Agito paulistano

Galerias e museus abrem calendário de exposições paralelas à 32ª Bienal de São Paulo

Felipe Stoffa
Fotografia da série Aterro, de Caio Reisewitz, em exposição na Luciana Brito Galeria (Foto: Caio Reisewitz/Divulgação)

Com o título incerteza viva, a esperada 32ª Bienal de São Paulo abre suas portas a partir de 7/9. Aproveitando o calendário da grande mostra, museus e galerias oferecem frescor para os espaços fora do Ibirapuera e inauguram uma série de exposições individuais e coletivas com uma programação que promete ferver o circuito paulistano. Confira a lista que seLecT organizou com alguns dos melhores roteiros:

Galeria Estação – Um certo olhar: Coleção Celma Albuquerque e Individual de Santídio Pereira
De 30/8 até 15/10
Celma Albuquerque, galerista mineira falecida em 2015, é homenageada com exposição que apresenta um recorte de seu acervo pessoal. Foram selecionadas 40 obras de nove artistas que se relacionam com as pesquisas promovidas pela Galeria Estação em torno da arte popular. A curadoria é de Vilma Eid e Germana Monte-Mor, que selecionaram artistas como Itamar Julião, Artur Pereira, Mauricio Silva, Maurino, Amadeo Luciano Lorenzato, Farnese de Andrade, Jadir João Egídio, Antonio Poteiro e Geraldo Teles de Oliveira.  
No outro andar da galeria, o crítico e curador Rodrigo Naves apresenta uma seleção de trabalhos que constitui a individual do jovem gravurista Santídio Pereira.

Trabalho de José Bento na exposição Homo Ludens, na Galeria Luisa Strina (Foto: Divulgação)

Trabalho de José Bento na exposição Homo Ludens, na Galeria Luisa Strina (Foto: Divulgação)

Luisa Strina – Homo Ludens
De 31/8 até 5/11
Com curadoria de Ricardo Sardenberg, o título da mostra coletiva parte do livro homônimo do historiador holandês Johan Huzinga e busca destacar o caráter lúdico dos trabalhos selecionados, dando relevância ao chamado jogo artístico, em que a relação da obra com o público é destacada como aspecto fundamental, acima de seu caráter processual. Entre os artistas selecionados, a exposição reune nomes como Bas Jan Ader, Pedro Caetano, Waltércio Caldas, Wesley Duke Lee, Marcius Galan, Guto Lacaz, Jorge Macchi, Montez Magno, Marepe, Cildo Meireles, Rivane Neuenschwander, Beto Shwafaty e Erika Verzutti.

Galeria Lume – Primavera nos Dentes
De 2/9 até 26/9
Incerteza Viva, título da 32ª Bienal de São Paulo, foi o ponto de partida para a montagem da exposição coletiva, assinada por Bernardo Mosqueira e Ulisses Carrilho. São apresentados 17 artistas nacionais e internacionais, como Anton Steenbock, Elza Lima, Raphael Escobar, Janaína Miranda e o coletivo baiano GIA (Grupo de Interferência Ambiental), com trabalhos que procuram questionar certezas imutáveis ao buscarem novas linguagens, ideias, experimentações e questionamentos. “Quando concebemos esta exposição, queríamos investigar o engano. Não nos interessa tanto a ilusão em si, mas sim, o momento em que o sujeito se descobre enganado, o instante em que a ilusão é revelada”, afirma Mosqueira.

Stuart Brisley na galeria Jaqueline Martins (Foto: Stuart Brisley/Divulgação)

Stuart Brisley na galeria Jaqueline Martins (Foto: Stuart Brisley/Divulgação)

Jaqueline Martins – Stuart Brisley
De 2/9 até 22/10
O artista britânico Stuart Brisley recebe sua primeira individual no país e apresenta uma instalação produzida especialmente para o espaço da galeria, mantendo diálogo com o trabalho que expôs na Bienal de São Paulo de 1985. “A origem do trabalho é de uma frase em inglês (elephant in the room) que significa um grande problema ou questão controversa que é obviamente presente, mas evitada. É o que todo mundo sabe, mas ninguém fala”, diz Maya Balcioglu, responsável pela documentação das performances de Brisley.

