Agenda Para Adiar o Fim do Mundo (9 a 16/11)

Denilson Baniwa, Guto Lacaz, Gê Viana e Festa do Livro da USP são alguns dos destaques da semana

Da Redação

Publicado em: 09/11/2022

Categoria: Agenda, Destaque

Salmo 23 (2022), de Denilson Baniwa [Foto: Cortesia do artista/A Gentil Carioca]

Frontera, de Denilson Baniwa
A Gentil Carioca abre neste sábado, 12/11, primeira individual do artista na sede da galeria no Rio de Janeiro, com show de Zulu Anápuàka Tupinambá. A exposição sublinha como os descimentos são processos inextricáveis das problemáticas territoriais e da persistente invasão dos territórios indígenas, que nunca cessaram de acontecer, ao abissal atraso na demarcação de seus territórios. Na série inédita, Baniwa realiza uma imersão em torno da história dos “descimentos”, processos de migração compulsória de indígenas da Amazônia que, ao longo dos séculos XIX e XX, diante de ciclos econômicos diversos, se deslocaram para trabalhar para indústrias extrativistas, num regime de exploração de sua mão de obra e saberes. 

Cachoeira, BA (2000), de Walter Firmo [Foto: IMS/Divulgação]

ABERTURAS
Walter Firmo: No Verbo do Silêncio a Síntese do Grito
A mostra, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, traça um panorama dos mais de 70 anos de trajetória do consagrado fotógrafo carioca. Com curadoria de Sergio Burgi e Janaina Damaceno, 266 fotografias, produzidas desde 1950 até 2021, que retratam e exaltam a população e a cultura negra de diversas regiões do país, registrando ritos, festas populares e religiosas, além de cenas cotidianas, ocupam todas as salas do segundo andar do CCBB RJ. O conjunto destaca a poética do artista, associada à experimentação e à criação de imagens muitas vezes encenadas e dirigidas. Entrada gratuita.

4 Quadrados Cinéticos (2017), de Guto Lacaz [Foto: Divulgação]

Antimatéria, de Guto Lacaz
A partir de amanhã, 10/11, a Galeria Raquel Arnaud apresenta obras inéditas do artista paulistano, cuja produção explora as possibilidades tecnológicas da arte com humor e ironia. A mostra propõe uma ocupação radical em que a obra possa dialogar com as formas arquitetônicas da galeria. Dispostas de modo alinhado, 7 múltiplos e projeções de 4 vídeos de performances criam um eixo, causando um efeito coletivo e individual entre as obras. Esse jogo caracteriza a abordagem do universo de Lacaz, que pesquisa os materiais em situações inusitadas, com olhar lúdico e recursos de caráter tecnológico e provocador. Durante o período da exposição, será lançado um documentário sobre vida e obra do artista.

Sem título (1970), de Chico da Silva [Foto: Divulgação]

Chico da Silva: Conexão Sagrada, Visão Global
61 trabalhos, entre pinturas e instalações, compõem um recorte da produção do artista natural do interior do Acre, na mostra em cartaz no Museu de Arte Sacra de São Paulo, a partir deste sábado, 12/11. Com curadoria de Simon Watson, as obras perpassam os temas recorrentes da visão do imaginário de Silva, como peixes e pássaros fantásticos, além de criaturas míticas e dragões, já caracterizadas como “visões vívidas e alucinatórias, enraizadas nas cosmologias amazônicas e que vão desde figuras folclóricas e espirituais até plantas e animais antropomórficos”, como escreve o curador. A galeria de entrada do museu traz uma instalação em estilo de salão, uma “piscina” das pinturas de peixes do artista, sugerindo uma imersão em um aquário. Em seguida, no espaço expositivo, as telas estarão divididas em dois temas: uma de criaturas míticas e outra de pássaros e outras criaturas aladas. 

