensa programação, entre conferências, mesas temáticas e performances. No dia da abertura, às 18h30, Joice Berth realiza palestra no Sesc Paulista; já a abertura no Centro Cultural São Paulo, em 4/6, Uýra Sodoma realiza performance, às 17h. Entrada gratuita.

Playground (2019), de Berna Reale [Foto: Divulgação]

Agora: Right Now, de Berna Reale 
A artista paraense, conhecida por sua prática performática de contundente discurso político, apresenta um novo corpo de trabalho, entre fotografias, instalações e, pela primeira vez, pinturas, a partir deste sábado, 28/5. “Agora” é sinônimo de urgência na terceira individual de Reale na Galeria Nara Roesler. A artista utiliza a linguagem da moda, suas cores e abordagens publicitárias, para abordar o modo como a mídia contemporânea lida com a violência. Uma série de fotografias flertam com publicações de moda até que o espectador se atente aos acessórios “anunciados”, como algemas, em Cabeças Raspadas (2022), e tornozeleiras eletrônicas, em Ligadas (2022) e Acorda Alice (2022). Berna Reale expõe também seis pinturas em uma sala inteira revestida de prateado: sobre chapas de metal, a artista utiliza tinta à óleo para retratar corpos violentados. Para a curadora Claudia Calirman, “ao disparar contra diversas formas de injustiças sociais, o trabalho de Berna Reale tem uma mira certeira. Criando situações limite, sua obra é lúdica ao mesmo tempo em que beira o absurdo, causando espanto e desconcerto”. A mostra permanece em exibição até 23/7 na sede paulistana da Nara Roesler.

Detalhe da instalação Botannica Tirannica (2022), de Giselle Beiguelman

Botannica Tirannica, de Giselle Beiguelman
Inaugura neste sábado, 28/5, a intervenção paisagística descolonial da artista e professora da FAU no Museu Judaico de São Paulo. Beiguelman mapeou centenas de espécies de plantas que têm nomes derivados de palavras racistas, perfazendo um inventário do dispositivo modernidade=colonialidade aplicado à botânica. “Inúmeras espécies de plantas, muitas anteriormente nomeadas pelos povos originários, foram (re)batizadas com alcunhas misóginas, racistas, antissemitas e preconceituosas, perfazendo mais uma camada de violência simbólica contra identidades que escapam aos modelos normativos e hegemônicos”, explica a artista. A crítica a esse procedimento colonialista em particular foi disparado na pesquisadora após receber de presente uma muda de Tradescantia Zebrina, conhecida pela alcunha “judeu errante”, o que levou à investigação de outras espécies com nomeação pejorativa, e à estratégia artística de remixá-las para produzir um jardim descolonial no museu. A exposição, com curadoria de Ilana Feldman, articula reflexões de ordem política e estética sobre o preconceito, a representação e a relação entre cultura e natureza – que a modernidade tornou indissociável.

Pujança Editada (Borba Gato), 2020, do Coletivo Coletores [Foto: Divulgação]

EM CARTAZ
Mais de 1 É Multidão
Mostra coletiva na Oficina Cultural Oswald de Andrade, em São Paulo, discute encontro e acolhimento a partir da fotografia. O evento tem curadoria do crítico e pesquisador de fotografia Ronaldo Entler e realização do Adelina Instituto. Apostando na possibilidade de fazer da arte um lugar de encontro em um contexto pós-pandêmico, marcado pelo isolamento, pela polarização e pela intolerância, são apresentadas obras de Alex Oliveira, Coletivo Coletores, Goma Oficina e da dupla Inês Bonduki e Yukie Hori, que envolvem a possibilidade de dialogar com o outro, a partir de confrontos e negociações entre corpos, territórios e memórias. “Não tanto pelos números que produzem, mas pela sensibilidade que reverberam, encontros desse tipo trazem consigo o embrião de grandes transformações”, afirma Entler. Até 11/6.

