Agreste e digital

Terceira edição da Residência Belojardim, em Pernambuco, recebe a artista Camila Sposati com pesquisa sobre barro e órgãos do corpo humano

Luana Rosiello

Publicado em: 29/10/2021

Categoria: Da Hora, Destaque

A cidade de Belo Jardim, no agreste pernambucano, é desde 2017 sede de um projeto de residência artística do Instituto Conceição Moura

Conectar o corpo pessoal ao social é o intuito do projeto que Camila Sposati desenvolve na residência Belojardim que, após dois anos desativada, volta em formato digital devido às restrições impostas pela pandemia do COVID-19. Com o intuito de fomentar o desenvolvimento do circuito de artes visuais da linda cidade de Belo Jardim, conhecida por suas casas com platibandas coloridas, a residência comissionou um projeto de Marcelo Silveira, em 2017, e de Carlos Mélo, em 2018.

Camila Sposati trabalha no projeto Corpos de Phonosophia

Nesta terceira edição, Sposati desenvolve o projeto Corpos de Phonosophia, que promove com artistas locais experimentações com argila, moldando formas que remetem a instrumentos musicais – como percussão, trompete, corneta – e a órgãos do corpo humano ligados ao tato e à audição. Os encontros semanais acontecem online com Sposati e a coreógrafa Amália Lima. “Ao convidar Camila para esta edição, queríamos chegar mais perto das questões culturais que movimentam a cidade: a música e o barro. Há alguns anos ela desenvolve o Phonosophia, uma discussão filosófica sobre instrumentos de sopro e as possíveis conexões com os órgãos humanos”, diz à seLecT Cristiana Tejo, que assina curadoria juntamente com Kiki Mazzucchelli.

Phonosophia é um desdobramento do Teatro Anatômico da Terra (2014), obra comissionada para a Bienal da Bahia, que consistiu na construção de uma estrutura circular e subterrânea baseada no Teatro Anatômico de Pádua (séc 16), um dos primeiros teatros construídos para a observação e dissecação de corpos humanos.

Teatro Anatômico da Terra (2014), obra comissionada para a Bienal da Bahia

“A residência surge no contexto do Instituto Conceição Moura com o intuito de criar uma oferta cultural em Belo Jardim, no agreste de Pernambuco. Em 2015, fui convidada por Mariana Moura para pensar uma residência artística na cidade que trabalhasse questões acerca das artes visuais, cinema, música e literatura. É uma residência experimental, em que um artista reside por, no mínimo, dois meses em Belojardim”, diz Tejo.

Pesquisa e criação acontecem até 27/11 e o projeto resultante será  compartilhado com o público em uma exposição digital, em dezembro. Além disso, a Residência contempla uma série de Programas Públicos online e abertos, com participação de profissionais de diferentes áreas convidados a discutir os distintos aspectos de Corpos de Phonosophia.

Confira a programação de lives no YouTube do Instituto Conceição Moura:

30/10, ÀS 11H

CORPO, TERRA E TRANSGRESSÃO ENTRE NORDESTES, COM KACIANO GADELHA e CRISTIANA TEJO

Apresentação KIKI MAZZUCCHELLI

 

6/11, ÀS 11H

“CORPO ALÉM DO FÍSICO”, COM LEDA MARIA MARTINS e CRISTIANA TEJO

Apresentação KIKI MAZZUCCHELLI

 

13/11, ÀS 11H

JULIETA GONZÁLEZ e KIKI MAZZUCCHELLI

Apresentação KIKI MAZZUCCHELLI

 

27/11, ÀS 11H

ENCERRAMENTO DE CORPOS DE PHONOSOPHIA (CAMILA SPOSATI, CRISTIANA TEJO, KIKI MAZZUCCHELLI, RUDÁ CABRAL)

 

www.residenciabelojardim.org

@residenciabelojardim

Objeto da série Corpos de Phonosophia, de Camila Sposati

As curadoras Kiki Mazzucchelli e Cristiana Tejo

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