Sem título (1960), de Tomie Ohtake [Foto: Divulgação]

Tomie Ohtake Dançante
A mostra comemorativa dos 20 anos do Instituto Tomie Ohtake apresenta um novo olhar para a obra da artista que dá nome ao instituto. Com curadoria de Paulo Miyada e Priscyla Gomes, a proposta é investigar se a pintura dança, ou se é possível dançar com a pintura. “Palavras como movimento, gesto, matéria, ritmo, corpo, espaço, deslocamento, partitura e coreografia, antes mesmo de serem articuladas em uma sentença verbal, misturavam-se na hipótese de que na obra de Tomie Ohtake se dança, de que Tomie é dançante”, escrevem. Além da seleção de obras, para preparar a exposição os curadores conversaram ao longo de seis meses com coreógrafos de perfis e trajetórias diversas, capazes de imergir na produção plástica de Tomie Ohtake. Ainda, na sala exclusivamente dedicada às exposições da artista, é apresentada a mostra Tomie Ohtake Ensaios, que reúne, na íntegra, os registros em vídeos dos ensaios-abertos de Allyson Amaral, Cassi Abranches, Davi Pontes, Eduardo Fukushima com Beatriz Sano e Emilie Sugai realizados na casa-ateliê da artista. A partir de 16/11.

Desenhar com Imagens, Desamarrar Arapucas (2019), de Gê Viana [Foto: Divulgação]

EM CARTAZ
Retirar o Sol das Cabeças, uma Reza das Imagens, de Gê Viana
Em cartaz na Galeria Superfície, a primeira individual da artista maranhense direciona aos ensinamentos afro-indígenas de cura, limpeza e reza para tudo aquilo que foi desgastado, forjado e empobrecido. Com curadoria e texto de Thayná Trindade, a mostra organiza-se em cinco núcleos de obras conhecidas e inéditas, fazendo um recorte panorâmico dos imaginários construídos por Viana sob diferentes suportes—madeira, ráfia, papel, tecidos e lambe-lambe — e seus preciosismos artísticos que permitem coletivizar histórias, para além dos traumas e apagamentos, permitindo anseios de afeto e felicidade de si e dos seus. Gê Viana tem como mote poético a expurgação das violências estético-simbólicas de imagens históricas, construídas nas tramas da colonização brasileira. Revelar essas imagens a partir da própria experiência particular, torna-se ponto de partida no entendimento de si mesma, enquanto fruto das raízes que constituem suas descendências indígenas e africanas fincadas no território do Maranhão. Até 15/12. 

Vista de José Cláudio: Uma Trajetória, na Galeria Nara Roesler SP [Foto: Flávio Freire/Divulgação]

ÚLTIMOS DIAS
José Cláudio: Uma Trajetória
Neste sábado, 12/11, às 11h, data de encerramento da mostra retrospectiva, que reúne mais de cem trabalhos do artista pernambucano, acontece um bate papo entre a curadora da individual, Aracy Amaral, e os artistas Cristina Canale e Rodrigo Andrade, na Galeria Nara Roesler, em São Paulo. Em torno dos trabalhos exibidos, os convidados debatem sobre um dos primeiros artistas a serem exibidos nos anos 1970 na primeira galeria de Nara Roesler, em Recife, e que volta a ser apresentado com uma seleção que compreende momentos-chave de sua carreira, entre pinturas, desenhos e gravuras, desde a sua famosa expedição à Amazônia até a série Carimbos.

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LITERATURA
Festa do Livro da USP
Organizada anualmente pela Edusp, o evento, que acontece a partir hoje, 9/11, das 9h às 21h, até sábado, 12/11, das 9h às 19h, volta ao Campus Butantã da USP com descontos de, pelo menos, 50%. A 24ª edição conta com mais de 40 editoras, com títulos de arte, literatura, infanto-juvenil e muito mais. Acesse o site para conferir a relação completa de editoras participantes e a lista dos livros que serão disponibilizados. 

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NÃO PERCA
Festival Revide! Movimentos Para Imaginar Amanhãs
De 11 a 13/11, o Museu do Amanhã convida o público a debater a emergência planetária sob uma perspectiva de soluções possíveis. Durante o evento, estão programadas diversas atividades gratuitas: a abertura da mostra Nhande Marandu – Uma História de Etnomídia Indígena, rodas de conversas, performances artísticas e atrações musicais. Entre as atrações musicais estão Rincon Sapiência, Brisa Flow, Kaê Guajajara, Anelis Assumpção, Tulipa Ruiz, Jup do Bairro e Malka, Larissa Luz, entre outros. A agenda também conta com a participação de DJs como Marta Supernova, Lys Ventura e Glau Tavares. Ainda, durante os três dias do Festival, a artista Sallisa Rosa se dedica à criação de um espaço metamorfósico com uma instalação performática de longa duração intitulada Casulo. Confira a programação completa no site do museu.

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