Galeria Leme – Gabriel Acevedo Velarde e SITU#5
De 2/9 até 15/10
A peruana Sandra Gamarra assina o trabalho site-specific que integra a quinta edição do projeto SITU, situado na área externa da galeria. Ao mesmo tempo, Gabriel Acevedo Velarde, também peruano, abre sua terceira individual, As Fantásticas Viagens da Energia. Nela, o artista apresenta uma espécie de corredor que contém desenhos, colagens, folhas dispersas e vídeos e falam sobre as distintas noções de energia. Essa temática, aos olhos e na obra de Velarde, encontra também com a sexualidade, economia e misticismo, permitindo com que o público, ao atravessar o corredor, vivencie uma experiência ritualística.

Fotografia de Miguel Rio Branco em exposição no anexo da Galeria Millan (Foto: Miguel Rio Branco/Divulgação)

Fotografia de Miguel Rio Branco em exposição no anexo da Galeria Millan (Foto: Miguel Rio Branco/Divulgação)

Galeria Millan – Miguel Rio Branco
De 3/9 até 1/10
Um dos maiores fotógrafos brasileiros apresenta sua nova individual, intitulada Barro. São cerca de 100 fotografias e um vídeo, realizadas por ele desde 1980 até os dias de hoje, como costuma dizer: “Minhas novidades são feitas com coisas velhas”. Muitos de seus trabalhos se destacam pelo diálogo com a montagem cinematográfica, em que uma série de fotografias é combinada até formar quase que um frame de vídeo. Vale destaque para a série dos índios Kayapó, comunidade do sul do Pará, registrados pelo artista ao longo da década de 1980.

Galpão Fortes Vilaça – Valeska Soares
De 3/9 até 22/10
Quinta individual da artista reune no Galpão Fortes Vilaça, na Barra Funda, esculturas a partir de distintos materiais e épocas que exploram a relação entre abstração, memória e experiência cotidiana. A exposição, intitulada Lugar Comum, cria uma metáfora que investiga a possível relação que esses objetos proporcionam a partir do contato entre obra e público.

Luciana Brito Galeria – Caio Reisewitz e Tobias Putrih
De 3/9 até 20/10
Guilherme Visnik assina a curadoria da individual Aterro, de Caio Reisewitz, que traz um conjunto inédito de oito fotografias clicadas pelo artista ao visitar o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro. Já o esloveno Tobias Putrih abre a exposição Compreensões, composta por duas instalações inéditas inspiradas pela casa que abriga a galeria, projeto do arquiteto modernista Rino Levi.

MIS SP e Espaço Cultural Porto Seguro – Frida Kahlo, Suas Fotos
De 3/9 até 20/11
Fotografias do acervo pessoal de Frida Kahlo constituem a exposição apresentada a partir da parceria entre o MIS e o Espaço Cultural Porto Seguro. Essa coleção de imagens já passou por diversas instituições ao redor do mundo. No Brasil, a mostra recebe um novo recorte para ser abrigada simultaneamente nos dois espaços. Enquanto o MIS abriga as fotos de Frida, o espaço Cultural Porto Seguro apresenta a seção Olhares Sobre o México. Os visitantes podem utilizar o serviço gratuito de uma van que transporta o público entre as duas instituições.

Galpão VB – Akram Zaatari
De 3/9 até 3/12
O artista libanês ocupa os 800m² de espaço expositivo do novo galpão da associação Videobrasil com trabalhos em filme, videoinstalação, fotografia e textos, que falam de comunicação, política e relações afetivas, principais temáticas da poética de Zaatari. A curadoria da mostra é de Solange Farkas e Gabriel Bogossian que selecionaram obras produzidas entre 1980 e 2014, muitas ainda inéditas no país, como Dance to the end of Love (2011), uma reunião de vídeos veiculados no Youtube, produzidos por cidadãos do Egito, Emirados Árabes, Arábia Saudita, Palestina, Iêmen e Líbia.

