Agenda Para Adiar o Fim do Mundo (7 a 14/9) 

Agenda especial 7S reúne eventos que celebram o bicentenário da Independência

Da Redação

Publicado em: 07/09/2022

Categoria: Agenda

Só Vou Ao Leblon a Negócios (2016), de Arjan Martins [Foto: Fabio Souza/MAM-Rio]

ESPECIAL INDEPENDÊNCIAS
Atos de Revolta: Outros Imaginários sobre Independência
Em colaboração com o Museu da Inconfidência de Ouro Preto, a mostra no MAM-Rio parte de uma série de levantes, motins e insurreições que antecederam a Independência do Brasil ou que ocorreram nas décadas subsequentes, durante o Primeiro e o Segundo Reinado e o período regencial, para abordar os diversos imaginários de país então esboçados. Com curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison, Pablo Lafuente e Thiago de Paula Souza, a exposição revela as contradições da historiografia brasileira, que produziu apagamentos de personagens determinantes, sobretudo de populações negras, indígenas e mulheres, a partir de trabalhos de artistas de gerações e geografias diversas, pensando sobre essas narrativas e as cicatrizes do sistema colonial, como Arissana Pataxó, Ana Lira, Elian Almeida, Gê Viana, Gustavo Caboco Wapichana (com Roseane Cadete Wapichana), Arjan Martins, Thiago Martins de Melo, entre outros. A partir de 17/9.

Obras da mostra Coletar Imagens e Objetos, no Novo Museu do Ipiranga [Foto: Heloísa Bortz/Divulgação]

Novo Museu do Ipiranga
Após nove anos fechado, o antigo Museu Paulista reabre suas portas hoje, 7/9, coincidindo com o bicentenário da Independência do Brasil. Além do restauro do Edifício-Monumento, o projeto incluiu a modernização e ampliação do espaço, que passa a ser totalmente acessível; 3.500 obras do acervo passaram por restauro e ganham recursos multissensoriais nas mostras da reabertura. No total, são expostos 3.058 itens pertencentes ao acervo do Museu, 509 itens de outras coleções e 76 reproduções e fac-símiles, em 12 exposições – 11 de longa duração e uma mostra temporária. As de longa duração são divididas em dois eixos temáticos: Para Entender a Sociedade e Para Entender o Museu. A maior parte dos objetos data dos séculos 19 e 20, e outros que remontam ao Brasil colonial. São pinturas, esculturas, moedas, documentos textuais, fotografias, objetos em tecido e madeira que foram conservados e preparados para fazer parte do novo projeto expográfico. A exposição de curta duração, intitulada Memórias da Independência, fica até janeiro de 2023.

Série Outros Navios #1, (2020), de Eustaquio Neves [Foto: Divulgação]

Outros Navios: Fotografias de Eustáquio Neves
Até 26/2/2023, o Sesc Ipiranga apresenta retrospectiva da obra do artista mineiro que atravessa quase 40 anos de produção e carrega em si uma história extensa de diásporas e resistências. Dividida em três salas, e obras pontuais distribuídas pela unidade do Sesc Ipiranga, o visitante encontra séries que aludem às violências e silenciamentos perpetrados contra pessoas escravizadas; obras que tematizam a resistência por meio de saberes ancestrais e rituais afro-brasileiros, bem como exibição de suportes diversos utilizados por Neves em seu processo de criação, e uma videoinstalação, criada a partir do material bruto de três vídeos do artista Post No Bill (Nigéria, 2009 – 2022); Bariga (Nigéria, 2009 – 2022) e Crispim: Encomendador de Almas, (Brasil, 2006 – 2022). A exposição reúne ainda cópias de filmes fotográficos e negativos, estudos de paleta de cor e texturas utilizados nos experimentos do artista no laboratório analógico de seu ateliê. A mostra integra a programação do projeto Diversos 22: Projetos, Memórias, Conexões, desenvolvida pelo Sesc São Paulo, com ações sobre o Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922 e o Bicentenário da Independência do Brasil em 1822. Curadoria de Eder Chiodetto.

Grupo Mexa [Foto: Divulgação]

Independência e Vida!
Com curadoria de Paula Borghi, a mostra tem como objetivo tirar a “morte” das celebrações do 7/9 e dar espaço à vida. Em busca de amplificar vozes de coletivos de arte que potencializam o viver e atuam como agentes de transformações sociais, Birico, Dulcinéia Catadora, JAMAC,  Lanchonete <> Lanchonete  e Mexa foram selecionados para ocupar o espaço da biblioteca paulistana, trazendo, por meio da arte, projetos que celebram a vida em sua diversidade. Na Biblioteca Mário de Andrade, em São Paulo. Até 8/10.