Desenhos das integrantes das oficinas com profissionais de limpeza em São Paulo e pictograma do coletivo Migrantas [Foto: Divulgação]

Respeito e Valorização – Imagens do Trabalho Doméstico no Espaço Urbano em São Paulo
Resultado de quatro oficinas para profissionais de limpeza da capital paulista, a mostra apresenta o conjunto total de cerca de 200 desenhos que expressam desejos, críticas e desabafos de trabalhadores dessa categoria, criados em quatro encontros em SP realizados nos dias 9 e 10 de abril deste ano. Seus temas mais recorrentes também inspiraram as artistas do Migrantas a criar pictogramas, que são o produto artístico final do grupo. O coletivo de artistas mulheres migrantes, sediado na Alemanha, que atua com pessoas em diversas situações de vulnerabilidade, tem como objetivo tornar visíveis os pensamentos e sentimentos daquelas que quase nunca são ouvidas e consideradas em âmbito social. A mostra é uma parceria do Goethe-Institut São Paulo com o projeto Migrantas. Em cartaz no Centro Cultural Santo Amaro até domingo, 29/5.

Fotoperformance de Celina Portella [Foto: Divulgação]

Exposição Corpo da Obra, de Celina Portella
A individual, no Centro Cultural Fiesp, apresenta cerca de 40 produções da artista carioca realizadas durante a última década, entre fotoperfomances, videoinstalações e foto-objetos. Obras das séries Dobras, Cortes, Ocos, Puxa, Quadros cortados, Movimento ao Quadrado, Foto-pinturas e Fogo fazem parte da seleção da curadora Ângela Berlinde, que vê o trabalho de Portella marcado pelo hibridismo de linguagens e inserção de seu próprio corpo, convidando o espectador a refletir sobre a relação entre sujeito e objeto na arte. Até 30/10.

Tecidos Impeachment (2020-2022), Lucas-K [Foto: Divulgação]

A Trama da Terra que Treme
Com curadoria de Victor Gorgulho, a mostra n’A Gentil Carioca SP reúne obras de artistas representados pela galeria e convidados, como Aleta Valente, Cabelo, Ernesto Neto, Jarbas Lopes, Lucas-k, Maria Laet, Maria Nepomuceno, Mayara Velozo, Vivian Caccuri, entre outros, investigando a matéria têxtil em suas múltiplas possibilidades de uso e de experimentações – formais, conceituais, políticas. O título apropria-se do texto homônimo de Hélio Oiticica, escrito em 1968, para refletir poeticamente acerca das tramas, teias e nós nas quais nos encontramos envoltos e embaralhados. Até 18/6.

Vista da exposição Sandra Gamarra Heshiki: Cabinet of Colonial Discomforts (2021), na Sala Alcalá, em Madrid, com curadoria de Agustin Pérez Rubio [Foto: Oak Taylor-Smith/ Divulgação]

ON-LINE
Cápsula 6 – Negacionismo Histórico em Exposições
Nos próximos dois sábados, 28/5 e 4/6, das 11h às 12h30, ocorre a 6ª edição do programa Cápsula. Lançado em 2021 pela Galeria Jaqueline Martins, Cápsula é um programa público com curadoria de Lisette Lagnado e Mirtes Marins de Oliveira, que aproxima pesquisadores, artistas e ativistas para abordar assuntos considerados urgentes na compreensão e transformação da atualidade. Durante dois encontros, cada convidade faz uma apresentação, seguida de considerações e debate aberto a perguntas. A sexta edição do programa reúne os curadores espanhóis Agustín Pérez Rubio e María Iñigo Clavo com o objetivo de discutir o papel das grandes instituições culturais no processo de desconstrução crítica da narrativa hegemônica da história colonial. Desde sua quarta edição, Cápsula conta com o apoio da SP-Arte. Não há necessidade de inscrição (a não ser que o interessado queira receber aviso no email) e é evento gratuito. Transmissão pelo YouTube da Galeria Jaqueline Martins.

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