Trabalho de Ivens Machado que integra a exposição O Crú do Mundo (Foto: Vicente de Mello)

Trabalho de Ivens Machado que integra a exposição O Crú do Mundo (Foto: Vicente de Mello)

Pivô – Hello.Again e O Cru do Mundo
De 4/9 até 5/11
O programa Hello.Again do Pivô traz ao espaço artistas jovens em início de carreira. Para a edição atual, Rita Vidal apresenta a exposição Abismo, que ocupa a recepção do espaço, localizado em uma galeria no edifício Copan. Foram cerca de 80 artistas inscritos no edital, selecionados pela equipe de curadoria Douglas de Freitas, Sabrina Moura e o artista Lucas Simões. Já a exposição O Cru Do Mundo reune obras de Ivens Machados a partir do recorte da curadora Kiki Mazzucchelli, que escolheu esculturas, vídeos e desenhos de suas primeiras décadas de produção.

Casa Nova Arte – Ulla! Ulla! Ulla! Ulla! Marcianos, Intergalácticos e Humanos
De 4/9 até 5/11
A curadora Jane de Almeida encontrou nos artistas David Medalla, Fernando Duval, Henrique Alvim Corrêa, Kiluanji Kia Henda e Olaf Breuning obras com inspiração alienígena e que constituem a exposição coletiva apresentada na Casa Nova Arte, no bairro dos Jardins. A mostra tenta estimular o público a refletir sobre grandes clichês da ciência e a produção de utopias no século XXI como, por exemplo, no trabalho de Henrique Alvim Corrêa (1876 – 1910), que criou ilustrações a partir da obra Guerra dos Mundos, clássico da literatura mundial. 

Ascânio MMM - Madeira Pintada, em exposição na Casa Triângulo (Foto: Thales Leite)

Ascânio MMM – Madeira Pintada, em exposição na Casa Triângulo (Foto: Thales Leite)

Casa Triângulo – Ascânio MMM
De 5/9 até 8/10
O artista luso-brasileiro recebe retrospectiva assinada pelo curador Paulo Miyada, propondo um mergulho cronológico em sua produção a partir da análise dos distintos jogos de escala que integram suas obras. Desde a década de 1970, o trabalho de Ascânio é marcado pela relação entre a escultura, matemática, filosofia e arquitetura, além da intensa exploração dos distintos efeitos da luz.

MAM-SP – Útero do Mundo
De 5/9 até 18/12
A partir do viés das metamorfoses do corpo e sua indomabilidade, a instituição selecionou 280 obras de seu acervo a partir do recorte proposto pela escritora e crítica de arte Veronica Stigger. Os trabalhos escolhidos possuem diversos suportes, como a fotografia, pintura, escultura, instalação, gravura e performance de mais de 100 artistas cuja poética se pautava em questionar e retratar um corpo livre de qualquer barreira social. A exposição se baseia na compreensão da histeria pelos surrealistas europeus, e produz, assim, um elogio à loucura. 

Consulado de Portugal – O Futuro será uma réplica
De 7/9 até 11/12
A equipe de artistas portugueses integrantes da 32ª Bienal de São Paulo recebe exposição paralela no próprio consulado. O objetivo é aproximar o público brasileiro da produção de arte contemporânea realizada em Portugal. Lourdes Castro, considerada uma das maiores artistas do país, apresenta uma coleção de livros de artista, enquanto que Cara Filipe, 
Priscila Fernandes, Grada Kilomba e Gabriel Abrantes apresentam uma programação especial, realizada no dia de abertura da mostra.

Museu Afro Brasil – Portugal Portugueses, Arte Contemporânea
De 8/9 até 8/1/2017
Embarcando no agito de Portugal, o Museu Afro Brasil abre a maior exposição dedicada à arte portuguesa e africana já realizada no Brasil. A exposição é a segunda de uma trilogia proposta pelo curador Emmanoel Araujo em homenagear as raízes da cultura brasileira, a partir do olhar português, africano e indígena. São cerca de 40 artistas luso-portugueses, com destaque para a produção de mulheres modernistas como 
Maria Helena Vieira da Silva, Ana Vieira, Helena de Almeida, Paula Rego e Lourdes Castro que formaram, na visão de Araujo, a base da arte contemporânea do país.

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