Nada Será Como Antes [Foto: Divulgação]

Parada 7: Arte em Resistência
A mostra, que ocupa, simultaneamente, o Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e o Centro Cultural Justiça Federal (CCJF), abre hoje, 7/9, com temaBrasil atual”, do ponto de vista político, social, econômico, ecológico e cultural. Com curadoria de César Oiticica Filho, Evandro Salles e Luiza Interlenghi, a coletiva trata da profunda crise social e democrática que atravessa o país, afirmando a posição de sujeitos diante do panorama histórico que se apresenta. “Visões poéticas, dramáticas, críticas, audaciosas ou surpreendentes, carregadas de sonhos e esperança, se sobrepõem em um grande panorama que pensa as múltiplas identidades e feições da nação brasileira, bem como seus problemas e questões fundamentais, como a violência, a fome, as questões de gênero, o racismo, os povos e a cultura indígena, a educação e a (des)igualdade”, escrevem os curadores. A abertura, hoje, conta com um cortejo que parte do CCJF às 15h, em direção ao Centro de Arte HO.

Monumento à Independência (Ettore Ximenes, 1922)

demonumentaRA
Como parte do projeto demonumenta, que propõe debates sobre a colonialidade embarcada no patrimônio e acervos públicos da cidade de São Paulo, a intervenção digital, na Praça do Relógio da USP, a partir de 19/9, utiliza realidade aumentada para discutir a colonialidade do patrimônio histórico com 22 monumentos relacionados aos anos de 1922, 1954 e 1972. Um aplicativo gratuito para celular permite visualizar modelos 3D e visitar com audioguias monumentos inaugurados durante datas comemorativas de nossa história e dispersos na cidade de São Paulo a partir de distintos pontos de vista.

Divulgação

Independências
A minissérie, que estreia hoje, 7/9, às 22h, na TV Cultura, foi desenvolvida por Luiz Fernando Carvalho, em parceria com o dramaturgo Luís Alberto de Abreu, a partir da necessidade de se recontar o Brasil através de uma releitura que se convencionou chamar de “nova historiografia”. A ideia central é reivindicar a participação de um enorme conjunto de saberes, culturas, subjetividades e personagens que foram postos à margem ou que, violentamente, foram apagados pela história oficial. Entre estes desmoronamentos históricos, destaque para a importância do protagonismo feminino na Independência do Brasil, abordando nome como Maria Felipa, cuja participação foi referencial na luta pela independência da Bahia, e Leopoldina, artificie central no processo da Independência.

Azeite de Leos

ÚLTIMOS DIAS
Tempos Que Habitam em Mim, de Azeite de Leos
O título escolhido pelo artista para essa exposição, que tem por objetivo uma reavaliação dos últimos 10 anos de sua trajetória, resume bem a questão que permeia toda a sua obra: a impermanência, a tentativa vã do homem de transcender seu tempo e de “deixar uma marca”. Segundo a galerista e historiadora da arte Loly Demercian, “Azeite de Leos fez uma retomada, uma reestruturação em seu fazer. Olhando para trás, os trabalhos realizados foram marcados por um tempo que ali existiu, e, ao questionar a integridade da matéria, traz à tona a nossa própria fragilidade e efemeridade”. Até 10/9, das 13h às 17h, na Casagaleria Oficina de Arte [Rua Fradique Coutinho, 1.216, São Paulo].
Arapuca, de Fabiañá Préti
Partindo da azulejaria, criando ou simulando azulejos em suas pinturas, a artista cria jogos visuais dinâmicos e padrões geométricos. Na série de trabalhos Sem Título (2022), que compõe a sua exposição individual, Préti constrói composições retangulares com alguns motivos que, no passado, figuravam em sua azulejaria. “Vistos a distância, fogem da natureza planar que os caracterizou em trabalhos anteriores. Emanam textura, como se fossem mosaicos. Vistos de perto, percebe-se que são construídos por uma trama de palhinha, a mesma utilizada em cadeiras. Se antes essas formas funcionavam solitárias e absolutas, agora o interesse de Préti reside na trama que as compõem”, escreve o curador Theo Monteiro no texto de apresentação. Até 10/9, das 11h às 17h, na galeria do marketplace de arte Blombô [Rua Gumercindo Saraiva, 2, São Paulo].

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